===== Onde houverem dois ===== [[.:start|Logia Jesus]] (Mt 18, 19-20) Evangelho de Jesus: 19 Amén, eu vos digo ainda: se dois dentre vós concordarem na terra para pedir o que quer que seja, isso lhes será feito por meu Pai dos céus. 20 Sim, onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, lá estarei no meio deles.» (Chouraqui; Mt 18:19-20) Roberto Pla: [[gnosticismo:bnh:et:start|Evangelho de Tomé]] - Logion 30 "Onde há dois (deuses) ou um", quer dizer se são dois, Adão alma vivente e Adão espírito que vivifica (o Deus criado por Elohim e o deus plasmado por YHWH), "eu estou com ele". Isso o diz Jesus porque sabe que o Filho do Homem é a luz que se resolve nas individuais gotas de luz. Este é um dos deuses. O outro deus, já o sabemos, é a alma vivificada, o "ruah" que após sofrer a tenaz purificação da roçagem depositará seu fruto, já transformado em trigo do espírito, como "terceiro restante" (neshamah). Este é o bom ladrão que o Filho do Homem em seguida a sua morte e ressurreição levará consigo ao Paraíso, uma vez consumada fielmente toda a obra a ele encomendada pelo Pai "quando depois de santificado o enviou ao mundo" (Jo 10,36). René Guénon: A TERRA SANTA E O CORAÇÃO DO MUNDO Voltemos agora à distinção à qual nos referíamos há pouco; ela decorre imediatamente do fato de que a religião, no sentido próprio e etimológico da palavra, ou seja, “aquilo que reconecta” o homem ao seu Princípio Divino, diz respeito não apenas a cada homem em particular, mas também à humanidade considerada coletivamente; em outras palavras, ela tem ao mesmo tempo um aspecto individual e um aspecto social. A residência da Shekinah no coração do fiel corresponde ao primeiro desses dois pontos de vista; sua residência no Tabernáculo corresponde ao segundo. Aliás, o nome de Emanuel significa igualmente essas duas coisas: “Deus conosco”, isto é, no meio dos homens; e o in nobis de São João, que recordávamos antes, pode ser interpretado também nesses dois sentidos. A tradição judaica se coloca no segundo ponto de vista quando diz que, “quando duas pessoas conversam sobre os mistérios divinos, a Shekinah permanece entre elas”; e Cristo disse exatamente o mesmo, e quase nos mesmos termos: “Quando dois ou três se reúnem em meu nome, eu estou no meio deles” (São Mateus, XVIII, 20). Isso é verdade, como especifica o texto evangélico, “em qualquer lugar onde estiverem reunidos”; mas isso, do ponto de vista judaico, refere-se apenas a casos especiais e, para o povo de [[pk>Israel]] enquanto coletividade organizada (e organizada teocraticamente, no sentido mais verdadeiro do termo), o lugar onde a Shekinah residia de maneira constante, normal de certa forma, era o Templo de Jerusalém; por isso os sacrifícios, que constituíam o culto público, não podiam ser oferecidos em nenhum outro lugar.