Método pedagógico e relacional empregado por São
João da Cruz na transmissão destes ensinamentos.
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Prática de deixar a cada discípulo, especialmente às monjas carmelitas, uma sentença adequada ao seu progresso na virtude, a ser retida, recopiada e meditada até o próximo encontro.
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Testemunho do Padre Alonso sobre o uso deste método em Béas: as religiosas guardavam as sentenças em cadernos e as ruminavam durante a ausência do santo, que posteriormente lhes pedia contas dos progressos e corrigia negligências.
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Origem desta prática no período como confessor no Convento da Encarnação (1572-1577) e intensificação após a prisão de Toledo, durante sua direção espiritual em Béas (1578-1579).
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A instrução de ruminar o ensinamento, comparando o discípulo a uma pequena ovelha, sublinha a importância da memorização, da meditação contínua e da interiorização profunda.
Características formais e transmissão textual destas coleções.
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Natureza variada dos textos: máximas, avisos, sentenças, ensinamentos ou até breves orações, algumas extraídas de cartas ou tratados maiores.
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Preservação através de seis recompilações organizadas e transcritas pelas monjas carmelitas de Béas, Granada, Caravaca e Segóvia.
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Coleção mais preciosa e autêntica: o “pequeno tratado” dado a Francisca da Mãe de Deus, contendo as setenta e sete primeiras máximas, das quais o manuscrito de Andújar conserva o autógrafo de São João da Cruz.
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Relação entre esta coleção e o poema Cântico Espiritual: Francisca foi a religiosa cuja conversa sobre a Beleza de Deus inspirou as estrofes finais do poema, indicando um vínculo entre a direção pessoal e a criação poética.
Finalidade espiritual e modo de emprego destas sentenças, à luz da pedagogia sanjoanista.
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Não se tratam de receitas ou fórmulas mágicas, mas de instrumentos para entrar concretamente no querer de Deus, que é amor.
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Objetivo prático: ajudar o discípulo a sair de um impasse pessoal ou comunitário, percebendo uma saída luminosa, levando em conta seu caráter e tendências psicológicas.
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Modo de uso análogo ao do mantra oriental, mediante a repetição, visando a fixação na memória e a transformação progressiva do coração e da mente.
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Ensino originalmente personalizado, dirigido a uma pessoa específica em um momento concreto de sua história espiritual, mas cuja coerência com a mensagem global do mestre o torna aberto e libertador para todos.
Princípios hermenêuticos para a leitura e aplicação destas
Palavras de Luz e Amor.
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Evitar absolutizá-las ou isolá-las do conjunto da doutrina sanjoanista: são palavras de ocasião que visam um impacto salutar, um choque benéfico.
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Reconhecer nelas um germe do universal, pois carregam a mensagem evangélica que o mestre porta e deseja comunicar.
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Compreendê-las como chaves práticas que, meditadas e ruminadas, conduzem à oração e à transformação da vida cotidiana, rumo ao encontro definitivo com Deus.