===== Nomen Innominabile ===== //Vladimir Lossky. Théologie négative et connaissance de Dieu chez Maitre Eckhart. Paris: Vrin, 1960// * O recurso de não escolher um nome para designar um Deus que não pode ser conhecido sem uma margem de ignorância pertence a todas as teognosias que admitem a apófase, seja para superá-la em uma epistemologia teológica, seja para transformá-la no caminho para um além de todo conhecimento. * Embora o Deus inefável constitua o terreno comum de quem reservou espaço para a via das negações no pensamento religioso, há tantas inefabilidades quantas teologias negativas existem. * O Inefável de Plotino difere daquele do pseudo-Denys, que por sua vez se distingue do Inefável de santo Agostinho. * O Inefável de são Tomás de Aquino também precisa ser diferenciado dos demais. * A ideia que um teólogo possui sobre a inefabilidade de Deus determina o papel que o momento apofático desempenha em seu pensamento. * O estudo sobre a ideia de Deus em Mestre Eckhart e sua teologia negativa correspondente inicia-se pelo tema da busca do Inefável. * A negação implica uma busca, caracterizada como uma investigação na qual ocorre a obrigação de rejeitar sucessivamente tudo o que pode ser encontrado e nomeado, negando por fim a própria investigação por envolver a ideia do que é procurado. * As obras alemãs e latinas de Mestre Eckhart insistem na inefabilidade divina ao declarar que Deus é indicível, que ninguém pode falar Dele e que Ele está além de todo nome ou sem nome. * Não se encontra um nome adequado para Deus, e a tentativa de nomeá-lo resultaria em um rebaixamento de sua divindade. * Deus é definido como uma negação de todos os nomes. * A inteligência, em um sermão alemão tradicionalmente atribuído a Eckhart, recusa-se a aceitar um Deus que se deixa designar por um nome, buscando ingressar onde Ele não possui denominação. * A inteligência aspira por algo mais nobre e melhor do que Deus, na medida em que Ele tenha um nome. * O que pode ser designado por um nome não é Deus quando se pensa na divindade. * O repúdio aos nomes divinos atinge o nível máximo, porém, a busca pelo Inominável constitui a procura por um nome, nem que seja para designar Deus pela inefabilidade que o distingue de tudo o que é nomeável. * A indagação sobre a busca do nome de Deus manifesta-se no questionamento feito a Jacó, que desejava a revelação do nome divino. * A frase bíblica interroga o motivo de se perguntar pelo nome. * Ao comentar a passagem do Gênesis, Eckhart adota uma fórmula do livro dos Juízes que questiona a procura pelo nome, qualificando-o como admirável. * O Mestre aplica operações gramaticais ao texto sagrado para extrair as interpretações possíveis, conforme os métodos hermenêuticos da época. * A primeira leitura estabelece que não se deve buscar o nome por ele ser o Admirable. * Ocorre uma concordância com os textos bíblicos dos Salmos e de Isaías sobre o nome admirável. * A segunda leitura associa a busca do nome admirável à expressão Aquele que é ou o que é. * Eckhart relaciona a frase ao texto do Êxodo sobre o Deus que é, preferindo manter-se no registro da elevação negativa em vez de preencher o nome com a plenitude do Ser. * A terceira maneira de ler o texto apresenta o paradoxo de um nome que é espantoso por estar acima de todo nome, estabelecendo concordância com a epístola aos Filipenses. * O caráter sublime do nome o torna inefável, exigindo a união de termos contraditórios expressa na fórmula do nome inominável. * Santo Agostinho apontou esse paradoxo do Inefável como uma aporia, visto que o inefável deixa de sê-lo quando se diz algo ao nomeá-lo dessa forma. * O silêncio é considerado preferível para evitar o combate verbal antes que se tente acalmá-lo pelas palavras. * Mestre Eckhart afasta-se da verdadeira intenção de santo Agostinho ao citar a passagem do De doctrina christiana. * O bispo de Hipona pretendia reduzir ao absurdo a inefabilidade de Deus interpretada em sentido absoluto. * Santo Agostinho renuncia à acepção absoluta do termo inefável para reservar a ele um sentido relativizado, indicando que as palavras humanas não convêm à excelência da natureza divina. * A limitação prudente da apófase direciona a teologia para a via eminentiae, onde as negações afastam as imperfeições do entendimento humano em vez de excluir a noção positiva da natureza divina. * Mestre Eckhart não rejeitou a utilização da via das negações que encontrou expressão clássica em são Tomás de Aquino. * O dominicano turingiano aprova e se refere a essa concepção da apófase, mas admite simultaneamente outra acepção da teologia negativa em que a inefabilidade de Deus guarda um sentido absoluto. * Eckhart preserva o alcance do termo inefável no texto analisado. * A citação truncada de Agostinho serve para enfatizar o paradoxo da inefabilidade, sem a intenção de renunciar ao conflito verbal. * O teólogo alemão não se intimidou com a aporia assinalada por santo Agostinho e reconheceu o próprio gosto por expressões paradoxais. * O conflito verbal foi fixado por Eckhart na definição contraditória do nome inominável. * A quarta leitura proposta por Mestre Eckhart acentua o caráter objetivo da inefabilidade divina, apontando que é espantoso buscar o nome de quem é inominável. * A investigação não encontra o nome de uma realidade que não pode ser nomeada e cuja natureza consiste em ser escondida. * O profeta Isaías afirmou que Tu és o Deus escondido. * A ambiguidade do nome inominável permite duas traduções para a fórmula eckhartiana sobre a natureza do ser escondido, dependendo do valor verbal ou substantivo atribuído ao termo esse. * A primeira interpretação traduz a frase como o nome Daquele cuja natureza é a de estar oculto. * O Deus escondido permanece como tal devido à própria natureza que deve ficar inaparente, mantendo a atitude da apófase que rejeita expressões positivas. * A segunda interpretação adota o termo esse como substantivo e traduz a frase como o nome Daquele cuja natureza é o Ser oculto. * O paradoxo encaminha para a doutrina do ser própria de Eckhart, na qual reside o fundamento da inefabilidade do Deus que é o Ser escondido por natureza. * O exame remete à segunda leitura do texto sagrado, onde o nome admirável recebia o sentido de o que é, identificado com o Deus do Êxodo. * A aproximação com a segunda interpretação permite afirmar que, se Deus pode ser nomeado Ser, é justamente como ser que Ele é um Deus escondido cujo verdadeiro nome escapa. * Mestre Eckhart afirma explicitamente em outra obra que Deus, sob a razão de ser e de essência, está como que dormindo e latente, escondido em si mesmo. * Deus não pode ser nomeado enquanto Ser. * O impulso apofático de Eckhart passa a ser guiado pela noção de ser como condição da inefabilidade divina, sem encontrar um limite intransponível para a busca do nome inominável. * O caminho em direção ao Deus desconhecido exige que o sujeito que busca retorne a si mesmo, pois Deus não é exterior a quem procura seu nome sob a razão de ser. * A última modificação da quarta leitura do texto afirma ser espantoso buscar fora o nome de Quem não está no exterior, mas na profundidade íntima. * Mestre Eckhart cita a exortação de santo Agostinho para não ir para fora e retornar a si mesmo, pois a verdade habita no homem interior. * Deus e a Verdade habitam no homem interior e não podem ser alcançados por quem os procura externamente. * O Ser oculto permanece inefável enquanto Ser, mas não é estranho a quem o busca. * O acesso ao mistério do nome inominável exige um retorno para si mesmo, configurando uma instase em direção à intimidade do ser, em vez de uma êxtase. ** A ORIGEM DO NOMEN INNOMINABILE ** * Santo Agostinho é a única autoridade teológica invocada por Eckhart no trecho do primeiro comentário sobre o Gênesis, sendo citado para manter o paradoxo do inefável e para interiorizar a busca apofática. * A primeira citação contraria a intenção original de Agostinho, que buscava uma abertura para o conhecimento positivo de Deus. * A segunda citação visa interiorizar o caminho até o Deus escondido. * A intenção de santo Agostinho difere daquela manifestada por Mestre Eckhart. * O pai da teologia ocidental recomenda o retorno a si mesmo para direcionar a razão humana a Deus como Verdade imutável e fonte de iluminação intelectual. * Mestre Eckhart proíbe a busca externa para atingir Deus no plano do ser, como Ser oculto. * Santo Agostinho propõe que o homem se transcenda ao entrar nas profundezas do homem interior para encontrar a Verdade de onde se acende a luz da inteligência. * A Verdade alcançada deve ser distinguida do próprio homem, confessando que não se é o que ela é. * Mestre Eckhart limita—se a notar o caráter íntimo da presença de Deus que o sujeito não encontra fora de si. * O mestre dominicano utiliza santo Agostinho para fundamentar o recolhimento interior, mas permanece em um caminho sem promessa de término, focado no inefável e no oculto, enquanto o bispo de Hipona se orienta para um fim preciso. * A citação de santo Agostinho feita por Eckhart não fornece a chave para compreender o problema que ocupava o dominicano ao comentar o texto do Gênesis. * Outra autoridade patrística não citada por Mestre Eckhart pode ser reconhecida por trás do comentário bíblico. * O oxímoro do nome inominável foi encontrado por Eckhart no primeiro capítulo do tratado sobre os Nomes Divinos de Denys. * Jean Scot Erigène e Jean Sarrazin apresentam a mesma versão latina que reúne os termos de nome admirável, acima de todo nome e inominável. * Thomas Gallus omite o termo inominável, mas indica a referência bíblica da epístola aos Filipenses para o nome que está acima de todo nome. * O agrupamento dos textos da Escritura apresenta—se quase idêntico em Denys e em Mestre Eckhart. * A substituição do texto de Gênesis pelo de Juízes ocorreu porque o autor do tratado sobre os Nomes Divinos utilizou as palavras dirigidas a Manoé ao tratar do nome anônimo, em preferência à repreensão feita a Jacó. * A inspiração em um trecho de Denys explica a confusão cometida por Eckhart sobre as passagens bíblicas. * Mestre Eckhart comentava um texto dos Nomes Divinos em vez de se deter estritamente em um texto da Bíblia. ** ANONYMAT ET POLYNYMIE ** * Denys introduz o tema do nome inominável ao abordar as duas vias próprias da teologia. * A Tearquia suressencial pode ser louvada a partir de seus efeitos por ser a Causa de todos os seres aos quais confere a existência, embora permaneça desconhecida em si mesma. * Os autores sagrados exaltam a divindade como não tendo nome e como capaz de ser louvada por todos os nomes. * A exaltação de Deus como inominável ocorre quando as visões místicas mostram a Tearquia repreendendo quem perguntava pelo seu nome. * A resposta divina afasta o interlocutor do conhecimento nominativo ao declarar que o nome é maravilhoso. * O nome acima de todo nome é o nome sem nome, exaltado acima de qualquer denominação no século presente ou no futuro. * Os teólogos celebram Deus como possuidor de nomes múltiplos quando as Escrituras registram as expressões Eu sou Aquele que sou, a Vida, a Luz, Deus e a Verdade. * Outros nomes decorrentes dos efeitos da Causa divina são atribuídos a Deus, tais como Bom, Belo, Sábio, Amado, Deus dos deuses e Senhor dos senhores. * Denys conclui que Deus pode ser chamado de tudo o que é e de nada do que é. * A oposição entre a polinímia e o anonimato corresponde às duas vias contrárias da teologia baseadas nas posições e nas negações. * A via negativa é considerada mais perfeita por visar a natureza inefável e as uniões que prevalecem sobre as distinções ou procissões da Divindade. * A via positiva torna—se possível graças às virtudes e manifestações que geram a multiplicidade dos nomes divinos. * Thomas Gallus ampliou a frase de Denys aludindo a que todas as coisas existentes pertencem a Deus causalmente, mas nenhuma delas o define pela propriedade da substância. * O termo virtualmente seria mais fiel ao espírito de Denys do que causalmente, pois a causalidade na polinímia liga—se à manifestação de Deus em suas virtudes. * A causalidade implica uma presença reveladora de Deus em tudo o que produz, sendo inseparável da manifestação do Deus—Bonté. * O nome de Ser designa uma virtude manifestadora e uma procissão produtora de essências em todos os seres, em vez de indicar a Essência suressencial em si mesma. * Deus permanece fora de tudo o que é, segundo sua natureza inacessível, embora seja a Causa dos seres na medida em que se manifesta e se faz participar. * Pode—se afirmar que Deus não é, ou que está além de toda posição ou negação, situado acima da oposição entre o ser e o não—ser. * A conscientização dessa transcendência radical exige a superação de todas as manifestações divinas na existência. * A negação de todos os nomes aplica—se Daquele que é desconhecido e inominável. * O ser também deve ser negado para se atingir o Transcendente anônimo em uma ignorância superior a todo saber, visto que o nome do ser indica a Causa universal em sua primeira manifestação. * Denys considerava que Deus não havia entregado seu nome inominável na revelação do Êxodo, pois nenhum nome convém à natureza divina considerada além de toda procissão externa. * O nome do ser é o nome da Causa de tudo o que existe, figurando em primeiro lugar entre os nomes múltiplos com que as Escrituras honram a Deus em sua economia. * Mestre Eckhart tinha presente o texto do De Divinis nominibus ao comentar a passagem do Gênesis onde Deus recusa revelar seu nome. * A primeira via da elevação para a natureza indicível foi o único foco de interesse de Eckhart nesse momento. * Eckhart desconsiderou a questão dos nomes múltiplos para declarar com Denys que o nome situado acima de todo nome é inominável por não poder ser expresso. * O acordo entre os dois teólogos não é total devido à divergência quanto à razão da inefabilidade. * Denys apresenta Deus recusando o conhecimento nominativo para afastar o homem de tal pretensão. * O nome inominável equivale à ausência de nomes aplicáveis a Deus na transcendência absoluta de sua natureza. * O nome além dos nomes não constitui um nome, assim como o conhecimento que transcende os saberes constitui ignorância. * Mestre Eckhart mantém o nome inominável como um paradoxo fascinante que reforça mediante o uso de citações de santo Agostinho. * O caráter paradoxal reside no fato de que, mesmo estando além de todo nome, a designação continua sendo um nome. * A abordagem apofática de Eckhart revela uma atitude diferente daquela de Denys. * Eckhart espanta—se com a busca do nome de algo inominável, mas fundamenta a inefabilidade em termos opostos aos de Denys. * Denys explicaria a inefabilidade porque Deus em sua natureza suressencial transcende tudo o que é e o próprio ser. * Eckhart responde que Deus é inefável porque sua natureza é o Ser oculto. * Deus é incognoscível precisamente enquanto ser, sob a razão de ser. * A apófase de Denys eleva—se até a exclusão do ser para atingir a natureza anônima, enquanto a de Mestre Eckhart inclui o ser na noção negativa e faz do esse o fundamento da inefabilidade divina. ** ESSE INNOMINABILE ** * O comentário de são Tomás de Aquino ao texto de Denys constitui outra fonte teológica utilizada por Eckhart em sua exposição. * Mestre Eckhart considerava o comentário de são Tomás ao tratar do nome inominável em seu trabalho sobre o Gênesis. * A comparação entre os textos evidencia por que o teólogo alemão substituiu a autoridade do capítulo trinta e dois do Gênesis por um texto do livro dos Juízes citado por Denys. * São Tomás cometeu o mesmo erro antes de Mestre Eckhart ao comentar o trecho de Denys sobre o Inominável. * O Aquinate fornece uma referência falsa ao indicar o Gênesis após reproduzir o texto de Juízes. * A referência ao capítulo dois da epístola aos Filipenses em Eckhart também pode ter sido sugerida pelo comentário de são Tomás. * É possível que Mestre Eckhart tenha utilizado a Expositio super Dionysium de são Tomás em vez do texto direto de Denys para comentar o Gênesis. * A conclusão de são Tomás ao trecho de Denys sobre o anonimato e a polinímia auxilia na compreensão do sentido de ser oculto em Mestre Eckhart. * São Tomás afirma que as outras existências são atribuídas a Deus como à sua causa, e nenhuma delas o define porque Ele supera todas as coisas. * O ser inominável convém a Deus por existir acima de tudo, enquanto os nomes das coisas existentes lhe pertencem por ser a causa de todas. * Os nomes dos existentes convêm a Deus como sua Causa, mas Deus é o Ser inominável quando considerado em si mesmo por estar acima de tudo. * A inefabilidade que convém a Deus por estar segregado de todas as coisas não exclui o ser na visão de são Tomás. * O acréscimo do substantivo Ser ao termo Inominável de Denys funciona como uma correção prudente de são Tomás à apófase dionisiana. * A correção foi introduzida conscientemente porque o texto de Denys permitia interpretações que retiravam o caráter existencial da noção de Deus. * Tomás de Aquino percebia que a ontologia dos escritos areopagitas gerava conclusões contrárias à doutrina do ser que ele defendia. * Na Suma Teológica, são Tomás formula a objeção de que o intelecto criado só conhece os existentes, pois o ser é o primeiro objeto da apreensão. * A objeção baseada em Denys aponta que Deus não é um existente, situando—se acima do inteligível. * A resposta de são Tomás contesta uma ontologia e uma noética que lhe pareciam inaceitáveis. * O Aquinate afirma que falar de Deus como não—existente não significa privação de existência, mas indica que Ele está acima de todo existente por ser seu próprio exister. * Deus não é absolutamente incognoscível, mas excede o conhecimento humano ao permanecer incompreensível. * Las perspectivas de la apófase dionisiana são invertidas por são Tomás ao estabelecer que Deus excede o conhecimento justamente por ser o Exister mesmo ou o Ser puro. * A relação da criatura com o Criador possibilita o conhecimento de Deus pela via da analogia, pois Deus transcende o ser criado na linha existencial. * A analogia não fornece uma intelecção do ser divino como tal, mas estabelece Deus como princípio de inteligibilidade dos seres criados. * O ser é atribuído primeiramente e de modo próprio a Deus, que existe por si mesmo. * O impulso apofático de Denys é conduzido por são Tomás para a via da eminência, direcionando os conhecimentos do ser criado para o Princípio universal. * O intelecto criado só pode conhecer o ser determinado por uma essência através de suas forças naturais. * O ato de exister que atualiza a essência encontra seu limite nessa mesma actualização, onde o ser recebe o nome de um existente determinado. * O ato puro de exister é idêntico à sua essência, permanecendo indeterminável e incapaz de ser nomeado pelo que é. * O nome Quem é apresenta—se como o mais adequado por designar Aquele que é seu próprio exister sem determiná—lo. * O nome Quem é possui caráter analógico por não ser unívoco com o ser comum, embora seja o mais próprio por derivar do conceito menos determinado. * O nome não designa propriamente a natureza de Deus em si mesma. * São Tomás evita o erro de identificar o Ser de Deus com o ser universal que constitui a base das criaturas. * O ser que Deus é não admite acréscimos, distinguindo—se de todo ser pela sua própria pureza. * Deus permanece inefável enquanto seu próprio exister por estar separado dos seres cujo ato de exister é determinado por uma essência. * São Tomás transformou o Inominável de Denys em Ser inominável em seu comentário. * Mestre Eckhart localiza a razão pela qual Deus escapa a toda denominação na noção de Ser oculto, após tentar identificar o nome admirável com o Quem é e se deter diante do nome inominável. * O dominicano turingiano seguiu a autoridade de são Tomás ao estabelecer o ser como a razão da inefabilidade divina, afastando—se da apófase dionisiana. * Eckhart expressa em um sermão latino que Deus é inominável para os homens devido à infinidade de todo o ser Nele. * Todo conceito e nome humano importa em algo designado e limitado. * As afirmações eckhartianas alinham—se à mesma escola de são Tomás, mesmo apresentando um tom distinto das expressões doutrinais do tomismo. ** ECKHART E TOMÁS ** * Mestre Eckhart mantém conformidade com as grandes linhas do pensamento de são Tomás ao conferir à apófase dionisiana um foco na pureza absoluta do Ser divino. * O Ser divino é incognoscível por não ser determinado pela essência. * Diversos textos das obras latinas e alemãs de Eckhart poderiam ilustrar o caráter tomista de sua doutrina do ser. * A verificação de fórmulas isoladas pode não ser suficiente para a análise de um historiador da filosofia. * Os fatos indicam que Mestre Eckhart citava são Tomás com frequência e recorria à sua autoridade para defender a ortodoxia de sua doutrina contra acusações. * O dominicano alemão buscava exprimir sua doutrina do ser por meio dos termos formulados por são Tomás. * Não há elementos para negar a sinceridade de Mestre Eckhart quando este se reportava a são Tomás. * Eckhart de Hochheim não se assemelhava a autores esotéricos que ocultavam heresias sob a aparência de ortodoxia tomada de terceiros. * O dominicano de Turingia estimava que não professava outra doutrina do ser além daquela defendida por são Tomás. * A tarefa crítica mostra—se delicada por ser incorreto concluir tanto pelo caráter estritamente tomista da obra de Eckhart quanto pela sua separação total em relação ao tomismo. * Trabalhos especializados elaboram concordâncias textuais para classificar Mestre Eckhart como um tomista ortodoxo. * A avaliação baseada no confronto rígido com o tomismo gera uma desvalorização da doutrina de Eckhart em outros críticos. * Denifle e o padre Théry consideravam Mestre Eckhart um mau tomista que expressava o ensinamento da ordem de modo imperfeito e sem compreensão profunda. * A originalidade de Eckhart consistiria apenas no uso de expressões paradoxais para apresentar o pensamento do Doutor Angélico. * Os exageros do teólogo seriam atribuídos a um temperamento intelectual mal disciplinado e a um pensamento confuso. * Os textos tomistas de Mestre Eckhart não autorizam a dedução de que ele fosse apenas um intérprete, fiel ou imperfeito, da doutrina de Thomas d'Aquin. * A compreensão do sentido de uma doutrina exige o exame do espírito que a anima, não bastando a análise das fórmulas estáticas nas quais o pensamento tenta se expressar. * Sistemas filosóficos podem ser radicalmente distintos e empregar os mesmos termos e fórmulas, especialmente nas discussões sobre o ser. * Um pensador pode seguir um caminho próprio mesmo acreditando ser fiel ao pensamento de um mestre com o qual não deseja divergir. * Gilles de Roma professava uma distinção entre essência e existência diferente da de são Tomás, embora acreditasse defender a mesma doutrina do ser do mestre dominicano. * O exame de como dois filósofos abordam o mesmo problema e reagem diante da mesma dificuldade é mais útil do que a comparação de fórmulas isoladas. * As doutrinas revelam divergências profundas quando consideradas como pensamento em atividade, as quais passariam despercebidas sob fórmulas estáticas convencionais. * As fórmulas deixam de ser uniformes quando inseridas no contexto de um pensamento vivo, evidenciando distâncias entre doutrinas tidas como idênticas. * A ontologia de Mestre Eckhart pode se enquadrar nessa situação de distanciamento ocultado por fórmulas comuns. * A investigação deve observar Eckhart em atividade no exame do papel da apófase antes de defini—lo como discípulo de são Tomás. ** DUAS PRESENÇAS ÍNTIMAS ** * O trecho do primeiro comentário sobre o Gênesis que introduz o problema do conhecimento de Deus em Eckhart depende do texto de Denys comentado por são Tomás. * O Deus inominável cuja natureza é o Ser oculto não se identifica com o Anônimo de Denys, aproximando—se do Ser inominável de são Tomás. * A perspectiva de Eckhart diferencia—se da apófase que exclui o ser, situando—se no ponto em que Denys recebeu a correção de são Tomás. * Questiona—se se a inclusão do ser na noção anônima de Deus conduzirá a teologia de Eckhart para o mesmo caminho traçado pelo Doutor Angélico. * São Tomás estabeleceu a apófase dionisiana como a segunda etapa de um caminho de conhecimento que procede por causalidade, remoção e eminência. * A via remotionis purifica os conceitos ao negar o que limita seu sentido às realidades criadas, permitindo a predicação a respeito do Criador. * A apófase opera como um meio de transformar a afirmação simples em uma afirmação por eminência. * O método permite exaltar a incompreensibilidade do ser por si que excede os nomes, designando—o segundo algo que lhe convém prioritariamente como Causa. * A transformação do método negativo não exclui o ser de Deus. * A via da eminência pressupõe a relação existencial de analogia que une os seres criados ao ato puro de exister que é Deus. * A transformação tomista da apófase possui caráter existencial e analógico, permitindo falar de Deus como Ser eminente sem fixá—lo em conceitos unívocos ou equívocos. * O exame dos elementos negativos de Eckhart em diferentes contextos teológicos faz—se necessário antes de responder se ele transformou a apófase no mesmo sentido que são Thomas. * O foco inicial detém—se no traço da apófase eckhartiana que indica o movimento da negação diante da noção de ser. * O texto sobre o nome inominável expõe a marcha da reflexão negativa do dominicano alemão perante o conceito de ser. * A modificação final consiste na interiorização do percurso apofático em direção ao Inefável. * Eckhart convida a buscar o nome inominável Daquele cuja natureza é o ser oculto no interior do próprio homem, por não se tratar de um Deus exterior. * As palavras de santo Agostinho sobre a habitação da Verdade no homem interior remetem a passagens relativas à intimidade da presença divina na alma. * Agostinho afirma que Deus estava mais interno que seu próprio interior e mais elevado que seu ponto mais alto. * Eckhart associa esses textos agostinianos para tratar de uma presença de Deus no segredo mais íntimo e supremo da alma. * Santo Agostinho busca a presença da Verdade imutável além da alma mutável, enquanto Mestre Eckhart direciona a busca para as profundezas íntimas a fim de atingir Deus sob a razão do ser. * O ser é o elemento íntimo ao homem interior na visão de Eckhart, campo no qual se deve buscar o Deus que permanece oculto por ser Ser. * A transposição dos textos de Agostinho feita pelo dominicano aproxima—se de trechos de são Tomás sobre a intimidade do ser. * O Aquinate escreve que o ser é o que há de mais íntimo e profundo em cada coisa, de modo que Deus está em todas as coisas intimamente. * A fusão dessas duas noções de presença íntima levanta questionamentos sobre sua aceitação dentro da doutrina do ser de são Tomás. * A presença íntima de Deus em todas as coisas como Causa primeira exige a relação de analogia entre as criaturas e o Criador na perspectiva tomista. * A relação de analogia permite transformar a apófase em via de eminência para falar da Causa transcendente a partir de seus efeitos. * O tomismo não pressupõe um retorno a si mesmo para a elevação até a incognoscibilidade do Ser Subsistente, pois a especulação não abandona os limites da teologia natural. * A metafísica cristã identifica no interior das substances aristotélicas um ato primeiro que é o ato de exister, mais íntimo a cada coisa do que aquilo que determina seu ser. * A operação do Criador deve ser concebida como um ato puro não determinado ou como seu próprio Exister. * O Deus incognoscível em seu Ser por si situa—se fora do campo da especulação que o estabelece por eminência a partir da existência criada, mesmo sendo o Deus da experiência mística. * A ignorância professada pelo metafísico constitui o reconhecimento dos limites do entendimento humano, não possuindo caráter místico. * A busca do Ser oculto nas profundezas da alma empreendida por Mestre Eckhart sinaliza uma tentativa de transformar a teologia natural de são Tomás em mística. ** VINHO DE CANAÃ ** * A tentativa de converter a teologia natural em mística seria contrária ao espírito do tomismo ortodoxo. * Caso o dominicano professasse a mesma doutrina do ser que são Tomás, o raciocínio indicaria que o homem pode se conscientizar da raiz existencial que o une a Deus a partir de seu próprio exister de criatura. * Esse caminho que se direciona do exterior para o superior através do interior pertence à tradição plotiniana cristianizada por santo Agostinho, não sendo de caráter tomista. * Mestre Eckhart recorre à autoridade de Agostinho para transferir a presença íntima da operação existencial do plano metafísico para o plano espiritual e psicológico. * Eckhart busca atingir a região trans—psíquica no segredo da alma onde Deus está sempre presente. * Santo Agostinho exorta a caminhar em direção à origem da luz da razão no recolhimento interior. * O bom raciocinador atinge a Verdade. * O recolhimento faz alcançar a estabilidade da memória de Deus e a certeza da presença do Mestre Interior como fonte de iluminação. * A habitação da Verdade no homem interior supõe uma participação no Verbo, mas a iluminação agostiniana constitui uma condição natural do conhecimento, sem pertencer à ordem da graça. * Conhecer racionalmente em Deus difere de conhecer a Deus em um raptus mentis na obra de santo Agostinho. * O retorno a si mesmo indicado no De vera religione representa uma tomada de consciência intelectual da Fonte do verdadeiro, não sendo uma via mística. * Mestre Eckhart não foi o primeiro a interpretar o conselho de retorno como um chamado para o encontro místico com Deus no fundo da alma. * Eckhart caminha com santo Agostinho para as profundezas da consciência, mas busca a imanência do ipsum esse em vez da presença da Verdade imutável transcendente. * O dominicano aceita com são Tomás que Deus cria o exister ao estar presente nos seres, mas confere um sentido subjetivo a essa relação existencial. * Eckhart busca o Deus oculto imanente no fundo da consciência pessoal, em vez de manter o princípio metafísico de transcendência baseada nos efeitos. * Mestre Eckhart unificou as duas presenças íntimas — a condição noética de Agostinho e o princípio metafísico de Tomás — na única presença do Ser oculto na alma. * O amálgama foi realizado por considerar como fim a ser atingido o que os outros dois teólogos definiam como condição de conhecimento ou de existência. * Eckhart afasta—se dos dois teólogos ao reuni—los no plano de uma mística que busca expressar por meio de termos da teologia especulativa. * A busca do nome inominável interioriza—se porque Deus está presente no homem interior como fonte da existência criada, sendo inefável por ser Ser. * O comentário de Eckhart ao Evangelho de são João sobre o milagre de Cana confirma a orientação de sua análise. * O texto analisa a declaração do arquitriclino ao esposo sobre a preservação do bom vinho até aquele momento. * O esposo que guardou ou ocultou o bom vinho significa Deus na sexta interpretação proposta por Eckhart. * O vinho representa o ser, que se mostra bom externamente nas essências criadas distintas, mas só é puro no interior como ser íntimo e efeito ocultado por Deus. * A criatura está fora e Deus está no interior mais íntimo de tudo. * O efeito próprio de Deus é o ser íntimo a todas as coisas. * Santo Agostinho é evocado para afirmar que apenas Deus penetra na alma. * Deus penetra nas essências de tudo, enquanto a essência criada permanece fora e distinta em relação às outras. * O esposo representa Deus que guarda o bem como latente e escondido, em correspondência ao Deus escondido de Isaías e à treva de Moisés no Sinai. * Mestre Eckhart inicia a exposição apontando o ser íntimo como um efeito próprio de Deus, de modo semelhante ao procedimento de são Tomás. * O ser íntimo passa a ser identificado linhas depois com o próprio ser de Deus que se mantém oculto nas essências criadas onde confere a existência. * O Ser secreto designa o próprio Deus escondido em si mesmo enquanto ser e essência, devendo ser buscado na treva do Sinai. * Eckhart confere ao ser um sentido místico ligado ao ser inefável de Deus na profundidade da alma, encoberto pelas determinações da essência. * A investigação apofática não exclui o ser porque seu mistério se resolve em Deus, sendo Deus o próprio Ser na primeira tese do Opus Propositionum. * O mestre trata da operação divina no segredo da alma em um sermão latino fundamentado na epístola aos Filipenses. * A obra boa inicia—se por uma descida de Deus em que Ele se encontra obscurecido e conclui—se na subida para a clareza do Ser puro. * Algo íntimo à alma não recebe elementos corporais por ser dedicado exclusivamente a Deus, conforme santo Agostinho. * Deus opera a obra boa nesse âmbito. * A descida divina gera um obscurecimento no termo, mas a perfeição realiza—se ao ascender no ser clarificado até a origem, purificado de acréscimos. * A obra boa constitui uma operação reta e não dividida na natureza inferior. * Os dias antigos representam os dias da luz intelectual e da eternidade onde a perfeição se cumpre. * A operação íntima de Deus manifesta—se como desviada ou dividida quando desce em direção à natureza inferior e à limitação do que é. * A operação revela—se em sua perfeição purificada de aditamentos quando o homem abandona o que é para retornar à origem do ser. * A operação identifica—se com o próprio ser divino nesse estágio. * A obra divina nas criaturas é sem começo por ser realizada na eternidade onde o operar de Deus se identifica com seu exister. * O homem interior situa—se na eternidade e não no tempo ou no espaço. * O ser oculto é duplo por estar dissimulado no segredo eterno da alma e por se encontrar obscurecido pelas determinações essenciais quando desce para o que é. * A inefabilidade do Ser divino estende—se para o exister das criaturas na visão de Mestre Eckhart, gerando uma região unívoca de ser oculto por trás das essências. * O ser não pode ser conhecido nas essências criadas por se apresentar desviado, assim como é incognoscível em Deus pela sua pureza absoluta. * A tentativa de tratar do ser de Deus e do ser das essências criadas simultaneamente resulta em equívoco. * A criatura situa—se fora e Deus situa—se no interior íntimo. ** MÍSTICO OU DIALÉTICO ** * De repente, percebemos que a doutrina do ser de Eckhart distancia—se daquela elaborada por são Tomás. * O desenvolvimento revela uma ontologia diferente que desafia a manutenção do vocabulário existencial de são Tomás para caracterizar o pensamento do dominicano turingiano. * Eckhart parece ter separado totalmente a essência e a existência nas criaturas, tornando equívoco o sentido de um ato de existir particular destinado a atualizar uma essência distinta. * A diversidade existencial e a riqueza do ser criado defendidas por são Tomás apresentam—se distantes dessa ontologia. * Mestre Eckhart concebe uma separação rígida entre essência e existência no interior de cada ser criado. * O ser constitui uma esfera fechada no reduto íntimo dos existentes onde nenhum elemento criado pode ingressar. * A situação corresponde à imagem da porta fechada da Casa de Deus na visão do profeta Ezequiel. * A verdadeira existência localiza—se no interior na totalidade do ser oculto, enquanto a permanência externa na singularidade não confere o ser verdadeiro. * O ser assume sentido unívoco ou equívoco, indicando que Eckhart possuía uma concepção diferente sobre a analogia dos entes, embora se reportasse a são Tomás. * O ser secreto definido por Eckhart não corresponde ao ser inominável de são Tomás de Aquino. * O ser inominável de são Tomás pertence a um Deus transcendente que pode ser abordado pela via da eminência sem cair na equivocidade ou na univocidade. * O ser oculto de Mestre Eckhart fundamenta a inefabilidade de um Deus cuja natureza consiste em ser sempre e apenas interno e no íntimo. * O ser imanente e secreto determina que o homem só existe verdadeiramente nas suas próprias profundezas. * Os seres criados são inefáveis quanto ao seu verdadeiro ser por estarem no íntimo de modo semelhante a Deus. * Todas as coisas estão em Deus e nenhuma está totalmente fora Dele. * A resposta sobre a identidade entre o ser oculto de Deus e o ser secreto das criaturas não se resolve por uma afirmação ou negação simples. * Para o ser criado, ser no sentido próprio significa ser em Deus e no interior secreto de si mesmo na região do ser oculto. * A obra boa que Deus realiza no homem interior abrange tanto a criação pela comunicação do ser quanto a consumação das criaturas na união com Deus. * O começo e o fim identificam—se na operação de Deus que criou tudo em si mesmo na eternidade. * O homem interior sintoniza com Deus na eternidade por não pertencer ao tempo. * O verdadeiro ser das criaturas para Eckhart resume—se ao seu ser em Deus. * O filósofo aborda o ser em um plano místico onde a existência e a graça constituem a mesma operação divina no segredo da alma. * O ser oculto representa uma noção mística do ser aplicável a Deus e ao fundo secreto da criatura. * Eckhart recorre a uma teologia especulativa para desenvolver a doutrina do ser através de posições contraditórias que alternam a negação entre Deus e a criatura. * A coexistência do místico e do dialético na pessoa de Mestre Eckhart constitui um elemento natural. * A tentativa de optar exclusivamente entre o perfil místico ou o dialético estabelece uma falsa alternativa. * Críticas externas definiam Eckhart como um espírito abstrato e dialético em detrimento de uma natureza intuitiva. * A intuição mística e a reflexão dialética ligam—se em um espírito voltado para uma realidade metalógica situada além da oposição entre Criador e criatura. * O caráter místico da intuição inicial do ser exigia a expressão por meio da dialética para traduzir a noção no campo de uma doutrina teológica. * A articulação dialética impunha—se para um pensamento religioso baseado na proposição de que o Ser é Deus. * A dialética é empregada sempre que se aborda a relação entre o ser de Deus e os seres criados. * A apófase assume nessa dinâmica uma feição distinta da busca pelo nome inominável. * O dominicano retoma a via da apófase interiorizada quando retorna à intuição de apreender indistintamente o Ser—Deus e o ser em Deus no reduto da alma. * A via da remoção não constitui apenas uma operação intelectual de liberação do ser, configurando uma via de abstração e despojamento espiritual. * O homem destacado atinge Deus na profundidade inacessível ao renunciar à própria busca, comungando com a divindade no dia da eternidade. ** IGNORÂNCIA DE DEUS E DE SI MESMO ** * A investigação do nome inominável conduz ao mistério do ser oculto dissimulado no interior do homem. * O resultado não coincide com a noção de um Deus anônimo transcendente ao ser, nem com uma apófase que resulte na imanência simples do ser divino. * O nível visado pelo pensamento supera a oposição entre transcendente e imanente ou entre Deus e criatura. * A dinâmica configura uma apófase da não—oposição e da não—distinção que mantém o ser para excluir apenas a distinção. * A neutralização da oposição exige incluir a definição do distinto e do indistinto de forma mútua. * A dialética é silenciada pela supressão da busca através de uma entrada na transcendência imanente no fundo da não—coincidência de Deus e de si mesmo. * O término de um sermão alemão sobre o homem nobre resume a concepção de Eckhart a respeito da apófase ao suprimir a busca do Inefável. * O princípio não possui outra razão além do fim, onde se confere repouso ao que é dotado de razão. * O fim último do ser constitui a treva ou a não—cognição da divindade oculta onde a luz brilha sem ser compreendida. * Moisés apresenta o Deus sem nome que é a negação de todos os nomes e nunca teve denominação. * O profeta identifica o Deus escondido no fundo da alma, sendo o fundo de Deus e o fundo da alma o mesmo fundo. * A busca intensa reduz o encontro, exigindo que se procure de modo a não encontrar para que a descoberta ocorra fora da busca.