A segunda pericope da Escritura (Noé e o dilúvio) foi o ponto de partida da chamada crítica bíblica, devida a várias gerações de teólogos e sábios que chegaram a certas conclusões que declaram se impor à razão.
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A ciência dita bíblica começou com a Renascença, quando alguns homens das nações aprenderam hebraico para estudar o texto sagrado no original, mas seu objetivo era sempre o mesmo: adaptar o texto às suas ideias preconcebidas.
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Os biblistas buscavam a confirmação de suas opiniões e a verificação de suas crenças, enquanto a tradição vivia dentro da Escritura, que lhe entregava o que havia de único e eterno.
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Perguntaram-se se Deus havia ditado sua lei a Moisés e como ele poderia ter descrito sua própria morte; mais tarde, a Bíblia passou a ser considerada apenas um monumento literário.
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Um biblista percebeu que, recortando a história do dilúvio, podia obter duas versões do mesmo evento, concluindo que dois escritores diferentes a teriam redigido e um terceiro as fundido.
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A presença de dois nomes divinos no episódio (o Tetragrama e o nome comum “Deus”) foi usada como confirmação: o relato que usa o primeiro seria mais antigo e ingênuo, o outro mais recente e elaborado.
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O método foi estendido aos primeiros capítulos do Gênesis: os 33 primeiros versículos (1.1 a 2.3) usam “Deus”; a sequência até o fim do capítulo 3 usa “Senhor Deus”.
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A hipótese das duas fontes (mais engenhosa que sólida) foi logo condenada, dando lugar a outras teorias (dos fragmentos, dos complementos, das três fontes), cujo florescimento, divergências e extravagâncias provam sua fragilidade e puerilidade.
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A teoria dos fragmentos (recortes de relatos justapostos em ordem arbitrária) era puramente negativa e destrutiva, não deixando nada da Bíblia senão um amontoado de pedaços mal costurados.
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A hipótese dos complementos (um relato fundamental com complementos folclóricos acrescentados) foi considerada pior que as outras.
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A descoberta de três fontes (uma com o Tetragrama, duas com o outro nome divino) exigiu grandes justificativas, mas logo se considerou o termo “fontes” impróprio, preferindo-se “documentos”.