”Um raio de escuridão” (skotous aktis): esta imagem resume a concepção de Deus do Pseudo-
Dionísio e também a de Máximo o Confessor. É uma concepção que conclui uma tradição ilimitada de pensadores helenísticos, Judeus e cristãos, todos celebrando a transcendência de Deus. O topo de todo ser, na visão de
Platão e
Aristóteles, estava entronado em luz radiante mas inacessível. Um “névoa oriental” começou a se juntar ao redor deste pico olimpiano e fazendo parecer mais e mais íngreme e distante, até desaparecer em completa incompreensibilidade. O Deus do apocalipse judaico, o Deus de Philon, exaltado acima dos “poderes”divinos, acima dos princípios de inteligibilidade (
logoi) e dos anjos, acima da dominação e providência e bondade ela mesma; o abismo irreconhecível dos gnósticos; o “Pai superessencial” de
Orígenes; o Bem-além-de-todo-ser de
Plotino; o Deus de
Gregório de Nissa eternamente além do alcance do amor e além da apreensão da visão; tudo isto representa uma caminhada, passos em direção à “teologia mística” do Areopagita, que chancelou a ideia de um ser transcendente como o nível final e mais adequado de expressão.