===== PEDRO DAMASCENO ===== [[philokalia:start|Philokalia]] — [[philokalia:philokalia-autores:pedro-damasceno:start|Pedro Damasceno]] [[philokalia:philokalia-autores:nicodemos-hagiorita:start|Nicodemos o Hagiorita]] identifica [[biblia:figuras:nt-personagens:discipulos:pedro:start|Pedro]] Damasceno com Pedro, bispo de Damasco no final do século VIII. Entretanto os dois manuscritos utilizados na Philokalia contradizem indicando um autor do século XII e outro do século XI. Além do que o Pedro Damasceno, incluído na Philokalia por Nicodemos, refere-se a [[philokalia:philokalia-autores:simeao-metafrastes:start|Simeão Metafrastes]] que viveu na segunda metade do século X. Por outro lado, este Pedro parece não ter sido tocado pela obra de Simeão o Novo Teólogo, que anta repercussão teve no século XI. Deste modo deve-se situar este Pedro Damasceno no século XI antes da irradiação da obra de Simeão, embora continue-se sem saber quem foi este Padre. A Philokalia reúne uma coletânea de meditações sobre a ascese, sobre o sentido das beatitudes, sobre as virtudes ([[philokalia:philokalia-termos:arete:start|arete]]) e as contemplações ([[philokalia:philokalia-termos:theoria:start|theoria]]) espirituais. O segundo trabalho é uma coleção de vinte quatro meditações sobre as virtudes (arete). O cerne da obra está na exposição das oito gnoses (contemplações) dadas no primeiro livro. Segundo a tradução inglesa da Philokalia a obra de Pedro ocupa mais espaço na Philokalia que a de qualquer outro autor, com exceção à obra de [[philokalia:philokalia-autores:maximo-o-confessor:start|Máximo o Confessor]]. Embora nada de seguro se saiba sobre Pedro de Damasco, supõe-se que a s indicações dos compiladores da Philokalia, não correspondem ao autor que deve ser de alguns séculos além. Trata-se certamente de um monge escrevendo para outros monges, onde seu tratamento do monasticismo indica três tipos a considerar: "obediência corporal" em uma comunidade inteiramente organizada; a vida eremítica ([[philokalia:philokalia-termos:koinobion:start|koinobion]]); e o caminho semi-eremita ou intermediário, onde dois ou três monges perseguem uma "vida de silêncio", juntos em um kellion, considerando este um "caminho real". Considera-se este último tipo de monasticismo o que Pedro adotou, até porque quase não fala dos aspectos sociais e comunais da vocação monástica, pouco sobre visitantes, hospitalidade ou serviços litúrgicos. Ele efetivamente se preocupa com a ascese ([[philokalia:philokalia-termos:askesis:start|askesis]]) pessoal e a [[oracao:start|oração]] ([[philokalia:philokalia-termos:euche:start|euche]]) do hesicasta ([[philokalia:philokalia-termos:hesychia:start|hesychia]]) individual; além do mais, não trata da situação daquele que está inteiramente solitário, pois sempre se refere ao "irmão". Logo no início oferece indicações das razões que o levaram a compor esta obra, incentivado por amigos devotos e se atendo a tudo que pode ler em termos de [[biblia:start|Bíblia]] e Patrística. Suas fontes mais citadas são [[ate-agostinho:basilio:start|Basílio]] e João [[ate-agostinho:crisostomo:start|Crisóstomo]], em seguida João Clímaco, Isaac de Nínive, os [[philokalia:philokalia-deserto:apotegmas:start|Apotegmas]], [[philokalia:philokalia-autores:joao-damasceno:start|João Damasceno]] e [[ate-agostinho:gnazianzo:start|Gregório de Nazianzo]]. Apesar das poucas referências a Máximo o Confessor e [[philokalia:philokalia-autores:evagrio:start|Evágrio]], sua obra pertence a esta linhagem da tradição cristã. Sua obra não é sistemática, embora construa vários esquemas — as virtudes (arete) cardiais, os oito pensamentos ([[philokalia:philokalia-termos:logismos:start|logismos]]) maus ([[philokalia:philokalia-termos:kakon:start|kakon]]), as sete ações ([[philokalia:philokalia-termos:praktike:start|praktike]]) corporais, os oito estágios de contemplação (theoria) —, existem muitas digressões, repetições e mudanças abruptas de temas. O Livro Dois, com seus Vinte e quatro Discursos correspondendo às vinte e quatro letras do alfabeto grego, guarda uma estrutura mais coerente do que o Livro Um, embora ao final se perca um pouco. Os títulos das seções nem sempre refletem seu conteúdo, o que não desqualifica em nada o que se apresenta, valorizado por muitos de seus leitores, que o consideram uma espécie de recapitulação da santa vigilância ([[philokalia:philokalia-termos:nepsis:start|nepsis]])... um círculo dentro de um círculo, uma Philokalia concentrada dentro da mais extensa Philokalia, como dizia Nicodemos Hagiorita. Embora escrevendo para monges, ele insiste que a salvação e o conhecimento espiritual estão ao alcance de todos; a oração (euche) contínua é possível em todas as situações sem exceção. Enquanto enfatiza o esforço ascético (askesis) do lado humano, nunca subestima a suprema importância da ajuda divina: tudo que temos é um dom da graça ([[philokalia:philokalia-termos:kharis:start|kharis]]) de [[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]]. Lágrimas, compunção, pesar ([[philokalia:philokalia-termos:penthos:start|penthos]]) são muito mencionados, especialmente nos três primeiros estágios da contemplação, mas a nota predominante é a da esperança ([[philokalia:philokalia-termos:elpis:start|elpis]]). Como muitos de seus predecessores pedro é reservado no tocante a sonhos e visões. Prefere, como Evágrio, recomendar uma oração (euche) sem imagens — "pura" oração do intelecto, em um nível acima do pensamento discursivo ([[philokalia:philokalia-termos:dianoia:start|dianoia]]). Segue Marcos o Asceta defendendo uma meditação vívida e detalhada da [[evangelho-de-jesus:encarnacao:start|encarnação]] e particularmente da [[evangelho-de-jesus:paixao:start|paixão]] de [[biblia:figuras:nt-personagens:cristo:start|Cristo]]. Embora mencionando as palavras "Senhor, tende piedade" ([[philokalia:philokalia-suplementos:kyrie-eleison:start|Kyrie Eleison]]), não se refere a [[philokalia:philokalia-suplementos:kyrie-eleison:oracao-de-jesus:start|Oração de Jesus]]. Muitas vezes chama a atenção para a necessidade de direção espiritual. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}