A Igreja-Esposa, ainda em marcha, já pode cantar o Cântico, mas sua ascensão final foi preparada pela história de Israel.
Israel, pré-Igreja, conquista a terra prometida através do deserto árduo e da luta contra o mal.
Este processo serve de tipo para a ascensão da alma, que só atinge seu termo por esforço laborioso e progressivo rumo à gnose.
Embora haja parentesco com a mística neoplatônica da contemplação divinizante, em Orígenes predomina o aspecto cristão da gnose.
Tese de Nygren (Erôs e Agapé) opõe o éros pagão (ascensão da criatura para Deus, baseada em autorrealização) à agapé cristã (dom de si, abaixamento por amor).
Nygren associa a imagem da escada da ascensão por graus sucessivos ao terreno do éros.
Orígenes, no entanto, afetivamente ligado a todas as subidas e gradações, alia perfeitamente éros e agapé em sua teologia.
Exemplo da verdadeira agapé: a parábola do Bom Samaritano, que esquece a si mesmo para cuidar do ferido.
A vida de Orígenes foi modelo deste agapé evangélico, que completa e supera o éros.
Sua mística é de ascensão ou assunção, operada pelo renunciamento total, pela descida com Cristo na humildade e subsequente subida para Deus.
Não é uma gnose egocêntrica, mas uma transformação, por Cristo, em agapé teocêntrica.