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| + | ===== EPÍSTOLAS TEOSÓFICAS ===== | ||
| + | Jacob Boehme — Epístolas Teosóficas | ||
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| + | ** Apresentação de Bernard Gorceix ** | ||
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| + | * A publicação, | ||
| + | * A leitura das epístolas teosóficas do Teutônico — assim Böhme assinava suas últimas cartas — recobre duas preocupações atuais: uma geral, relativa aos chamados estudos espirituais, | ||
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| + | * Quanto ao primeiro ponto, cabe introduzir nuances — pois o ressurgimento dos estudos espirituais durante as três décadas do segundo pós-guerra não é mais um fenômeno recente, sendo antes uma tenaz contestação contra os avatares da tecnologia e o peso ideológico das sociedades modernas. | ||
| + | * A grande corrente que arrastou uma intelligentsia confusa longe dos catecismos da infância data dos anos 1960 e está atualmente, e felizmente, muito menos tumultuosa. | ||
| + | * Decepção diante da impenetrabilidade igualmente áspera das espiritualidades distantes e recuperação hábil por parte de políticos e homens de dinheiro — é difícil engordar seus terrores sagrados na insegurança afegã ou na miséria de Calcutá — explicam que a moda, nessa matéria, reencontre pouco a pouco a Europa e os antigos parapeitos. | ||
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| + | * Doravante é a psicanálise que se ocupa do Evangelho, e a Bíblia, mais do que os Vedas, que augura o futuro — e os mesmos que, há vinte anos, condescendiam, | ||
| + | * Nessa aflitiva confusão e nessa desordem mal orquestrada, | ||
| + | * Um único freio permanece, que se quer continuar a preservar e a prolongar: o constituído pela tradução e pela prática dos grandes textos espirituais. | ||
| + | * O louvor de que fala o versículo 35 da sura 24 do Alcorão é aceso "com o azeite de uma árvore bênta, a oliveira", | ||
| + | * Ao descobrir as epístolas teosóficas de Jacob Böhme, como a visão esmeralda de Najm Kobrâ ou a descrição do corpo de arrebatamento no Dhamarkâja, | ||
| + | * Najm Kobrâ e Julien Green são mencionados como referências de experiência espiritual intensa e comparável. | ||
| + | * As " | ||
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| + | * A segunda preocupação é mais limitada no tempo — pois no grande recenseamento das artes do mundo, facilitado pelo progresso das técnicas, um período da história europeia se beneficiou particularmente das modificações de acento e do alargamento das perspectivas. | ||
| + | * Há muito tempo os historiadores da arte — citando aqui apenas Jacques Bousquet num belo livro sobre a pintura maneirista publicado em 1964, ou André Chastel em sua apresentação da crise da Renascença editada em 1968 — descreveram a lenta e orgânica passagem da Renascença ao barroco, eliminando os julgamentos tradicionalmente negativos sobre a retórica vazia ou o ornamento em ressalto. | ||
| + | * A reabilitação da arte do século XVII transpôs pouco a pouco a porta dos cenáculos — e o grande público não mais rejeita o século de Rubens. | ||
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| + | * Ante o espetáculo das arquiteturas do Bernini e da Roma de Sisto V, das abadias da Alemanha do Sul e da Áustria, as obras de grande difusão e os meios audiovisuais souberam substituir os vocábulos de pompa, sobrecarga e excentricidade pelos de cinética, contradição dialética, espaço imaginário e paixão pela vida. | ||
| + | * O termo " | ||
| + | * A correção não se limita ao domínio das artes plásticas — ela toca igualmente a literatura e a espiritualidade. | ||
| + | * As ciências humanas conhecem doravante a profunda coerência das expressões artísticas numa época determinada. | ||
| + | * Shakespeare e o Bernini, Gryphius e Rembrandt, Angelus Silesius e o arquiteto da biblioteca do mosteiro de Admont obedecem todos a essa espécie de mimetismo de que falava Marcel Brion. | ||
| + | * Essa congruência surpreende particularmente na leitura das epístolas teosóficas de Jacob Böhme — pois a espiritualidade mística, mais do que qualquer outra, trai e traduz no século XVII os mecanismos e as engrenagens de uma época que tem sede tanto de vida quanto de absoluto, e cujos movimentos impulsivos e angustiados tentam se regularizar e se equilibrar numa veemente e ascensional aspiração. | ||
| + | * São as mesmas inquietações e a mesma busca de quietude que animam o Filipe II do Greco, a chama da vela nas Madalenas e a Adoração dos pastores do Holandês. | ||
| + | * Certamente o modo de expressão aqui escolhido — a língua — dilui e fraciona o contato imediato do espectador com o quadro; essa língua, ademais, como sempre no século de Bossuet, é difícil, distante, carregada de conotações tradicionais e culturais que envelheceram. | ||
| + | * As espirais das escadarias barrocas, os turbilhões das draperias e o vacilamento das tochas serão sempre em cores mais acessíveis do que em palavras, o êxtase dos rostos esculpidos mais do que o descrito pelas teologias ascéticas — mas é necessário conhecer o pano de fundo intelectual, | ||
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| + | * A breve introdução compõe-se de três momentos — descrevendo-se primeiro a bagagem mínima, mas já considerável, | ||
