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philokalia:philokalia-autores:nicetas-stethatos:centurias:centurias-capitulos-praticos:start [10/01/2026 16:00] mccastrophilokalia:philokalia-autores:nicetas-stethatos:centurias:centurias-capitulos-praticos:start [11/01/2026 06:14] (atual) – edição externa 127.0.0.1
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 ===== STETHATOS – CENTÚRIAS – CAPÍTULOS PRÁTICOS ===== ===== STETHATOS – CENTÚRIAS – CAPÍTULOS PRÁTICOS =====
-[[philokalia:philokalia-autores:nicetas-stethatos:start|Nicetas Stethatos]] — [[philokalia:philokalia-autores:nicetas-stethatos:centurias:centurias-capitulos-praticos:start|Centúrias — Capítulos Práticos]] +Nicetas Stethatos — Centúrias — Capítulos Práticos 
-Tradução em grande parte feita a partir da versão inglesa da [[philokalia:start|Philokalia]], mas eventualmente utilizada a versão francesa.+Tradução em grande parte feita a partir da versão inglesa da Philokalia, mas eventualmente utilizada a versão francesa.
  
 === PRIMEIRA CENTÚRIA — CAPÍTULOS PRÁTICOS: DA PRÁTICA DAS VIRTUDES: CEM TEXTOS === === PRIMEIRA CENTÚRIA — CAPÍTULOS PRÁTICOS: DA PRÁTICA DAS VIRTUDES: CEM TEXTOS ===
-1. Há, penso, na tríade perfeita das virtudes (fé, esperança e caridade), quatro causas portando aquele que superou agora o meio do noviciado e que alcançou à tríade da teologia mística, para escrever o que é bom. A primeira é a liberdade, quero dizer a impassibilidade ([[philokalia:philokalia-termos:apatheia:start|apatheia]]) da alma, que, pelas penas da ação ([[philokalia:philokalia-termos:praktike:start|praktike]]) leva à contemplação ([[philokalia:philokalia-termos:theoria:start|theoria]]) natural da criação, e daí penetra nas treva da teologia ([[philokalia:philokalia-termos:theologia:start|theologia]]). A segunda, que vem das lágrimas e da [[oracao:start|oração]], é a pura da inteligência ([[philokalia:philokalia-termos:nous:start|nous]]), donde nasce a palavra da graça e brotam os fluxos dos pensamentos. A terceira é a habitação da Santa Trindade em nós. Dela, as efusões luminosas do Espírito se espalham para seu bem em cada um dos purificados, manifestando os mistérios do Reino dos Céus e revelando os tesouros de [[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]] ocultos na alma. A quarta, em todo homem que recebeu o talento da palavra do conhecimento, é a urgente necessidade da ameaça de Deus que diz: “Servidor mau e preguiçoso, deverias pôr o meu dinheiro nos cambistas, e em meu retorno teria retirado o que é meu com juros” (Mt 25, 27) ([[evangelho-de-jesus:parabolas-evangelicas:parabola-dos-talentos:start|Parabola dos Talentos]]). É bem esta necessidade que fazia Davi também dizer cheio de temor: “Eis, fecharei meus lábios, Senhor, tu o sabes. Não ocultei tua justiça no meu coração. Não disse tua verdade e tua salvação. Não ocultei teu amor e tua verdade à grande assembleia” (Sal 40, 10-11).+1. Há, penso, na tríade perfeita das virtudes (fé, esperança e caridade), quatro causas portando aquele que superou agora o meio do noviciado e que alcançou à tríade da teologia mística, para escrever o que é bom. A primeira é a liberdade, quero dizer a impassibilidade (apatheia) da alma, que, pelas penas da ação (praktike) leva à contemplação (theoria) natural da criação, e daí penetra nas treva da teologia (theologia). A segunda, que vem das lágrimas e da oração, é a pura da inteligência (nous), donde nasce a palavra da graça e brotam os fluxos dos pensamentos. A terceira é a habitação da Santa Trindade em nós. Dela, as efusões luminosas do Espírito se espalham para seu bem em cada um dos purificados, manifestando os mistérios do Reino dos Céus e revelando os tesouros de Deus ocultos na alma. A quarta, em todo homem que recebeu o talento da palavra do conhecimento, é a urgente necessidade da ameaça de Deus que diz: “Servidor mau e preguiçoso, deverias pôr o meu dinheiro nos cambistas, e em meu retorno teria retirado o que é meu com juros” (Mt 25, 27) (Parabola dos Talentos). É bem esta necessidade que fazia Davi também dizer cheio de temor: “Eis, fecharei meus lábios, Senhor, tu o sabes. Não ocultei tua justiça no meu coração. Não disse tua verdade e tua salvação. Não ocultei teu amor e tua verdade à grande assembleia” (Sal 40, 10-11).
  
-2 O começo da vida segundo Deus é fugir completamente do mundo. Uma tal fuga é a renúncia da alma às vontades e a transposição da preocupação terrestre, pela qual, nos pressionam de retornar à preocupação de Deus, de carnais nos tornamos espirituais ([[philokalia:philokalia-termos:pneumatikos:start|pneumatikos]]). Estamos mortos para a carne ([[philokalia:philokalia-termos:sarx:start|sarx]]) e para o mundo ([[philokalia:philokalia-termos:kosmos:start|kosmos]]). Mas nossa alma é levada à vida, em [[biblia:figuras:nt-personagens:cristo:start|Cristo]] e no Espírito.+2 O começo da vida segundo Deus é fugir completamente do mundo. Uma tal fuga é a renúncia da alma às vontades e a transposição da preocupação terrestre, pela qual, nos pressionam de retornar à preocupação de Deus, de carnais nos tornamos espirituais (pneumatikos). Estamos mortos para a carne (sarx) e para o mundo (kosmos). Mas nossa alma é levada à vida, em Cristo e no Espírito.
  
-3 A verdadeira crença da alma tocando Deus, a fé interior aliada ao desprezo das coisas visíveis, a prática da virtude desapegada de todo egoísmo, são os três filhos da corda de que fala [[biblia:tipologia:salomao:start|Salomão]]. Para rompê-la, é necessário tempo aos espíritos de malícia.+3 A verdadeira crença da alma tocando Deus, a fé interior aliada ao desprezo das coisas visíveis, a prática da virtude desapegada de todo egoísmo, são os três filhos da corda de que fala Salomão. Para rompê-la, é necessário tempo aos espíritos de malícia.
  
-4 Em fé esperamos receber recompensa por nossos trabalhos, e por conta disto prontamente suportamos as durezas da prática das virtudes. Mas quando experimentamos a garantia do [[biblia:figuras:espirito-santo:start|Espírito Santo]], alçamos voo com amor para Deus.+4 Em fé esperamos receber recompensa por nossos trabalhos, e por conta disto prontamente suportamos as durezas da prática das virtudes. Mas quando experimentamos a garantia do Espírito Santo, alçamos voo com amor para Deus.
  
 5 Estar perturbado por pensamentos impuros não significa que já somos da parte do diabo. Mas quando a alma se torna desleixada, quando o intelecto, por causa de nossa vida dissoluta e desregrada, fica cheio de imagens turvas e obscuras, e quando nossa prática das virtudes negligencia, por causa de nosso desleixo na meditação e na oração, então, mesmo não engajados no mal, somos nivelados entre aqueles que deliberadamente rastejam em prazeres sensuais. 5 Estar perturbado por pensamentos impuros não significa que já somos da parte do diabo. Mas quando a alma se torna desleixada, quando o intelecto, por causa de nossa vida dissoluta e desregrada, fica cheio de imagens turvas e obscuras, e quando nossa prática das virtudes negligencia, por causa de nosso desleixo na meditação e na oração, então, mesmo não engajados no mal, somos nivelados entre aqueles que deliberadamente rastejam em prazeres sensuais.
  
-6 Tão logo o bridão dos sentidos superiores é removido, nossas paixões imediatamente revoltam-se e os sentidos mais baixos, mais escravos são agitados para ação; pois quando estes últimos em sua desrazão são soltos das amarras do [[philokalia:philokalia-termos:auto:start|auto]]-controle, seus hábitos devem acender as fontes das paixões e alimentar-se delas como sementes venenosas. E enquanto prossiga o desleixo, mais fazem isto. Pois tal sendo seu apetite natural não podem refrear-se da indulgência nisto uma vez livres para assim fazer.+6 Tão logo o bridão dos sentidos superiores é removido, nossas paixões imediatamente revoltam-se e os sentidos mais baixos, mais escravos são agitados para ação; pois quando estes últimos em sua desrazão são soltos das amarras do auto-controle, seus hábitos devem acender as fontes das paixões e alimentar-se delas como sementes venenosas. E enquanto prossiga o desleixo, mais fazem isto. Pois tal sendo seu apetite natural não podem refrear-se da indulgência nisto uma vez livres para assim fazer.
  
 7 Entre os sentidos, visão e audição possuem uma certa qualidade noética e são mais inteligentes e mestres que os outros três sentidos, paladar, olfato e tato, que são irracionais e grosseiros, e dependem dos sentidos superiores. Pois primeiro vemos e ouvimos, e então, através do agenciamento da mente , apreendemos o que está diante de nós, e o cheirando, finalmente o saboreamos. Assim o paladar, o olfato e o tato são mais animalescos ou, simplesmente, mais baixos e mais dependentes que a visão e a audição. Os animais mais gulosos e lascivos, ambos domésticos e selvagens, são especialmente afligidos por eles, e dia e noite ou se enchem de comida ou se viciam em copulação. 7 Entre os sentidos, visão e audição possuem uma certa qualidade noética e são mais inteligentes e mestres que os outros três sentidos, paladar, olfato e tato, que são irracionais e grosseiros, e dependem dos sentidos superiores. Pois primeiro vemos e ouvimos, e então, através do agenciamento da mente , apreendemos o que está diante de nós, e o cheirando, finalmente o saboreamos. Assim o paladar, o olfato e o tato são mais animalescos ou, simplesmente, mais baixos e mais dependentes que a visão e a audição. Os animais mais gulosos e lascivos, ambos domésticos e selvagens, são especialmente afligidos por eles, e dia e noite ou se enchem de comida ou se viciam em copulação.
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 9. Através do intelecto, sustentador da luz da vida divina, recebemos o conhecimento dos mistérios ocultos de Deus. Através da faculdade de julgamento da alma peneiramos na luz deste conhecimento os pensamentos que levantam-se dentro do coração, distinguindo o bom do mau. Através da discriminação da inteligência saboreamos nossas imagens conceituais. Aqueles que brotam de uma raiz amarga transformamos em doce alimento para a alma, ou então as rejeitamos inteiramente; aquelas que brotam de um estoque vigoroso e virtuoso aceitamos. Desta maneira tomamos cada pensamento cativo e o fazemos obedecer Cristo (cf. 2Cor. 10,5). Através da compreensão do intelecto cheiramos o unguento espiritual da graça do Espírito Santo, nossos corações cheios de alegria e júbilo. Através da vigilância do coração conscientemente percebemos o Espírito, que refresca a chama de nosso desejo para bençãos supernais e aquece nossos poderes espirituais, embotados como foram pela frieza das paixões. 9. Através do intelecto, sustentador da luz da vida divina, recebemos o conhecimento dos mistérios ocultos de Deus. Através da faculdade de julgamento da alma peneiramos na luz deste conhecimento os pensamentos que levantam-se dentro do coração, distinguindo o bom do mau. Através da discriminação da inteligência saboreamos nossas imagens conceituais. Aqueles que brotam de uma raiz amarga transformamos em doce alimento para a alma, ou então as rejeitamos inteiramente; aquelas que brotam de um estoque vigoroso e virtuoso aceitamos. Desta maneira tomamos cada pensamento cativo e o fazemos obedecer Cristo (cf. 2Cor. 10,5). Através da compreensão do intelecto cheiramos o unguento espiritual da graça do Espírito Santo, nossos corações cheios de alegria e júbilo. Através da vigilância do coração conscientemente percebemos o Espírito, que refresca a chama de nosso desejo para bençãos supernais e aquece nossos poderes espirituais, embotados como foram pela frieza das paixões.
  
-10. Assim como no corpo existem cinco sentidos — visão, audição, paladar, olfato e tato — assim na alma existem cinco sentidos: intelecto, razão, percepção noética, conhecimento intuitivo e insight cognitivo. Esses estão unidos em três atividades psíquicas: intelecção, raciocínio e percepção noética. Por meio da intelecção apreendemos as intenções espirituais, por meio do raciocínio as interpretamos, e através da percepção noética apreendemos as imagens do insight [[biblia:figuras:divindade:divino:start|Divino]] e conhecimento espiritual.+10. Assim como no corpo existem cinco sentidos — visão, audição, paladar, olfato e tato — assim na alma existem cinco sentidos: intelecto, razão, percepção noética, conhecimento intuitivo e insight cognitivo. Esses estão unidos em três atividades psíquicas: intelecção, raciocínio e percepção noética. Por meio da intelecção apreendemos as intenções espirituais, por meio do raciocínio as interpretamos, e através da percepção noética apreendemos as imagens do insight Divino e conhecimento espiritual.
  
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