LILLA CLEMENTE FILOSOFIA

Salvatore Lilla — Clemente de Alexandria

A visão de Clemente sobre a origem e o valor da filosofia grega

Em um período no qual a maioria dos cristãos demonstravam uma hostilidade aberta para cultura grega, na Medida que a viam como produto direto do diabo e como a fonte das heresias, particularmente do Gnosticismo, Clemente foi o primeiro que corajosamente assumiu a tarefa de defender as realizações do pensamento grego contra os ataques de alguns membros da comunidade cristã à qual pertencia.

Ele estava perfeitamente consciente do fato que a religião na qual firmemente acreditava não poderia se tornar uma ciência, ou assumir a forma de um sistema filosófico, sem levar em conta os melhores produtos do pensamento grego.

Esta constatação é de muitos estudiosos de Clemente de Alexandria; existe uma vasta literatura sobre Clemente, onde este tema é tratado. Quem não quiser ler o Stromateis pode ler nestes estudos sobre Clemente, sua crença:

Dada estas posições comumente reconhecidas na obra de Clemente, resta alguns problemas sem solução satisfatória:

As soluções a estas questões, adotadas por Clemente, são substancialmente:

Porque ele sustenta o tópico do “roubo dos gregos”? É sua insistência devida somente a seu amor por erudição? Não poderia encontrar uma explicação no veemente ataque que um platonista não cristão do século II lançou contra a cristandade, e que forçou Clemente a tomar a defesa de sua própria religião? E, talvez mais importante: em desenvolvendo sua polêmica, Clemente se vale de ideias que são características de seu oponente?

Como pode a atitude de Clemente para com escolas filosóficas individuais ser explicada? Depende de sua fé cristã, que o permite JULGAR o que é certo e o que é errado em diferentes sistemas filosóficos? Não seria devido a educação filosófica que ele recebeu antes de se tornar cristão, e que desempenha tão importante papel mesmo depois de sua conversão ?

Porque ele as vezes parece falar como um “eclético”? Pode seu “ecleticismo” ser visto simplesmente com “cristão”? Pode ser reconhecido em uma doutrina na qual uma de suas explicações da origem da filosofia grega está baseada? Não é também um produto de sua formação cultural?

É possível estabelecer um tipo de paralelismo entre as função que, de acordo com Clemente, a filosofia grega realizou na história da humanidade e o papel que ainda desempenha na formação do cristão perfeito que deve alcançar a gnosis? Em outras palavras: é a relação entre filosofia grega e cristandade, na história, análoga à relação entre o estudo da filosofia por um lado, e a interpretação da Escritura e gnosis de outro?