====== Crer naquele ... ====== //Michel Henry — Eu sou a Verdade// Que, em sua Arque-Ipseidade, o Arque-Filho transmita a Vida a todo vivente possível — possível na medida que não é somente um vivente mas um Si Mesmo, este Si Mesmo que não é semelhante a nenhum outro, que existe como algo de absolutamente novo, que nada precedeu nem o substituirá, eis o que explica o lugar muito particular que ocupa o Cristo no NT. Lugar a bem dizer que ele se dá a ele mesmo às custas se não é ao desprezo de todo o resto. Pois para quem o escuta com suficiente recuo, parece que a Palavra do Cristo não se limita em absoluto a um ensinamento moral. Preceitos e obras prescritas não parecem valer por si mesmas, definir em qualquer caso o essencial. Uma finalidade as supera em direção ao unicamente importa. À questão da ética: que fazer? a resposta é desconcertante: «Eles disseram então: "Que nos é necessário fazer para trabalhar nas obras de Deus?" Jesus lhes respondeu: "A obra de Deus, é crer naquele que me enviou"» ([[b>Jo 6,28-29]]). Somente, já se mostrou o suficiente, a questão rebate em seguida. Crer naquele que o enviou, é crer que esse aí que fala é precisamente o enviado, que Jesus é o Messias, o Cristo. «Que milagre farais para que [...] creiamos em ti? Que obras vais fazer? » ([[b>Jo 6,20]]). Quando a doação por Moisés da maná foi afastada como puramente simbólica, a obra, o milagre receberam então seu verdadeiro nome: a doação da vida em sua carne fenomenológica, o «pão da vida». Trata-se enfim de saber o que és este pão: «"Senhor, nos dai sempre este pão!"Jesus lhes disse: "Sou eu..."» ([[b>Jo 6,34-35]]). Do egocentrismo sem medida e sem nuance que invade o NT a razão é enfim clara. Eis porque a Vida se dá a cada um na Ipseidade do Arque-Filho que ninguém mais importa com efeito senão Este-aí. Mais uma vez, o comentário do Apóstolo acerta o alvo: «Não julguei que tivesse que saber dentre vós outra coisa senão Jesus Cristo» ([[b>1Co 2,2]]).