====== Eusébio de Cesareia ====== //Eusèbe de Cesarée. Préparation évangélique, XIV, 18, trad. J.-P. Dumont, in Le Scepticisme et le phénomène, Vrin, Paris, 1985.// É necessário começar por uma análise crítica da nossa capacidade de conhecer (o ponto de partida é gnoseológico). Pois, se a nossa natureza fosse tal que não pudéssemos conhecer nada, não adiantaria nada investigar outras coisas. Na Antiguidade, houve filósofos que defenderam tal proposição e Aristóteles os combateu (ver especialmente Protágoras, p. 157). O representante mais vigoroso dessa tese foi [[presoc>Pirro]] de Elis, que pessoalmente não nos deixou escritos. Mas Timão, seu aluno, diz que aquele que quer desfrutar da felicidade deve considerar estes três pontos. Primeiro: qual é a verdadeira natureza das coisas? Segundo: qual deve ser a disposição de nossa alma em relação a elas? Por fim: o que resultará para nós dessa disposição? Uma vez que, afirma ele, as coisas não manifestam nenhuma diferença entre si e escapam igualmente à certeza e ao julgamento, nem as sensações nem as opiniões podem nos revelar a verdade ou nos enganar ((A fórmula evita qualquer dogmatismo: não se pode afirmar dogmaticamente, como Metrodoro (ver p. 125), que somos enganados.)). É por isso que não devemos dar crédito a elas, mas permanecer sem opiniões, sem inclinações e sem nos deixarmos abalar, limitando-nos a dizer de cada coisa que ela não é mais isso do que aquilo, que é e, ao mesmo tempo, que não é, ou que nem é, nem não é. Se conhecermos essas disposições, conheceremos, diz Timão, primeiro a afasia ((O silêncio da alma.)), depois a ataraxia ((A ausência de perturbação.)) e, diz Enésidemo, o prazer. Esses são os principais capítulos de sua filosofia.