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| ===== METHEXIS ===== | ===== METHEXIS ===== |
| [[philokalia:philokalia-termos:start|Philokalia-Termos]] — [[philokalia:philokalia-termos:methexis:start|methexis]] = PARTICIPAÇÃO | Philokalia-Termos — methexis = PARTICIPAÇÃO |
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| VIDE: PARTÍCIPE; [[philokalia:philokalia-termos:eikon:start|eikon]]; [[philokalia:philokalia-termos:eidos:start|eidos]]; UNIÃO | VIDE: PARTÍCIPE; eikon; eidos; UNIÃO |
| === Filosofia === | === Filosofia === |
| Usado por Platão para descrever a relação entre os eide e os particulares sensíveis (Phaedo 100d, Parmenides 130c-131a (onde a participação é criticada por implicar divisão). (TERMOS FILOSÓFICOS GREGOS, F.E. Peters. Fundação Calouste, 1983.) | Usado por Platão para descrever a relação entre os eide e os particulares sensíveis (Phaedo 100d, Parmenides 130c-131a (onde a participação é criticada por implicar divisão). (TERMOS FILOSÓFICOS GREGOS, F.E. Peters. Fundação Calouste, 1983.) |
| Tradução francesa | Tradução francesa |
| O poder que têm as energias não-criadas — [[philokalia:philokalia-termos:ageneton:start|ageneton]] — de criar e de modelar o seres. | O poder que têm as energias não-criadas — ageneton — de criar e de modelar o seres. |
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| [[ate-agostinho:gnissa:start|Gregório de Nissa]]: [[estudos:danielou:start|Jean Daniélou]], "PLATONISMO E TEOLOGIA MÍSTICA" | Gregório de Nissa: Jean Daniélou, "PLATONISMO E TEOLOGIA MÍSTICA" |
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| Assim nos aparecem pouco a pouco os bens divinos que constituem a imagem divina e que são participação à vida mesma de [[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]], posto que, segundo a palavra muito forte de Gregório, a diferença entre Deus e o homem consiste não nas epitheoroumena, os traços exteriores, mas somente no [[philokalia:philokalia-termos:hypokeimenon:start|hypokeimenon]]. Uma palavra exprime o conjunto de bens paradisíacos, que encontramos muitas vezes, aquele de "beatitude", [[philokalia:philokalia-termos:makariotes:start|makariotes]]. A expressão, na língua teológica moderna, designa precisamente o estado da alma entrada em sua perfeição definitiva. Para Gregório, ela é "a [[philokalia:philokalia-termos:soma:start|soma]] e a perfeição de todos os bens". Ela convém propriamente e verdadeiramente a Deus. É o sentido que ela tem em [[ate-agostinho:paulo:start|Paulo Apóstolo]]: "Bem-aventurado e só poderoso é o Rei dos Reis e aquele que possui a imortalidade" (1Tim VI,15). Nós a encontramos na lista das perfeições divinas. | Assim nos aparecem pouco a pouco os bens divinos que constituem a imagem divina e que são participação à vida mesma de Deus, posto que, segundo a palavra muito forte de Gregório, a diferença entre Deus e o homem consiste não nas epitheoroumena, os traços exteriores, mas somente no hypokeimenon. Uma palavra exprime o conjunto de bens paradisíacos, que encontramos muitas vezes, aquele de "beatitude", makariotes. A expressão, na língua teológica moderna, designa precisamente o estado da alma entrada em sua perfeição definitiva. Para Gregório, ela é "a soma e a perfeição de todos os bens". Ela convém propriamente e verdadeiramente a Deus. É o sentido que ela tem em Paulo Apóstolo: "Bem-aventurado e só poderoso é o Rei dos Reis e aquele que possui a imortalidade" (1Tim VI,15). Nós a encontramos na lista das perfeições divinas. |
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| No homem a beatitude é uma participação naquela de Deus. Toda esta doutrina está longamente exposta na primeira "Homília sobre as Beatitudes": "A beatitude é segundo penso o conjunto de todos os bens... Ela se opõe à miséria (athliotes)... O ser verdadeiramente bem-aventurado, é Deus... Nele a beatitude abarca a incorruptibilidade (akeratos = aphthartos), o bem inefável, a beleza inexpressável, a graça essencial (autokharis), o todo-poder, a alegria perpétua... Mas como aquele que formou o homem o fez à imagem de Deus, deve-se dizer bem-aventurado em segundo grau (deuteros) aquele que merce este nome por participação da beleza essencial (metousia tes ontos makariotetos)". A sequência da passagem é interessante pela aplicação que faz à beatitude da teologia da imagem: "Assim como para a beleza corporal, a beleza está na pessoa viva que serve de modelo secundariamente no que é expresso pela imitação em sua imagem (eikon), da mesma forma a natureza humana, sendo a imagem da beatitude sobrenatural, apresenta ela também os traços da Beleza do Bem, quando ela dele reflete os caracteres [[evangelho-de-jesus:sermao-da-montanha:bem-aventurados:start|Bem-aventurados]]". | No homem a beatitude é uma participação naquela de Deus. Toda esta doutrina está longamente exposta na primeira "Homília sobre as Beatitudes": "A beatitude é segundo penso o conjunto de todos os bens... Ela se opõe à miséria (athliotes)... O ser verdadeiramente bem-aventurado, é Deus... Nele a beatitude abarca a incorruptibilidade (akeratos = aphthartos), o bem inefável, a beleza inexpressável, a graça essencial (autokharis), o todo-poder, a alegria perpétua... Mas como aquele que formou o homem o fez à imagem de Deus, deve-se dizer bem-aventurado em segundo grau (deuteros) aquele que merce este nome por participação da beleza essencial (metousia tes ontos makariotetos)". A sequência da passagem é interessante pela aplicação que faz à beatitude da teologia da imagem: "Assim como para a beleza corporal, a beleza está na pessoa viva que serve de modelo secundariamente no que é expresso pela imitação em sua imagem (eikon), da mesma forma a natureza humana, sendo a imagem da beatitude sobrenatural, apresenta ela também os traços da Beleza do Bem, quando ela dele reflete os caracteres Bem-aventurados". |
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| Toda esta passagem é notável pela clareza com a qual formula a doutrina da participação. Estamos bem no centro do problema da imagem (eikon; eidos). O Padre Maréchal notou que toda a teologia mística de Gregório gravita ao redor desta ideia. Esta participação pode a princípio apresentar graus; assim toda vida espiritual pode ser apresentada como participação crescente na beatitude divina: "Bem-aventurados no sentido próprio e primeiro ([[philokalia:philokalia-termos:kyrios:start|kyrios]] kai protos) é ser transcendente. A beatitude no homem é uma participação (methexis) daquele que é realmente (tou ontos ontos) Assim ela é proporcionada à natureza do participante (metekontos). Quer dizer que a [[evangelho-de-jesus:logia-jesus:logia-jesus:medida:start|Medida]] da beatitude humana é a semelhança com Deus ([[philokalia:philokalia-termos:homoiosis:start|homoiosis]])". Em outra parte Gregório precisa quais são estes graus da betaitude; o primeiro, [[philokalia:philokalia-termos:arche:start|arche]], é a "separação do mal. Pois, por degraus, a alma se eleva até o extremo limite onde pode alcançar sua esperança e se elevar ao conhecimento: é a segunda via. Além daí, é a beatitude celeste que ultrapassa tudo que o espírito humano pode conceber e que é retorno de nossa natureza no coração dos anjos". Esta criação é de ordem intencional. Para Deus, que está fora do tempo, o objeto imediato da criação é o [[biblia:figuras:nt-personagens:cristo:start|Cristo]] total, o eikon. Mas esta criação se desenrola no tempo seguinte a uma economia plena da sabedoria, onde a decadência ela mesma, como vimos, tem uma significação providencial. Aqui ainda encontramos a ideia platônica do primado do um sobre o múltiplo. Mas esta ideia é transferida à ordem histórica. Não se trata de uma unidade ideal e persistente a recuperar, mas de uma unidade a realizar através da história. Ora isto está nos antípodas do pensamento platônico, tal qual se exprime ainda em um Juliano na época de Gregório. Nas é mais estranho ao pensamento deste que a ideia de uma unidade da humanidade que é o termo do progresso histórico: "O futuro para ele só pode ser a manutenção ou a restauração deste que foi... O discípulo de Iamblichus associa a ideia nocional e a ideia conservadora" (Bidez, Vie de Julien). | Toda esta passagem é notável pela clareza com a qual formula a doutrina da participação. Estamos bem no centro do problema da imagem (eikon; eidos). O Padre Maréchal notou que toda a teologia mística de Gregório gravita ao redor desta ideia. Esta participação pode a princípio apresentar graus; assim toda vida espiritual pode ser apresentada como participação crescente na beatitude divina: "Bem-aventurados no sentido próprio e primeiro (kyrios kai protos) é ser transcendente. A beatitude no homem é uma participação (methexis) daquele que é realmente (tou ontos ontos) Assim ela é proporcionada à natureza do participante (metekontos). Quer dizer que a Medida da beatitude humana é a semelhança com Deus (homoiosis)". Em outra parte Gregório precisa quais são estes graus da betaitude; o primeiro, arche, é a "separação do mal. Pois, por degraus, a alma se eleva até o extremo limite onde pode alcançar sua esperança e se elevar ao conhecimento: é a segunda via. Além daí, é a beatitude celeste que ultrapassa tudo que o espírito humano pode conceber e que é retorno de nossa natureza no coração dos anjos". Esta criação é de ordem intencional. Para Deus, que está fora do tempo, o objeto imediato da criação é o Cristo total, o eikon. Mas esta criação se desenrola no tempo seguinte a uma economia plena da sabedoria, onde a decadência ela mesma, como vimos, tem uma significação providencial. Aqui ainda encontramos a ideia platônica do primado do um sobre o múltiplo. Mas esta ideia é transferida à ordem histórica. Não se trata de uma unidade ideal e persistente a recuperar, mas de uma unidade a realizar através da história. Ora isto está nos antípodas do pensamento platônico, tal qual se exprime ainda em um Juliano na época de Gregório. Nas é mais estranho ao pensamento deste que a ideia de uma unidade da humanidade que é o termo do progresso histórico: "O futuro para ele só pode ser a manutenção ou a restauração deste que foi... O discípulo de Iamblichus associa a ideia nocional e a ideia conservadora" (Bidez, Vie de Julien). |
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