===== SALVAÇÃO ===== //Alexandre Koyré — Místicos, espirituais e alquimistas do século XVI alemão// **Weigel e a salvação** * Nulla salus (nenhuma salvação) conserva ainda, segundo Weigel, um sentido aceitável. * Cf. V. Weigel, Dialogus de Christianismo, página 43. * Cf. V. Weigel, Dialogus de Christianismo, página 56. * Cf. V. Weigel, Soli Deo Gloria, Newenstadt, 1618, página 75: Pois que “a vontade não é mais livre por meio do pecado, como antes, mas sim cativa e amarrada pela criatura, como pode um homem atado desatar-se e soltar-se a si mesmo?”. * Cf. também Principal und Haupttractat... Newenstadt, 1618; § 19: “Também nenhum coração pode, por sua própria capacidade, inclinar-se ou dispor-se para Deus, mas Deus mesmo deve fazer todas as coisas em sua casa e templo”. * V. Weigel, Γνῶθι σεαυτόν I, livro II, página 9: “Assim também a melhoria, a restauração ou o novo nascimento por meio de Cristo deve ser realizado na vontade... E assim como o pecado e o mal acontecem pela aceitação da vontade própria, assim a reconciliação acontece pelo abandono da vontade própria”. * Cf. V. Weigel, Studium universale, capítulo VI, página E iv: “Em segundo lugar, mostra-se também a eterna, onisciente providência ou, predestinação ou eleição dos piedosos ou maus: que sem a vontade de Deus ninguém pode ser piedoso ou mau, bem-aventurado ou condenado, crente ou incrédulo... pois (Deus) é uma essência de todas as criaturas, uma luz e vida dos piedosos e dos maus, assim também uma vontade de todos os que querem, ele opera e faz todas as coisas, seja bom ou mau”. * V. Weigel, Dialogus de Christianismo, capítulo I, página 16: “A morte e o mérito de Cristo não são imputados a ninguém, a menos que ele tenha a morte de Cristo em si, a menos que seja batizado na mesma morte pelo batismo e seu velho corpo seja crucificado com Cristo; então vale a imputação, a saber, quando temos em nós a morte de Cristo, que é a nossa vida; se morremos com Ele, também ressuscitamos com Ele em sua vida”. * A doutrina de Weigel sobre a liberdade se inspira visivelmente na de Franck, bem como na dos místicos. * Cita com complacência Santo Agostinho para fazer ver que Deus não quis salvar o homem sem ele. * A liberdade desempenha um duplo papel: primeiro, é ela que explica a realidade da queda e do mal. * É ela também que explica a possibilidade do renascimento, pois ainda que seja Deus quem age, é necessário que a criatura lhe faça um lugar, e isso a criatura faz por si mesma. * Separa-se livremente de Deus, e livremente também se separa de si mesma. * Cf. V. Weigel, Ein Buchlein, dass Gott allein gut ist, s. l., 1618, página 202: “Não somente antes da queda a criatura tem o Bem e o Mal em si, mas também depois da queda”. * Ibidem, página 206: “Eu tinha em mim o Mal ocultamente, a má escuridão sem todo dano, e enquanto eu tinha o livre-arbítrio”. * Ibidem, capítulo XII, página 211: “Todas as criaturas não podem se mover nem ser fora de Deus, más e boas: Deus permanece um conceito e encerramento de todas as criaturas, mas com uma poderosa diferença”. * Cf. igualmente, Kurzer Bericht und Anleitung zur Teutschen Theologie, página 150: “Quando a criatura, segundo o ensinamento de Cristo, cai de si mesma... então o bem perfeito é encontrado, sentido, saboreado no fundamento interior da alma”.