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Doutrina dos sentidos espirituais é esboçada por Orígenes, embora sem sistematização rígida.
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Sensações materiais são sombras de uma apreensão superior de objetos transcendentes (mistérios, Cristo, Pessoas divinas).
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Linguagem bíblica sensorial (gosto, odor, abraço, beijo) adquire intensidade máxima, podendo levar à embriaguez da alma.
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Orígenes remete a Provérbios 2:5, atribuindo a Salomão o conhecimento de dois tipos de sentido: mortal/corruptível e imortal/espiritual/divino.
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Enumera espécies do sentido divino: vista para o supra corpóreo, audição para vozes não aéreas, paladar para o pão vivo, olfato para o bom odor de Cristo, tato como o de João que apalpou o Verbo da vida.
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Base psicológica encontra-se na distinção neoplatônica entre psyche (alma) e noûs (espírito/inteligência).
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Noûs é o domínio da vida contemplativa (theória), do lógos e da gnose.
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Psykhé é o domínio da vida ativa (práxis) e da luta moral.
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A alma (psyche), por meio do noûs (imagem do Verbo nela), deve tornar-se Esposa do Logos.
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Paralelo entre trajetória da Igreja (purificação histórica para as núpcias com Cristo) e da alma (purificação ascética para as núpcias com o Verbo).
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Percepção plena dos sentidos espirituais só se manifesta no
perfeito (teleios).
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Antes da perfeição, revelam-se progressivamente, conduzindo a alma à contemplação.
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Sentidos espirituais são faculdades superiores do noûs, que permitem apreender realidades do espírito.
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Doutrina torna-se chave da mística origeniana, desenvolvida por discípulos como
Evágrio e Pseudo-Macário.