I. A Transição Ontológica para a Noite Escura do Espírito e a Insuficiência das Vias Sensitivas
-
Necessidade da purificação passiva do espírito como um estágio ulterior, metafisicamente mais profundo e qualitativamente distinto da noite dos sentidos, visando despojar a alma de imperfeições arraigadas que a via meditativa, discursiva e imaginária é incapaz de erradicar.
-
Caracterização desta fase como uma influência divina direta, tenebrosa e amorosa sobre a alma, na qual a luz de Deus atua com tamanha intensidade que cega as potências naturais, sendo percebida subjetivamente como trevas, amargura e opressão insuportável.
-
Descrição do estado de desolação e secura absoluta onde todas as formas, figuras e objetos de meditação anteriores perdem sua eficácia e sentido, forçando a alma a uma recepção puramente passiva da infusão divina que transcende a percepção intelectual.
-
Ocorrência de uma purgação espiritual radical que ataca as raízes ontológicas dos vícios, do amor-próprio e das inclinações espirituais sutis, preparando a substância íntima da alma para a união transformante com o Criador através de um processo de aniquilação simbólica.
-
Reconhecimento da incapacidade do esforço próprio (via ativa) para alcançar a pureza necessária, exigindo que Deus tome a iniciativa de introduzir a alma nesta noite para realizar o que o homem, por suas próprias faculdades, jamais lograria.
-
Diferenciação entre a noite sensitiva, que afeta a parte inferior e apetitiva do homem, e a noite espiritual, que submete as potências superiores — entendimento, memória e vontade — a um rigoroso processo de esvaziamento e reorientação divina.