===== Tresmontant ===== [[estudos:start|Cristianismo Estudos]] — Claude [[estudos:tresmontant:start|Tresmontant]] (1927 — 1997) Tópicos em sua apresentação de sua obra CTMC * Apresentação da tese de Émile Bréhier sobre a natureza do cristianismo primitivo * Caracterização do cristianismo apostólico como movimento essencialmente prático e não doutrinário * Composição social das primeiras comunidades: artesãos e pessoas simples, com predominância de preocupações fraternais e de assistência mútua * Expectativa escatológica iminente como horizonte mental fundamental * Produção literária circunstancial: epístolas, narrativas sobre Jesus, Atos dos Apóstolos, sem exposição doutrinal sistemática ou coerente * Ausência total, nos ensinamentos de Jesus, de visões teóricas e racionadas sobre o universo e Deus * Oposição estrutural entre a forma discursiva grega (dialética serrada) e a forma de comunicação de Jesus (parábolas e imagens para ouvintes sem instrução) * Formulação do problema historiográfico por Bréhier * Questão sobre a importância, para a história das especulações filosóficas, da cristianização da civilização ocidental a partir de Constantino * Tese central: inexistência de uma filosofia cristã propriamente dita nos cinco primeiros séculos * Negação de uma tábua de valores intelectuais radicalmente original e diferente da dos pensadores pagãos * Identificação da verdadeira linha divisória entre pagãos e cristãos: submissão aos cultos legais, especialmente o culto imperial, e não método intelectual ou especulação * Cristianismo inicial definido como esforço de ajuda mútua espiritual e material, não como empreendimento especulativo * Conclusão peremptória: o desenvolvimento do pensamento filosófico não foi fortemente influenciado pelo advento do cristianismo * Reconhecimento, pelo próprio Bréhier, de uma "revolução mental" trazida pelo cristianismo * Introdução de uma concepção dramática e histórica da realidade em oposição ao cosmos grego eterno e sem história * Ideias cristãs revolucionárias: criação a partir do nada, destino construído pela obediência ou desobediência humana, iniciativa divina imprevisível para a salvação * Imagem de um universo onde a natureza se efaz e tudo depende da história íntima e espiritual do homem e de sua relação com Deus * Libertação das concepções pagãs de destino eterno, ciclo perpétuo e esquema geométrico imutável da realidade * Percepção dessa ruptura pelos primeiros críticos pagãos, como Celso, que a viam como falta de //tenue intellectuelle// * Assunção, por Bréhier, desta oposição fundamental, interpretando o ataque de Plotino aos gnósticos como uma condenação do "caráter cristão" de sua doutrina, ou seja, de seu individualismo religioso anti-helênico * Tensão interna na argumentação de Bréhier * Admissão de um sentimento de grave desacordo, tanto por parte pagã quanto cristã, desde os primeiros séculos * Reconhecimento de que os cristãos rejeitavam como heresia helênica a noção de um ordem imutável e eterna do mundo * Afirmação simultânea de que os Padres da Igreja apenas anexaram a filosofia pagã, sem criar uma cultura intelectual nova * Exemplo de Santo Agostinho: transmissor da cultura científica e filosófica pagã sem transformá-la, apesar de tomar consciência de incompatibilidades profundas * Declaração final de que não se pode falar de uma filosofia cristã, assim como não há uma matemática ou física cristãs * Objetivo e posicionamento do presente trabalho face à tese de Bréhier * Proposta de demonstração de uma tese diametralmente oposta, fundamentada em pesquisas e documentos * Foco na estrutura metafísica do cristianismo e na análise de seu conteúdo filosófico original * Investigação da essência do cristianismo do ponto de vista metafísico, como continuidade de estudos anteriores sobre o pensamento bíblico * Pressuposto de que teologia e moral cristãs implicam e pressupõem uma determinada estrutura metafísica * Premissa de que a própria mística implica uma metafísica correspondente, não sendo qualquer uma * Método de investigação adotado * Preferência por um método histórico-genético em vez de puramente analítico-dedutivo * Análise de como, nos primeiros séculos, o cristianismo tomou consciência de suas próprias exigências metafísicas * Estudo dos tateios, hesitações, falsos passos e polêmicas que marcaram essa tomada de consciência * Valorização das polêmicas como momentos dialéticos de clarificação dos princípios metafísicos cristãos * Identificação, na oposição de teses, dos pontos precisos onde se opera a delimitação da especificidade cristã * Delimitação do campo de estudo: Metafísica do Cristianismo versus Teologia Cristã * Distinção entre as implicações metafísicas do cristianismo (respostas próprias a questões universais sobre o ser, o múltiplo, o tempo, a liberdade, etc.) e os dogmas propriamente teológicos * Inclusão da doutrina cristã do Absoluto no âmbito da história das metafísicas, ao lado das doutrinas upanishádicas, platônicas, hegelianas, etc. * Reconhecimento de que o conhecimento do Absoluto transcendente e criador pertence, em direito, à razão natural (filosofia) * Exclusão expressa do campo de pesquisa dos dogmas que excedem a razão natural: teologia trinitária, da encarnação, da graça * Admissão de que não há separação estanque, mas distinção, entre a ordem teológica e a ordem metafísica * Exemplo da noção de criação: abordagem pelo "lado filosófico", que conduz ao discernimento do mistério da caridade criadora, sem entrar na teologia desse mistério * Fundamentação da noção de "filosofia cristã" * Identificação, dentro da teologia bíblica e cristã, de um núcleo de doutrinas que pertencem, em direito, à razão natural * Caracterização da tradição bíblica como portadora de uma revolução racional de desmitificação e desdivinização do mundo * Atividades proféticas e legislativas de Israel compreendidas como trabalho de racionalização no plano ético e cosmológico * Em direito, essas verdades são universais e acessíveis à razão; em fato, foram historicamente trazidas pela tradição judaico-cristã * Existência factual de filosofias com estruturas não-cristãs ou pagãs (ex.: Hegel, Schelling) que professam teses incompatíveis com os princípios cristãos * Conclusão: pode-se falar de uma filosofia cristã como se fala de uma geometria euclidiana, para designar um sistema baseado em princípios específicos * As verdades da "filosofia cristã" são, em direito, universais e acessíveis a qualquer razão; sua designação refere-se à sua origem histórica concreta * Distinção operacional final: filosofia cristã refere-se às verdades naturais trazidas em fato pelo cristianismo; teologia cristã refere-se aos mistérios revelados que excedem a razão natural ---- {{indexmenu>.#1|tsort nsort}}