A multiplicidade de nomes em são Tomás visa remediar a impossibilidade de conhecer Deus por essência nesta vida, opondo-se ao nome inefável da visão beatífica.
O nome único do Aquinate não designa um atributo e sim o nome desconhecido da Essência que constitui seu próprio Exister.
Mestre
Eckhart aborda o nome Un como denominação suprema que sinaliza a razão de coincidência de todos os atributos, ao passo que são Tomás tratava do nome único incognoscível na via.
O teólogo alemão não se aproxima de uma concepção nominalista ao declarar que a distinção dos atributos pertence inteiramente ao nosso intelecto.
Sua atitude caracteriza-se por um realismo e por um otimismo intelectual extremados.
Mestre
Eckhart concede ao intelecto a possibilidade de conceber uma perfeição suprema e única, em vez de se limitar a fixar a necessidade de conceitos múltiplos.
Esse primeiro atributo constitui a primeira determinação da Essência e representa a razão de sua indistinção em relação aos outros nomes.
Mestre
Eckhart confere ao intelecto uma via determinada pela reciprocidade entre o Un e a totalidade de componentes ao exaltar o Un.
O intelecto pode nomear o atributo que se diferencia de todos por não admitir distinções em Deus, embora receba o conhecimento de atributos distintos no campo criado.
A Unidade constitui a perfeição única que reúne em seu nível superior tudo o que pode ser afirmado a respeito da Essência divina.
O Un é o nome supremo da Causa primeira que compreende os atributos e permite às criaturas louvarem a Deus por meio de todas as denominações.
Esse nome do Un figura como o ponto de chegada para a intelicção humana que procede a partir da totalidade de componentes.
O vocábulo designa também o ponto de partida para a intelicção divina que gera as razões de todas as coisas na Razão única ou Logos.
O Un constitui o Princípio sem princípio da operação intelectual de Deus, representando o Intelecto paterno.
O Un apropriado ao
Pai define-se como Intelecto divin principalmente sob o aspecto da produtividade.
A distinção intelectual que pertence ao pensamento humano não deixa de ser verdadeira, embora as perfeições só se mostrem distintas na produção externa.
A diferenciação encontra fundamento em Deus na medida em que a realidade única é considerada sob razões distintas pelo Intelecto, surgindo como tais apenas fora do Un.
A coincidência entre identidade e diversidade no movimento da Vida só pode ser expressa através da imagem do borbulhamento no Intelecto divino.
As atribuições distintas respondent a algo verdadeiro em Deus pelo fato de a distinção mental receber um alcance real em uma doutrina que prega a indistinção absoluta na realidade.
Mestre
Eckhart acrescenta que nenhuma distinção pode existir ou ser compreendida no próprio Deus, mas as atribuições não são falsas por corresponderem a algo real.
Nenhuma atribuição mostra-se verdadeira ou falsa na substância, mas todas podem sê-lo no intelecto que conhece as coisas em seus princípios.
Deus identifica-se totalmente com o intelecto pelo fato de o princípio no qual conhece ser sua própria unidade.
Os conceitos distintos da mente humana encontrarão fundamento no Un-Intelecto que atua como princípio da ação manifestadora.
A distinção de pensamento em Mestre
Eckhart adquire um sentido que se poderia chamar de real, não constituindo um testemunho de infelicidade da mente.
O princípio da diferenciação encontra-se totalmente do lado de Deus por ser Ele inteiramente intelecto, embora os atributos sejam por parte do nosso intelecto.
Mestre
Eckhart afirma com o Doutor angélico que as denominações não são sinônimas por significarem conceituações diversas da mente, embora o faça por outras razões.
A possibilidade de atribuir nomes múltiplos à Causa primeira baseia-se na relação da totalidade de componentes com o Un como princípio que determina a causalidade.
Nada do que se situa fora de Deus é plenamente ser, configurando-se como ser e não ser pelo fato de todo ente particular receber um caráter de negatividade.
O ente particular define-se sempre pela negação de um certo ser que ele não possui, de modo que a negação convém apenas aos seres criados.
Mostra-se impossível negar o que quer que seja no Ser em si, sendo ilícito excluir de um gênero aquilo que lhe pertence por natureza.
Nenhuma negação ou elemento negativo convém a Deus, exceto a negação da negação que é significada pelo Un proferido negativamente.
Deus afirma-se em tudo o que existe sem se recusar a nada por não poder negar um certo ser sem incorrer na negação de Si mesmo.
Deus opera tudo em todas as coisas por não poder negar o nada, sendo rico por Si mesmo.
A definição da Causa primeira como rica por Si mesma fundamenta-se no princípio da negação da negação que é próprio do Un.
A negação do nada sob os aspectos do mal, do pecado ou da mentira encontrar-se-á na ação da Causa que confere as perfeições às criaturas.
A completude de gêneros e espécies corresponderá à plenitude do Ser divino que nega o não-ser naquilo que produz.
Essa propriedade do Un confere preeminência às afirmações na doutrina de Mestre
Eckhart a respeito das denominações divinas.
Eckhart pronuncia-se sobre o papel de afirmações e negações no discurso que visa atribuir as perfeições conhecidas nos efeitos à Causa primeira.
A afirmação é própria de Deus e dos elementos divinos na medida em que pertence ao ser, ao passo que a negação surge como alheia ao divino.
A afirmação contém o termo est que atua como o meio de todas as afirmativas, enquanto a negativa inclui o não ser.
O posicionamento de Denys a respeito de as negações serem verdadeiras e as afirmações serem desconexas não obsta o modelo por ser real no tocante ao modo de significar.
Nosso intelecto apreende a partir das criaturas as perfeições pertencentes ao ser, onde elas se mostram imperfeitas, diversas e dispersas.
É necessário considerar nessas proposições as próprias perfeições sinalizadas como a verdade, a bondade ou a vida, as quais surgem como conexas e verdadeiras.
Deve-se avaliar também o modo de significar, sob o qual as afirmações se mostram desconexas conforme apontava Denys.
O historiador não deve se deixar enganar pela aparência tomista do trecho.
O modus significandi impróprio que se deve negar na via de eminência não se identifica com o modelo de são Tomás.
É a multiplicidade, a diversidade e a divisão do criado calcadas na alteridade do efeito que devem ser superadas nos conceitos feitos para designar perfeições externas ao Un.
Essa doutrina é regida pelo mesmo relacionamento do Múltiplo com o Un que compreende a indistinção na Essência, a compenetração no Un e a diferenciação no nível criado.
As perfeições são verdadeiras na medida em que pertencem ao ser, mas seu modo de significar carrega a negação própria ao que não constitui plenamente o ser.
O intelecto só encontra perfeições imperfeitas e dispersas no nível do ser criado.
Cumpre negar as negações que as perfeições encerram em seu estado distinto ao atribuí-las a Deus, conduzindo-as à perfeição única do Un.
Alcança-se a conceituação da afirmação pura do nome omninominável que constitui a omni-unidade da onipotência que exclui apenas o nada das criaturas.
A via de eminência configura para Mestre
Eckhart uma redução à unidade de todas as perfeições conhecidas de forma distinta pela mente.
O método remete aos nomes reunidos de Maimônides formados por letras em que cada uma significa a substância sob a razão de uma perfeição e todas juntas elevam a mente a uma perfeição mais eminente.
A via de eminência unificadora conduz o intelecto ao conhecimento do Un que determina de forma mais imediata a Essência anônima de Deus.