Jean Tourniac — Vida Póstuma e Ressurreição no Judeu-Cristianismo
No “Livro dos Mortos” egípcio, encontra-se a seguinte descrição da individualidade humana:
Poderia se comparar com o judaísmo e com o cristianismo. Neste último caso no entanto:
No judaísmo o homem de carne é a Alma vivente, seja C + B + A + carne animada pelo Espírito D e E.
Mas no cristianismo a vitória sobre os “poderes da morte” ao Gólgota e o “cadáver tornado fonte de vida”, se integram na consciência do crente, o preparando à “passagem da soleira”; os venenos de destruição da individualidade humana são então neutralizados pela destruição da morte.
O Cristo morte em cruz age como um “magistério” no subconsciente durante a “vida terrestre” e depois (de onde a caveira pendurada no rosário franciscano com, do outro lado, a cabeça do Cristo). A ressurreição do Cristo é dinâmica e efetiva, ela recria o estado do homem original, diante da queda. Também aqueles que negavam a ressurreição “carnal” do Cristo, os gnósticos, não representavam eles o Crucificado.
Note-se que o ser o post-mortem, na perspectiva egípcia, está amputado do cérebro, do coração, da percepção sensorial, em resumo é preciso que sua “consciência” suplantada a tudo isto pela “reeducação” e “adaptação” e em uma atmosfera de “dissolução”, “distúrbios”, ao redor dela: correntes desconhecidas que a sacodem e que ela não domina, metamorfoses mesmo — exatamente como no estado de Sono —, ambiente que “o observa, o espia”, seja com benevolência, seja com hostilidade; um conjunto fluido, desconhecido, indeterminado, vago, em uma sensação de dependência da alma. Encontra-se ceras descrições do Bardo Todol ou do “Inferno” de Dante.