===== Pesquisa ===== //Henri-Charles Puech. Sulle tracce della Gnosis. Ι. La Gnosis e il tempo. II. Sul Vangelo secondo Tommaso. Milano: Adelphi, 1985// * 1952—1953 * A gnose é definida como conhecimento salvador, mas essa definição só se torna adequada quando se reconhece nela um tipo específico de religiosidade orientado pela salvação individual. * O termo gnosis é entendido como “conhecimento” em sentido absoluto. * A gnose é apresentada como ciência libertadora, saber que traz consigo a salvação e que é salvação por si mesmo. * O gnosticismo abrange doutrinas e atitudes religiosas fundadas na teoria ou na experiência da obtenção da salvação mediante a Conhecimento. * A definição inicial permanece insuficiente enquanto não se esclarece que tipo de conhecimento salva, por que salva e de que modo salva quem o possui. * A coerência do fenômeno gnóstico aparece apesar da diversidade histórica de suas manifestações. * A gnose deve ser considerada fenômeno específico e geral da História das religiões. * O campo da investigação sobre a gnose exige delimitação metodológica porque reúne movimentos muito diversos, mas relativamente articulados no tempo e no espaço. * Entre os movimentos incluídos aparecem os gnosticismos cristãos heterodoxos, as gnoses pagãs ou externas ao cristianismo, o mandeísmo, o hermetismo, os Oracula chaldaica, os uiri noui mencionados por Arnóbio, os papiros mágicos gregos e o maniqueísmo. * Também são considerados, em parte, priscilianismo, paulicianismo, bogomilismo, catarismo medieval, magia, astrologia, alquimia, Clemente Alexandrino, Orígenes, Evágrio Pôntico, a Cabala e correntes pregnósticas ou gnostizantes do judaísmo. * Sistemas teosóficos ou esotéricos ligados ao Islã, ao Extremo Oriente e à Europa moderna são anexados apenas a título informativo. * E. de Faye, R. P. Casey e A. D. Nock são mencionados como críticos da generalização do termo gnose. * A objeção principal sustenta que haveria apenas gnosticismos diversos, unidos no máximo por afinidades vagas ou relações históricas particulares. * A ampliação moderna do termo gnose decorre do próprio progresso da pesquisa e da descoberta do caráter gnóstico de sistemas religiosos cada vez mais numerosos. * A noção de gnose passa de sentido restrito, ligado à heresia cristã, para sentido amplo, pertencente à História geral das religiões. * Harnack, seus continuadores, K. Kessler, W. Brandt, W. Anz, R. Reitzenstein e W. Bousset são mencionados como etapas importantes nessa evolução. * As gnoses cristãs heterodoxas deixam de ser tratadas apenas como heresias internas ao cristianismo. * A gnose cristã passa a ser entendida como resultado do encontro entre o cristianismo e uma corrente anterior ou estranha a ele. * A gnose pode assumir formas cristãs, pagãs, orientais, mistéricas, filosóficas ou ocultistas. * A abordagem comparatista foi decisiva para a pesquisa, mas a fenomenologia da gnose deve superar a explicação mecânica por elementos históricos justapostos. * A Religionsgeschichtliche Schule contribuiu ao ampliar o horizonte do problema gnóstico. * W. Anz e W. Bousset são mencionados por tentarem explicar a formação dos sistemas gnósticos pela combinação de elementos compostos. * A redução do todo à soma das partes compromete a percepção da unidade e da especificidade da atitude gnóstica. * O comparatismo tende a dissolver a gnose no sincretismo helenístico e oriental. * A pesquisa histórica não conseguiu determinar de modo indiscutível uma data, um lugar de origem e uma evolução linear do gnosticismo. * A fenomenologia da gnose busca compreender o fenômeno em sua estrutura total, em suas conexões internas e em sua experiência espiritual subjacente. * H. Jonas, K. Kerenyi e G. Quispel são mencionados como estudiosos que trataram o problema sob novo perfil fenomenológico. * G. van der Leeuw é citado pela noção de fenômeno como realidade significativamente ordenada. * W. Bousset é reconhecido como precursor de um esboço fenomenológico da gnose. * A investigação fenomenológica suspende provisoriamente a explicação puramente histórica para apreender a essência do fenômeno. * A gnose é considerada estilo de vida, comportamento concreto e existencial, não apenas sistema especulativo ou mítico. * A antropologia, a soteriologia, o vocabulário técnico, as palavras-chave e as expressões líricas tornam-se decisivos para a análise. * A gnose se apresenta como experiência interior de iluminação, regeneração e divinização pela qual o homem recupera a verdade de si mesmo. * A análise considera termos como gnosis, epignosis, gignoskein, gnorizein, epigignoskein, agnosia, agnoia e agnoein, bem como equivalentes latinos, hebraicos, aramaicos, mandeus, iranianos, coptas e provençais. * Os objetos da gnose incluem Deus, o homem, a alegria, os mistérios, as profundidades, os nomes e todas as coisas. * A gnose pode ser simbolizada por piedade, fé, intelecção, iluminação, visão, carisma e caminho. * O homem iluminado recorda sua natureza, retoma consciência de si e reconhece sua origem autêntica. * O gnóstico conhece Deus, reconhece-se em Deus e descobre-se emanado de Deus e estranho ao mundo. * A posse do verdadeiro eu fornece a explicação do destino e a certeza definitiva da salvação. * 1953—1954 * As definições gnósticas explicitam a gnose como resposta global ao interrogatório do homem sobre sua origem, sua condição presente e seu destino. * Os documentos analisados incluem textos valentinianos, os Excerpta ex Theodoto, o Evangelho da Verdade, santo Irineu, os Atos de Tomé, os peratas, os naassenos, o maniqueísmo, Fortunato, santo Agostinho, a carta de Mani à virgem Menoch, o Corpus Hermeticum, o mandeísmo e o sabeísmo. * As perguntas fundamentais são traduzidas como: “De onde vim?”, “Onde estou?” e “Para onde vou?” * As mesmas perguntas podem ser formuladas como: “Que era eu?”, “Que sou eu?” e “Que serei?” * A gnose revela passado, presente e futuro, mas sobretudo revela a natureza verdadeira e permanente do sujeito. * O gnóstico descobre que está no mundo sem pertencer ao mundo. * A salvação consiste em reconduzir a consciência à condição originária e definitiva. * A gnose não é conhecimento abstrato, mas revelação eficaz que responde à angústia existencial e encerra a situação de ignorância. * A revelação ilumina a consciência e torna clara a condição do homem no mundo. * A própria formulação das perguntas indica que o conhecimento já opera interiormente no sujeito. * A inquietação humana é transformada em caminho de salvação. * A gnose fornece resposta concreta às perguntas nascidas da angústia. * As fórmulas gnósticas pertencem a um gênero de perguntas e respostas, mas diferem dos paralelos iranianos, estoicos e neoplatônicos por sua estrutura cíclica e egocêntrica. * O Pand Namak i Zartust é mencionado como paralelo iraniano. * Cícero, Macróbio, estoicos e neoplatônicos são mencionados como fontes de comparação. * Porfírio, sobretudo no De abstinentia, oferece paralelos particularmente importantes. * A originalidade gnóstica está no papel central do eu atemporal e ontológico. * A nostalgia da situação inicial orienta a atitude e o pensamento gnósticos. * O mito maniqueísta dos Três Tempos, princípio, meio e fim, elabora em plano universal o mesmo esquema antropológico, cosmológico e soteriológico. * A condição humana aparece como problema fundamental da gnose porque o homem se percebe em situação insuportável e radicalmente marcada pelo mal. * Irineu, Epifânio, Tertuliano, Eusébio, Plotino, Tito de Bostra, santo Agostinho e são João Damasceno são mencionados como testemunhos convergentes. * A pergunta “Que é o mal?” conduz imediatamente à pergunta “De onde vem o mal?” e “Por que o mal?” * O mal é percebido antes como experiência sofrida do que como conceito abstrato. * A investigação sobre o mal tende a procurar um responsável. * Essa procura pode levar ao processo de Deus diante da consciência gnóstica. * A existência no mundo é sentida como queda, rejeição e estranhamento, sobretudo diante do corpo, da sexualidade, do nascimento, da doença e da morte. * Metódio de Olimpo, Adamâncio e santo Agostinho são mencionados como testemunhos da experiência do mal e de suas reações. * Valentinianos e mandeus são mencionados por expressarem a sensação de ter sido “lançado” no mundo. * A concepção, o nascimento, as doenças e a morte são percebidos como eventos da vida carnal marcados por repugnância. * A sexualidade recebe atenção especial como manifestação da prisão no mundo. * O problema do mal só encontra saída em uma teoria dualista. * O gnóstico tende a contrapor a Deus a Matéria ou um Princípio mau, ou a distinguir o Deus transcendente de um deus inferior criador do mundo e dos corpos. * 1954—1955 * A pergunta decisiva da consciência gnóstica é “Onde estou?”, pois dela nascem a explicação do mal, o desejo de evasão e a busca da salvação. * A situação presente é sentida como anormal, humilhante e dolorosa. * A pergunta traduzida aparece como: “Onde estou?” * A pergunta traduzida aparece também como: “Onde estamos?” * A pergunta traduzida aparece ainda como: “Que sou eu, ou que me tornei, aqui embaixo?” * A experiência de estar no mundo produz a necessidade de explicar a própria condição e sair dela. * A salvação é buscada como libertação do mal e evasão do mundo. * O corpo é progressivamente percebido como realidade estranha ao eu verdadeiro e como instrumento de violência contra a alma. * O Corpus Hermeticum é mencionado por comparar o corpo a veste, cadáver, túmulo, prisão, cadeia e laço. * O corpo também é comparado a companheiro indesejável, intruso, brigante, adversário, dragão devorador e mar tempestuoso. * A alma sofre a coexistência com a carne como estado violento. * O corpo força, amarra, escraviza e associa a alma a uma condição contrária à sua natureza. * O corpo introduz paixões, conflitos, perturbações e medo. * O corpo oprime a alma como peso, fardo, nó e escuridão, reduzindo-a ao esquecimento, à ignorância e à abjeção. * O corpo é sentido como massa pesada e inerte que envolve e arrasta para baixo. * A imagem do estrangulamento e da forca expressa a opressão exercida sobre a alma. * A presença corporal adormece, obscurece e mergulha o espírito na noite da inconsciência. * O corpo funciona como instrumento de humilhação, punição, servidão, sofrimento, esquecimento, inconsciência, ignorância e erro. * O estado da alma no corpo é resumido como desorientação, agnoia, anoia e abjeção. * O gnóstico reage ao corpo com ódio, desprezo e revolta. * O tempo é vivido como devir instável, enganoso e alienante, pois afasta o homem de Deus e de si mesmo. * O tempo aparece como mutabilidade perpétua, inconsistência, ilusão e mistificação. * A morte interrompe tragicamente a existência quando o curso é limitado a uma vida. * As reencarnações prolongam indefinidamente o drama quando o devir é concebido como série sem termo. * O tempo separa o homem de Deus e de seu verdadeiro eu. * O desprezo pelo tempo encobre terror, nostalgia e lamento. * O tempo possui origem deficiente e poder de escravização, pois nasce de uma queda fora do Pleroma e prende o homem ao destino. * Irineu e o Apócrifo de João são mencionados como textos sobre a origem e a essência do tempo. * O tempo nasce de uma deficiência, de uma dispersão no kenoma, a partir de uma realidade anterior una e íntegra no Pleroma. * O tempo é pseudo-realidade, mentira, mendacium, impostura e caricatura. * O Demiurgo ou outro poder mau, cosmokrator e chronokrator, exerce domínio por meio do tempo. * O tempo forma uma cadeia e aprisiona o destino humano. * A salvação é imaginada como reintegração fora do devir, na estabilidade do Pleroma, do Aion e do ser eterno. * O mundo é percebido por imagens de prisão, noite, águas tenebrosas, cloaca e deserto, que expressam a experiência gnóstica de ameaça e sufocamento. * Mandeus e maniqueus fornecem imagens especialmente vivas do mundo como fortaleza fechada e prisão. * O mundo é definido como caos confuso e caos amargo. * O kosmos é lugar de caducidade, incompletude e morte. * O mundo é julgado feio, horrendo e sem valor. * A aparente desordem do mundo não impede que o gnóstico se sinta submetido a uma tirania fatal imposta por potências maléficas. * A existência no mundo é sentida como catástrofe, tormento infernal, esquecimento e abandono. * Alguns textos identificam a existência neste mundo com tormento infernal. * A presença do mundo embriaga, adormece e obscurece o espírito. * O mundo é comparado a uma masmorra na qual o homem esquece a si mesmo e se sente esquecido. * O exílio e a solidão revelam a convicção de que o homem é estrangeiro no mundo. * Basílides formula o aforismo traduzido: “A angústia e a miséria acompanham a existência como a ferrugem cobre o ferro.” * A conclusão gnóstica afirma que o mundo é mau porque nele o homem está mal, e essa experiência conduz à descoberta de uma heterogeneidade entre o eu verdadeiro e o kosmos. * O mal é, antes de tudo, o fato de existir e de existir no mundo. * A consciência de estranheza indica que a natureza autêntica do homem é outra em relação à natureza do mundo. * A fórmula decisiva é traduzida como: “Estou no mundo, mas não sou do mundo.” * O mundo e a existência mundana são mistura violenta e anormal de duas naturezas inconciliáveis. * A questão do responsável pela criação do kosmos conduz ao problema dos dois deuses. * O Salvador não pode ser o Criador, pois quem é responsável pelo mundo e pelo mal não pode libertar do mundo e do mal. * 1955—1956 * O mal é inicialmente uma realidade concreta e afetiva, percebida em situações, acontecimentos e sofrimentos que tornam a existência presente insuportável. * O mal não começa como noção abstrata ou impessoal. * A experiência do mal recai sobre a existência pessoal dada no presente. * Fastios, fracassos, desgraças e sofrimentos despertam a reflexão sobre a condição humana. * A situação atual é posta em questão juntamente com as condições que a tornam má. * A existência é percebida como lançada, oprimida, prisioneira do corpo, do tempo e do mundo. * A tese de que o mundo é mau recebe confirmação em muitos textos gnósticos, embora o hermetismo apresente uma tensão interna entre otimismo cosmológico e pessimismo gnóstico. * O Corpus Hermeticum afirma em uma passagem que o mundo é obra, sede, fonte ou pleroma do mal. * O mesmo Corpus Hermeticum também proclama em outras passagens que o kosmos é bom, divino, deus ou pleroma da Vida. * A contradição é explicada pela distinção entre uma corrente hermética monista e otimista, ligada à religiosidade helênica, e uma corrente hermética dualista e pessimista, mais propriamente gnóstica. * O hermetismo filosófico conserva a noção de Deus cósmico. * O hermetismo gnóstico busca um Deus absolutamente transcendente e sem relação direta com o mundo. * As hesitações do hermetismo otimista mostram compromissos instáveis diante da tese gnóstica de que o mundo não pode ser verdadeiramente bom. * O Corpus Hermeticum declara que o mal tem lugar aqui embaixo, mas na terra e não no mundo. * O Corpus Hermeticum afirma que o mundo é belo, mas não bom. * O Corpus Hermeticum distingue o mundo como “não bom”, por ser mutável, e “não mau”, por ser imortal. * O kosmos é dito bom porque produz todas as coisas, mas não bom em todo o restante. * Essas exceções herméticas apenas matizam, sem anular, a conclusão geral sobre o pessimismo gnóstico. * A experiência gnóstica do mundo difere radicalmente da atitude cristã e estoica, pois não busca compromisso, ordem ou acordo com o kosmos. * A consciência cristã pode reconhecer o mundo como criação e ordem providencial, mesmo quando marcada pelo pecado. * A consciência estoica busca concordar com o mundo, seguir seu logos e ajustar-se à sua lei. * A atitude estoica envolve assentimento, confiança, obediência e acordo com o kosmos. * A atitude gnóstica recusa o mundo desde o princípio e desconfia dele por julgá-lo mau. * O gnóstico não procura situar-se no mundo, mas fora dele e em oposição a ele. * A salvação é concebida como desengajamento progressivo do mundo por meio do estranhamento, da separação e da saída do kosmos. * A primeira etapa consiste em tornar-se ou fazer-se estranho ao mundo, apallotriousthai. * A segunda etapa consiste em separar-se ou isolar-se do mundo, apokoptesthai e khoristhenai. * A terceira etapa consiste em sair do kosmos, diexodos, dieleusis, ginei abal e izgim. * A saída do mundo equivale praticamente ao passamento e à morte. * A condição do ser salvo é definida como ser fora do mundo. * O sentimento de estraneidade torna-se progressivamente uma afirmação ontológica de origem transmundana. * O mundo primeiro aparece como outro em sentido negativo, como aquilo no qual o eu sente dificuldade de existir. * A diferença entre o eu e o mundo torna-se estranheza, incoerência e inadequação substancial. * O eu se define antes dentro do mundo, depois contra o mundo e, por fim, fora do mundo. * A palavra “estranho” passa de sentido negativo a sentido relativo e, finalmente, a sentido absoluto e positivo. * A estraneidade passa a significar condição transmundana, hipercósmica e transcendente. * O título de estrangeiro deixa de ser apenas sofrimento e converte-se em sinal de nobreza, eleição e origem superior. * Basílides, Clemente Alexandrino, os mandeus, os valentinianos e a Pistis Sophia são mencionados como testemunhos dessa consciência de estraneidade. * A raça dos Eleitos, dos Pneumáticos e dos Inabaláveis é apresentada como consubstancial à ousia divina. * Deus, a Vida, o Salvador e o Mensageiro enviam a Chamada ou a Voz de além do mundo. * A nostalgia da pátria distante transforma o exílio em prova da verdadeira origem. * O título de “filho do rei” ou “filho dos reis” confirma a nobreza espiritual do estrangeiro. * O Canto da Pérola, ou Canto da Alma, nos Atos de Tomé, ilumina esse motivo. * A revelação decisiva da gnose afirma que o homem verdadeiro vem de outro lugar e não pertence ao mundo. * O Ginza de direita mandeu formula a revelação traduzida: “Tu não és daqui, tua raiz não é do mundo.” * O Ginza de esquerda formula a revelação traduzida: “Tu não vens daqui, tua estirpe não é daqui; teu lugar é o lugar da Vida.” * O Livro de João formula a confissão traduzida: “Eu não era filho da casa, minha raiz não é do mundo.” * O Livro de João formula ainda a confissão traduzida: “Sou um homem do Outro Mundo.” * Valentinianos, Irineu, a Pistis Sophia e textos mandeus compartilham a convicção de que o eu autêntico não pertence ao kosmos. * A fenomenologia da gnose conduz da experiência do mal à certeza de que a salvação consiste em recuperar uma identidade transmundana. * A sensação dolorosa de ser estranho ao mundo torna-se princípio ativo de libertação. * A consciência de não pertencer ao mundo impede a assimilação ao kosmos. * Esquecer a própria estraneidade equivaleria a esquecer a verdadeira natureza e perder a possibilidade de salvação. * O homem salvo não é definido por seu ser para o mundo, mas por seu ser fora do mundo. * A gnose realiza a passagem da abjeção presente à recuperação da pátria e do eu verdadeiro.