A tradução realizada pelo Targum busca tornar inteligível o próprio ato de escrita da obra por meio de uma proximidade com as intenções textuais.
O Targum responde ao desespero de
Qohelet ao limitar a aplicação da vaidade humana às ocupações mundanas e ao bem-estar egoísta.
A exceção à vaidade universal reside no estudo e no cumprimento da Lei.
O Targum atua como complemento que prolonga e remete ao texto original, distanciando-se de uma tradução ordinária de substituição.
As liberdades assumidas face ao hebraico definem a obra como uma produção singular composta de tradução, reescrita e comentário.
Enquadrado nos Targuns midráquicos por introduzir gloses tradicionais antigas, não há certeza de que o texto se destinava a acompanhar a leitura sinagogal do rolo na festa de Sucot.
O costume de leitura em Sucot configura um hábito tardio não mencionado no tratado Massekhet Sofrim.
A intenção edificante direcionava o escrito aos fiéis simples e meios populares, revelando uma visão de mundo fatalista com críticas ao profetismo, ao conhecimento e a Salomão.
O Targum preserva o estilo característico de
Qohelet ao mesmo tempo em que atenua significados por breves observações inseridas na paisagem do discurso rabínico e dos relatos agádicos.
A associação do Targum ao texto hebraico e a traduções árabes pedagógicas em manuscritos confirma a obtenção de um estatuto oficial reconhecido pelos comentadores medievais.
A obra funciona como condensado de midrachim, mas adota soluções originais decorrentes de contraintes textuais da atividade tradutora.
O estilo tradutor funciona como uma lente de aumento que decodifica versículos equívocos e decide por um sentido unívoco e claro.
O Targum atinge o objetivo de transformar a obra pessoal de um autor no legado coletivo de uma tradição religiosa adaptada à realidade do Exílio.