E não é de se admirar que nem todas as multidões que acreditaram em Jesus tenham testemunhado sua ressurreição, quando Paulo, escrevendo aos coríntios — a quem considera incapazes de compreender mais —, diz: “Pela minha parte, decidi não saber nada entre vós, senão Jesus Cristo, e este crucificado” (1Cor 2,2). O mesmo é o que diz esta outra passagem: “Porque ainda não éreis capazes, nem o sois ainda, pois ainda sois carnais” (1Cor 3,2-3). Assim, pois, a Escritura, que tudo faz com juízo divino, registrou a respeito de Jesus que, antes de sua paixão, ele se manifestava simplesmente a todos, embora nem sempre; mas, após a paixão, já não se manifestou assim, mas com certa seleção que dava a cada um o que lhe convinha. E assim como está escrito que Deus apareceu a Abraão (Gen 12,7), ou a algum dos santos (48, 3), mas essa aparição não era contínua, sim em intervalos e não era concedida a todos, assim deve-se entender que o Filho de Deus apareceu de maneira semelhante ao que se diz daqueles a quem Deus se apareceu.