====== Cântico Espiritual B ====== ~~NOCACHE~~ Resumo da Introdução em JCOC ==== Autenticidade e Originalidade do "Cântico Espiritual B": Uma Síntese Crítica ==== * Questão da autenticidade do *Cântico B* e argumentos em sua defesa. * Debate histórico iniciado por Dom Chevallier (c. 1930) que colocou em dúvida a autoria sanjoanista, atribuindo o remanejamento a influências externas, como as de Tomás de Jesus. * Resposta da escola crítica espanhola, que sempre defendeu a autoria de João da Cruz, posição compartilhada por Marie du Saint-Sacrement. * Argumentos decisivos a favor da autenticidade: * As correções autógrafas no códice de Sanlúcar (//Cântico A//) já esboçam os conteúdos e complementos introduzidos no //Cântico B//, e o próprio autor atesta, com sua assinatura, que o trabalho foi concluído. * Os manuscritos do //Cântico B// são numerosos, seguros e provenientes dos primeiros círculos sanjoanistas, sem indícios de intervenção alheia. * O estilo de redação, fraseologia e vocabulário permanecem inteiramente sanjoanistas, com as inovações e variações típicas do autor em suas diferentes obras. * O uso da Bíblia, a seleção e associação de textos e o modo de comentá-los correspondem fielmente ao estilo de João da Cruz em todas as suas obras. * As diferenças doutrinais (caráter mais pedagógico, teológico e escatológico do //Cântico B//) não são contradições, mas desenvolvimentos coerentes com a intenção do autor. * As tentativas de atribuir a obra a outros autores carecem de fundamento documental, doutrinal e estilístico. * A hipótese de uma //outra mão// é insustentável, pois exigiria que João da Cruz tivesse incorporado as correções de um deformador em sua redação final. * Contexto de redação e relação cronológica com outras obras. * Redação do //Cântico A// em 1584, anterior à //Chama Viva de Amor// (1585). * Redação do //Cântique B// situada, segundo a tradição do Carmelo de Jaén, em 1585-1586, a pedido de Ana de Jesus, que teria entregado o manuscrito a Isabel da Encarnação. * Posterioridade ao //Cântico A// comprovada pela citação explícita da //Chama Viva// no comentário da estrofe 31 do //Cântico B//. * Modificações estruturais e de conteúdo em relação ao //Cântico A//. * Reordenação da sequência de estrofes: as quatorze primeiras e as sete últimas mantêm sua posição, mas há uma reorganização interna das estrofes 15 a 34. * Introdução da estrofe //Ah, descobre-me a presença// após a décima estrofe, presente também em algumas edições do //Cântico A//. * Adição de um //Sumário// que precisa as três grandes etapas da vida espiritual (purgativa, iluminativa, unitiva), conferindo maior lógica estrutural. * Inclusão de //Anotações// ou //Remarques// antes de cada estrofe (a partir da estrofe 6), que justificam a relação entre os comentários e funcionam como uma introdução ao tema da estrofe seguinte. * Três quartos do comentário são retomados do //Cântico A//; a metade da parte nova corresponde precisamente a essas //Anotações//. * Características doutrinais e espirituais da nova redação. * Ênfase na imanência divina desde o início: o tesouro está //dentro de ti mesmo//, citando Lucas 17:21 e 1 Coríntios 3:16. * Desenvolvimento mais explícito das três vias clássicas: * Via purgativa (estrofes 1-4), para os //principiantes//. * Via iluminativa ou contemplativa (estrofes 5-13), para os //progredientes//, culminando com a celebração dos esponsais (estrofe 13). * Via unitiva (a partir da estrofe 14), para os //perfeitos//, descrita retrospectivamente na estrofe 22. * Aspiração escatológica mais marcada: novas considerações sobre o estado beatífico a partir da estrofe 36, ampliando o horizonte da experiência mística. * Exemplo de divergência interpretativa pontual: na estrofe 38, o //outro dia// é interpretado como o //dia da eternidade de Deus// e da predestinação à glória (//Cântico B//), enquanto no //Cântico A// se referia ao estado de justiça original em Adão ou ao dia do batismo. * Riqueza de novas citações bíblicas, especialmente do Apocalipse (sete citações na estrofe 38), que dilatam infinitamente o horizonte de Deus e evocam a realidade inefável vivida pela alma perseverante. * Valor e significado do //Cântico B// no conjunto da obra sanjoanista. * Não há contradição fundamental com o //Cântico A//, mas um desejo de //canalizar o lirismo espontâneo// da primeira redação para conferir à obra um aspecto mais de tratado, semelhante à //Subida// e à //Noite//. * O //Cântico B// representa um amadurecimento do pensamento do autor, mais lógico, pedagógico e teologicamente estruturado. * Todos os acréscimos e desenvolvimentos têm seus antecedentes nos escritos anteriores de João da Cruz (ex.: temas do demônio na //Subida//, do céu na //Chama Viva//). * A obra é um //maravilhoso legado da nossa tradição ocidental// que permite entrar mais profundamente no pensamento de João da Cruz, sendo de particular valor para //a multidão dos famintos em busca da árvore da vida//.