===== 1 ===== //DA ELEIÇÃO E DA GRAÇA// ===== Da Vontade Única de Deus e da Introdução de Sua Essência em Sua Revelação. O que é o Deus Único. ===== * A manifestação divina ao povo de Israel por meio de Moisés ocorreu de forma clara e sensível para que a vontade de Deus pudesse ser ouvida e compreendida pela criatura. * Manifestação a partir da invisibilidade, incompreensibilidade e inacessibilidade. * Pronunciamento da frase: Eu sou o Senhor, teu Deus. * O mandamento divino estabelece a exclusividade do culto e da adoração a uma única divindade. * Declaração de ser um só Deus. * Proibição de prestar homenagem ou culto a outros deuses. * Referência aos textos de Êxodo 20:5 e Deuteronômio 6:4. * O texto bíblico descreve a divindade tanto por atributos de rigor quanto por características de extrema benevolência. * Descrição de Moisés sobre o Senhor Deus como um Deus de ira, de ciúme e um fogo devorador. * Descrição em outra passagem sobre Deus como um Deus de misericórdia, cujo espírito é uma chama de amor. * Referência ao texto de Deuteronômio 4:24—31. * As descrições das Escrituras Sagradas apresentam uma contradição aparente ao conciliar a imagem de um Deus de ira e fogo devorador com a de uma chama de amor. * Dualidade entre a severidade destruidora e a pura bondade. * Constatação de que a divindade só pode ser essencialmente boa para ser considerada o único soberano Bem. * A natureza intrínseca de Deus prescinde de definições conceituais humanas, polaridades ou atributos determináveis. * Impossibilidade de qualificar Deus propriamente como isto ou aquilo, bom ou mau. * Ausência de diferenças, distinções, natureza, criatura, afeição ou qualidades quando considerado em si mesmo. * A divindade não possui inclinação para o bem ou para o mal, visto que nada existe antes dela que possa orientar sua direção. * Inexistência de qualquer elemento anterior à divindade. * Ausência de inclinação ou tendência original. * Deus constitui a imensidão em si mesma, definindo-se como um espaço incompreensível, incomensurável e sem limites. * Caracterização como o Nada eterno. * Ausência de desejo, movimento, afeição ou vontade que direcione a divindade para a natureza ou para a criatura. * A divindade é identificada como o Ser único, sem anterioridade ou posterioridade que possibilite a formação de desejos ou vontades externas. * Inexistência de elementos externos para gerar ou motivar um desejo. * Impossibilidade de formação de vontade voltada para algo fora de si. * A criação inteira e o universo estão contidos em uma única e exclusiva vontade divina, que é simultaneamente o Nada e o Tudo. * Igualdade eterna de todas as coisas em Deus, sem começo, em peso, medida e termo iguais. * Deus é o Uno eterno, transcendendo as polaridades de luz, trevas, amor e ira. * Citação das palavras de Moisés: O Senhor é um só Deus. * Referência ao texto de Deuteronômio 6:4. * A vontade insondável e incompreensível do espaço infinito concentra-se e encontra-se em si mesma, gerando Deus de Deus. * Unicidade da vontade antes e depois de si mesma. * Definição dessa vontade única como o próprio Deus. * A vontade original e sem princípio gera em si mesma o soberano bem eterno na forma de uma vontade compreensível. * Identificação dessa segunda vontade como o Filho da vontade única e insondável. * Coeternidade entre a primeira vontade sem começo e a vontade compreensível gerada. * A segunda vontade coeterna representa a sensibilidade e a compreensibilidade da primeira vontade incompreensível. * Encontro do Nada eterno consigo mesmo em algo real. * Processo em que a vontade insondável procede desse algo eterno e introduz-se na contemplação eterna de si mesma. * A estrutura da trindade divina e as manifestações eternas são definidas por nomes específicos conforme as funções de sua vontade. * Denominação da vontade insondável como Pai Eterno. * Denominação da vontade concentrada e gerada como Filho único, sendo o ser do abismo onde o abismo constrói uma base. * Denominação do que procede do Pai pelo Filho como Espírito, responsável por fazer emanar a essência divina concentrada em forma de movimento e vida. * Definição do que é concentrado como o ápice do desejo, a plenitude da alegria e a perfeição do Nada eterno. * Identificação daquilo que se desenvolve na eternidade como a contemplação ou a Sabedoria eterna divina. * O Ser Supremo em Trindade habita em si mesmo de forma absoluta, sem depender de fundos, espaços, termos ou lugares externos. * Existência eterna em seu próprio engendramento, contemplação e Sabedoria. * Caracterização como uma única vontade, uma vida e um movimento sem desejo. * A essência divina carece de dimensões físicas ou temporais, embora esteja presente de maneira sutil e incompreensível em tudo. * Ausência de densidade, sutileza, altura, profundidade, espaço, termo ou tempo. * Atuação invisível e inacessível em todo o universo. * A ação do Deus eterno em si mesmo, fora da natureza e da criatura, assemelha-se à penetração universal da luz solar. * Analogia com os raios do sol que influenciam e fazem vegetar as coisas sem sofrer diminuição em sua luz e calor. * Localização divina no caos de sua própria concentração, na sua Sabedoria, fora de princípios, começos, tempos e lugares. * O Nada eterno concentra-se por meio de seu próprio olhar eterno, o que constitui sua contemplação e Sabedoria, sem que existam duas vontades opostas para o bem e para o mal. * Identificação do olhar interno com a sensibilidade e compreensibilidade. * Rejeição da ideia de uma vontade para o bem e outra para o mal na divindade. * A consideração da Divindade fora da natureza e da criatura revela apenas uma única vontade eterna que se contempla em sua Sabedoria infinita. * Concentração, encontro e emanação da vontade em si mesma. * Formação da ideia justa da Trindade de Deus a partir dessa contemplação. * A Sabedoria divina atua como o espelho e o princípio primordial de onde derivam todas as potências, cores e maravilhas do ser. * Representação e desenvolvimento de Deus por si mesmo em seu próprio espelho. * Presença de todas as virtudes em medida e peso iguais, sem qualidades ou propriedades divisivas. * Definição da Sabedoria como o primeiro princípio do Ser dos seres, um desejo de desenvolver o algo. * O impulso da Sabedoria divina para manifestar qualidades e propriedades provém exclusivamente da vontade única de Deus, sem causas externas anteriores. * Ausência de propriedades intrínsecas iniciais no doce ciúme da Sabedoria. * Inexistência de causa externa que produza as potências, virtudes e delícias divinas. * Produção dessas qualidades pelo próprio Deus ao introduzir-se na Trindade como uma concentração de si mesmo. * A imensidão incompreensível possui a si mesma na compreensibilidade e na sensibilidade, estabelecendo o assento onde Deus habita de forma indivisível. * Caracterização desse estado como indissolúvel, sem forma, imagem ou semelhança. * Ausência de elementos anteriores para efeito de comparação. * O centro da imensidão constitui a inteligência eterna da vontade original, estabelecendo uma relação mútua de identificação. * Inexistência de objetos anteriores para a vontade, exceto a própria primeira vontade eterna. * Concentração da primeira vontade exclusivamente no assento por ela formado. * A vontade eterna gera o assento da compreensibilidade em si mesma, definindo a relação de paternidade e filiação. * O Pai como o princípio de todo ser e origem do assento. * O Filho como o coração, o assento e a segunda vontade encontrada em si mesma. * A união entre o Pai e o Filho em um único assento existencial resulta na emanação do Espírito Santo a partir dessa concentração. * Unicidade de Deus em uma mesma vontade. * Identificação do Espírito Santo como aquilo que procede da referida concentração. * A vontade única da imensidão desenvolve-se em três efeitos distintos por meio de sua primeira concentração eterna, mantendo-se indivisível. * O Pai engendra o Filho como o assento onde a Divindade se encontra. * O Filho produz a compreensibilidade, que constitui a potência da Sabedoria divina. * Origem de todas as potências e virtudes da Sabedoria divina no Filho. * Unidade das potências em uma única força universal e essência indissolúvel. * A primeira vontade eterna exala a potência universal do seu assento para gerar o movimento e a vida divina que caracterizam o Espírito de Deus. * Exalação do centro dos começos na sensibilidade e compreensibilidade. * Analogia com os raios solares que se espalham do centro de seu fogo mágico para manifestar virtude e poder. * Introdução da vontade incompreensível em um fundo compreensível e em movimento. * O Espírito de Deus definido como a terceira progressão, representando a operação e a vida na potência. * A quarta operação ocorre na potência exalada e manifesta-se como o jogo do Espírito de Deus na Sabedoria divina. * Interação do Espírito com as potências emanadas na Sabedoria divina. * Introdução dessas potências em diferentes formas de acordo com a ciência ou o desejo divino. * Criação de uma semelhança da potência geradora divina como uma modelação da Santíssima Trindade. * Definição dessa imagem representada como a alegria e o deleite da contemplação da Sabedoria divina. * A modelação mágica na Sabedoria divina não corresponde a uma criatura corpórea mensurável, mas representa o princípio espiritual da criação. * Caracterização do processo como um jogo da imaginação divina. * Definição da Magia como o início de toda a criação. * A verdadeira imagem de Deus pode ser concebida nessa concentração mágica, servindo de modelo para os anjos e para a alma humana. * Referência à afirmação de Moisés em Gênesis 1:27: Deus criou o homem à sua imagem. * Interpretação da imagem como a representação divina e espiritual onde tudo é Espírito. * Criação da alma como criatura em sua formação corpórea. * Criação dos anjos a partir da Sabedoria divina de acordo com a essência divina. * A demonstração sumária da divindade permite compreender o ser de Deus quando situado fora da natureza e da criatura. * Reiteração da frase de Moisés: Eu sou o Senhor teu Deus; eu sou um só Deus. * Apresentação do Santo Nome como Jeová, segundo a linguagem dos sentidos. * Introdução do engendramento divino em uma concentração de sua própria imagem a partir do nada em direção ao centro. * Representação simbólica do Uno eterno pela figura do número 1 inscrito em um triângulo. * Caráter puramente pedagógico da figura geométrica para auxiliar a reflexão da inteligência humana. * A concentração divina possui natureza infinita e indefinível em si mesma, assemelhando-se ao fluxo contínuo de ideias na inteligência do homem. * Ausência de dimensões espaciais, começos ou fins, exceto na introdução da criação pelo desejo divino. * Comparação com a formação imensurável de ideias sucessivas na mente humana. * Distinção de que as ideias humanas derivam majoritariamente da criatura terrestre e da inteligência astral, e não do princípio interior da Sabedoria divina. * Fora da natureza e da criatura, Deus possui estritamente uma única vontade, que consiste no ato de autogerar-se e doar-se. * O Deus Jeová engendra unicamente Deus em si mesmo. * Operação contínua como Pai, Filho e Espírito Santo na Sabedoria divina por meio da potência única. * A vontade de Deus assemelha-se à doação incondicional do sol, que transmite vida e virtude a todas as coisas por meio de seu desejo. * Penetração solar que faz germinar e vegetar tudo o que existe. * Caracterização de Deus como o único Soberano Bem, incapaz de doar algo diferente de si mesmo e do bem. * A divindade em si mesma representa a máxima doçura e humildade, estando totalmente alheia às polaridades do bem e do mal. * Ausência de afecções boas ou más na presença divina, por ser o início de toda vontade e essência boas. * Impossibilidade de penetração do mal até a divindade. * Definição de Deus como um nada para todas as coisas situadas após ele. * Atributos de doçura, beneficência e profunda humildade espiritual. * Existência como um sentimento de Amor e gosto pelo Bem do Amor no doce engendramento. * Percepção harmoniosa de tudo o que é bom. * Todos os sentidos divinos operam em perfeita concórdia e harmonia no âmbito do jogo da Sabedoria e do Espírito Santo. * Inadequação dos termos Deus de ira ou Deus de misericórdia nesse estado, pela ausência de causas externas que motivem tais reações. * Definição de Deus como o próprio amor verdadeiro que se gera em Trindade. * A primeira vontade eterna e insondável ama o Filho por este constituir o coração e o assento da manifestação de sua própria potência. * O Filho como a concentração encontrada e a potência compreensível do Pai. * Analogia entre o amor da alma pelo corpo e o amor da vontade concentrada do Pai por seu corpo espiritual. * O Filho definido como o Algo divino no qual o Nada eterno ganha existência. * O Filho personifica a doce humildade da vontade paterna e atua como a expressão e manifestação plena de todos os sentidos divinos. * Dependência existencial do Filho em relação ao Pai. * Definição do Filho como o ápice do desejo, alegria e deleite do Pai por realizar o toque, o gosto, o olfato, a audição e a visão paternas. * Peso igual de todos os sentidos na Divindade, sem diferenciações internas. * Origem dos sentidos diferenciados no princípio da Natureza, por onde as qualidades e propriedades são separadas. * O Espírito Santo é identificado como uma chama de amor divino que confere movimento e vida às potências do Pai e do Filho. * Procedência da potência do Pai e do Filho. * Atuação como formador, produtor e condutor no desejo que se processa na Sabedoria divina. * O texto exorta a humanidade a atentar para as verdades profundas da unidade divina contra as ilusões causadas pelo espírito de Babel. * Alerta contra o obscurecimento promovido pelas trevas e pelas astúcias de Satanás. * Esclarecimento de que o Deus único não quer nem pode praticar o mal. * Afirmação de que a existência de uma vontade má e de uma vontade boa em Deus implicaria contradição e divisão interna. * Necessidade de uma causa externa anterior para justificar tal contrariedade. * A inexistência de fatores anteriores a Deus impede que a divindade seja movida ou incitada por qualquer elemento externo. * Rejeição da possibilidade de algo mover a divindade, pois esse fator seria anterior e superior a ela. * Consequente divisão interna e necessidade de um começo para o elemento motor. * O Ser Divino Supremo habita unicamente em si mesmo, independente de coordenadas espaciais ou moradas limitadas. * Transcendência em relação a começos, princípios, tempos e lugares. * Afirmação de que a exclusão da Natureza e da Criatura revela Deus como o todo. * A exclusão da palavra formada permite ver o Verbo eterno falante proferido pelo Pai no Filho. * Revelação da Sabedoria divina e de sua contemplação oculta na Natureza. * O diálogo aborda a dificuldade humana em conceber a divindade sem o recurso a imagens e sem a percepção do bem e do mal. * Objeção do interlocutor sobre a impossibilidade de anular a Natureza e a Criatura sem reduzir a si mesmo ao nada. * Necessidade humana de modelar a divindade por meio de imagens. * Constatação do bem e do mal no próprio indivíduo e nas demais criaturas. * A proibição divina de criar imagens adverte sobre a natureza não circunscrita de Deus e orienta sua busca para o interior do homem. * Citação da ordem dada a Moisés: Tu não deves te fazer nenhuma imagem do único Deus, nem no céu, nem na terra, nem nas águas, nem em nenhuma coisa. * Recusa de um lugar fixo ou de uma imagem representativa para a divindade. * Orientação para buscar Deus no Verbo formado e proferido no coração humano. * Citação do texto bíblico: O Verbo ou a palavra está perto, na tua boca e no teu coração. * Referência ao texto de Romanos 10:8. * O caminho mais curto e seguro para alcançar a divindade exige a renúncia do homem a si mesmo, às próprias vontades e às ilusões do amor-próprio. * Exigência de morte para o ego e abandono de disputas internas. * Eliminação das falsas imagens impressas pelo amor-próprio. * Abandono de desejos particulares, opiniões e movimentos próprios. * Entrega absoluta à vontade do Eterno Un e ao puro amor divino introduzido após a queda pela encarnação de Cristo. * Encerramento com a fórmula: Assim seja. * O detalhamento teológico visa instruir o leitor sobre a unidade da vontade divina e a origem da distinção entre o bem e o mal. * Esclarecimento de que não há dupla vontade (boa e má) no Deus único fora da natureza e da criatura. * Orientação para limpar a imaginação das representações criaturais ao meditar sobre a Vontade e o Verbo eternos. * Explicação sobre a razão de Deus ser denominado um Deus de ira e inveja em relação ao mal. * Fixação da atenção na natureza eterna como o Verbo formado e manifestado, e na natureza temporal que rege o mundo terrestre. * O plano de exposição seguinte propõe esclarecer a separação de qualidades na potência divina e a origem da contrariedade nas criaturas. * Promessa de fornecer ideias claras sobre o verbo de Deus proferido de suas potências. * Investigação da origem das diferentes qualidades da Natureza e das vontades boa e má. * Análise da necessidade da diferenciação que distingue Deus da Natureza. * Demonstração de como as coisas se articulam na cadeia de inevitabilidade e necessidade. * Explicação sobre o surgimento do mal, da contrariedade e da perversidade no âmbito da criatura.