O alegorista, também denominado físico, identifica os sinais claros da natureza refletidos nas palavras como em um espelho.
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Abr., parágrafo 60.
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Contempl., parágrafo 78, em paralelo com as Enéadas, IV 3, 30.
Há uma recusa voluntária em enxergar o jogo exercido pela palavra variado sobre o intérprete.
O autoimpedimento em perceber o próprio jogo justifica-se porque a conversão ao sentido figurado decorre da coação da própria letra, por meio de sinais fornecidos pelo legislador ou pela natureza.
O físico reconhece o chamado particular feito pelo legislador direcionado a ele, e não à multidão.
Constata-se a ausência de justificação a respeito desse processo de significação e sinalização.
É a partir dessa dinâmica sinalizadora que se projeta a transição em direção à filosofia.
A preservação da estratégia interpretativa ocorre mediante a decisão do alegorista de fundamentar essa significação na própria filosofia, fechando o ciclo.
Em intervenção no colóquio de Lyon, assinala-se o comportamento de Filo e Aristóbulo diante do texto sagrado.
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As anomalias, estranhezas, contradições e absurdos do sentido literal tornam-se mais chocantes e significativos da intenção alegórica quando tocam a natureza de Deus.
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O absurdo da acepção literal mostra-se suficiente para afastar o leitor do literalismo e orientá-lo para a alegoria.
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Jean Pépin, Teoria da exegese alegórica, Atas do colóquio sobre Filo, Lyon, 1966, Ed. do CNRS, Paris, 1967.
Aquilo considerado natural e suficiente pelo físico para migrar rumo à alegoria constitui o fator de interrupção para o pensador da letra.
A suposição de que Moisés deve ser entendido literalmente em Êxodo 22:25—26 e de que Deus manifesta preocupação por um manto recebe censura ou advertência.
O pensador da Letra, vinculado à Halachá, mantém a convicção de que a preocupação divina se dirige efetivamente ao manto.
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O procedimento divino de autolimitada pequenez é apontado como a condição que viabiliza a grandeza humana.
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O Talmud, tratado Baba Metzia 31b, 113b.
O alegorista realiza a seleção dos sementemas respaldado no conhecimento prévio sobre a natureza e sobre a essência de Deus.
O pensador da Letra preserva a integridade da letra sem acréscimos ou subtrações, permitindo que as estranhezas do texto desestabilizem continuamente o saber estabelecido sobre a divindade.
A pressa do alegorista confronta-se com a paciência fiel do literalista.
B. A mulher petrificada