A noção de meio dissimula o impasse e se torna o lugar das equívocas e da confusão entre Agar e Rachel, caracterizando a educação média.
A investigação sobre quem se situa nos confins do imortal e do mortal pelo lado masculino remete ao questionamento sobre as figuras bíblicas.
Enoque representa o arrependimento e foi arrebatado por Deus para fundar uma colônia distante da vida mortal, nas margens da vida imortal.
A oposição se estabelece entre Enoque, que foi agradável a Deus, e Abraão, que foi agradável diante de Deus.
Abraão combina o interior e o exterior, simbolizando a alma que se mantém pura interiormente para Deus e imaculada exteriormente para o mundo e a vida sensível.
Embora Enoque e Abraão pareçam se situar no mesmo ponto de articulação entre o mortal e o imortal, as duas figuras se opõem.
A resolução da oposição ocorre ao confundir as duas figuras na pessoa do sumo sacerdote, o qual, sendo o Logos, se assemelha ao homem perfeito no limite da natureza ingênita e da perecível.
A condição do sumo sacerdote ao entrar no Santo dos Santos indica que ele não é homem, conforme o Levítico, dezesseis, dezessete.
O sumo sacerdote não é Deus nem homem, mas sustenta os dois extremos.
Aaron é apresentado em outra perspectiva não como Perfeito, mas como aquele que progride moralmente.
Moisés situa Aaron na região intermediária entre os vivos e os mortos, definindo os vivos como os que vivem com sabedoria e os mortos como os que se alegram na loucura, conforme o livro de Números, dezessete, treze, que relata que ele se mantinha entre os mortos e os vivos e o flagelo diminuiu.
Fílon oscila entre dois pontos e dois meios, sendo um entre o céu e a terra, de onde procedem uma sabedoria e educação médias, e o segundo no meio do próprio céu, onde se restauraria a perfeição adâmica.
a. Adam: do céu à la terra
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O céu é criado no segundo dia da semana primordial, pois o dia Um é reservado ao lugar do Inteligível.
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O céu constituiu a primeira das partes do mundo sensível criado, sendo definido como o santuário mais puro da substância corpórea.
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A denominação de firmamento decorre de sua natureza corpórea, visto que o corpo é sólido por natureza.
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O termo ouranos é aplicado seja por ser o limite de tudo, seja por ser o primeiro dos seres visíveis.
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O limite do mundo e de Deus estabelece que o Adam criado—segundo—a—Imagem se aparenta ao céu, como uma espécie de céu reduzido.
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O limite impulsiona a ir além, de modo que o Adam, embora saído da terra, eleva—se para evoluir com o coro dos planetas e das estrelas fixas, assemelhando—se à alma do Fedro.
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A hesitação sobre o sentido do limite envolve a possibilidade de Adam ter sido criado como meio entre o céu e a terra, composto de corpo e alma.
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Fílon enfatiza a diferença radical existente entre o Adam—segundo—a—Imagem de Gênesis, um, vinte e sete, e o Adam—moldado de Gênesis, dois, sete.
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O Adam moldado também é caracterizado como limite da natureza mortal e da natureza imortal.
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A disparidade entre os dois Adam equivale àquela existente entre a Árvore da Vida, que representa a piedade voltada a Deus e imortaliza a alma, e a Árvore do Conhecimento, que significa a prudência média, estando ambas plantadas no meio do jardim.
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A noção de limite viabiliza a equivocidade necessária ao pensamento filoniano, permitindo conciliar os comentadores que defendem a existência de dois Adam ou de apenas um.
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O jogo conceitual gera oscilações sobre se o Adam—segundo—a—Imagem é o melhor dos corruptíveis ou se é incorruptível.
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O efeito decisif do equívoco manifesta—se em uma transformação sômantica estrutural.
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O Adam—segundo—a—Imagem foi criado inicialmente como masculino e feminino, com as espécies macho e fêmea contidas no gênero homem.
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A diferenciação altera o cenário ao estabelecer que o homem—moldado, composto de corpo e alma, é homem ou fêmea, enquanto o homem—segundo—a—Imagem não é nem macho nem fêmea.
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O gênero deixa de conter as espécies e passa a se opor ao indivíduo.
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A distinção absoluta entre o inteligível e o sensível aboliu a diferença entre o masculino e o feminino.
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O problema central de Fílon reside na diferença radical entre o primeiro homem e o segundo homem.
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O primeiro homem moldado surge da terra.
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A escolha divina recaiu sobre a melhor parte da terra, a mais pura da matéria pura.
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O corpo excelente do primeiro homem foi construído como um templo para a imagem divina mais semelhante a Deus que o homem deveria carregar em si.
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O primeiro homem segundo a Imagem, que também saía da terra, era igualmente portador da imagem divina.
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O pensamento atinge seu ponto limite na transição de um Adam ao outro com a noção de um corpo puro portador da Imagem.
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O primeiro homem se distingue do segundo e de todos os outros homens por sua origem direta.
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A diferença separa fundamentalmente o ato de criação do processo de nascimento.
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A geração atua entre a criação e o nascimento, promovendo o apagamento progressivo da beleza do primeiro homem ao longo do tempo.
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O primeiro homem é tratado como uma Ideia da qual os outros homens participam, resultando em uma degradação crescente a cada geração.
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A dinâmica levanta o questionamento sobre a impossibilidade da conversão e o motivo de se esquecer a parentesco com o primeiro Pai.
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Fílon é impelido a formular essas interrogações no desenvolvimento de seu movimento de pensar.
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Os descendentes que participam da ideia daquele homem conservam as marcas de seu parentesco com o primeiro Pai, ainda que de forma enfraquecida.
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O parentesco define o ponto limite do pensamento que confina com o mundo e com Deus.
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Todo homem se une intimamente ao Logos divino por sua inteligência, sendo uma marca, um fragmento e um reflexo da natureza bem-aventurada, e se une ao mundo inteiro pela constituição de seu corpo.
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Apenas a alma, e não o corpo, pode se situar no lugar da procissão—conversão.
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A restauração da beleza do corpo primordial não pode ser pensada, pois este carrega o peso das gerações e marca o distanciamento entre criação e nascimento, pertencendo ao devir da geração.
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O primeiro homem precisou experimentar o infortúnio, tendo a mulher como a origem de sua vida culpada.
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A matéria é implicitamente associada ao feminino, indicando que a terra, apesar de bela e pura no início, termina em decadência por sua condição de mulher.
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Adam assemelhava—se ao Unico, à mônada e ao mundo em sua unicidade antes da criação da mulher descrita no capítulo da Gênesis.
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Os caracteres das duas natures estavam impressos de forma implícita na alma de Adam.
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A criação da mulher tornou explícita a dualidade que antes estava oculta no primeiro homem.
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O retorno à Imagem exige a recuperação de uma inocência cega que esqueça o ventre da mulher e permita renascer para não mais nascer.
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O primeiro nascimento do homem é carnal, derivado de pais mortais, enquanto o segundo é simples, sem mistura, sem mãe e gerado apenas pelo pai do universo segundo a natureza do número sete sempre virgem, isto é, segundo a sabedoria.
b. Les intermédiaires