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| ===== CALLISTUS CATAPHYGIOTES ===== | ===== CALLISTUS CATAPHYGIOTES ===== |
| [[philokalia:philokalia-autores:callisto:start|Callisto]] Cataphygiotes | Callisto Cataphygiotes |
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| Seu sobrenome significa "aquele que se refugia", que vive na solidão e designa de qualquer modo um monge — [[philokalia:philokalia-termos:monos:start|monos]] —, de quem ignoramos a identidade histórica; talvez aquele referenciado nos escritos de [[philokalia:philokalia-autores:callisto:callisto-patriarca:start|Callisto Patriarca]]. quer dizer que Callisto Cataphygiotes, Callisto Patriarca e [[philokalia:philokalia-autores:callisto:callisto-xanthopoulos:start|Callisto Xanthopoulos]] sejam a mesma pessoa? Isto não é impossível, na [[evangelho-de-jesus:logia-jesus:logia-jesus:medida:start|Medida]] que suas obras , escritas no final do século XIV, pouco antes da queda do Império Bizantino, constituem o acabamento do memorial hesicasta, e também que se sobrepõem por vezes das mesmas expressões e referências indicando uma mesma tensão para a última delas. | Seu sobrenome significa "aquele que se refugia", que vive na solidão e designa de qualquer modo um monge — monos —, de quem ignoramos a identidade histórica; talvez aquele referenciado nos escritos de Callisto Patriarca. quer dizer que Callisto Cataphygiotes, Callisto Patriarca e Callisto Xanthopoulos sejam a mesma pessoa? Isto não é impossível, na Medida que suas obras , escritas no final do século XIV, pouco antes da queda do Império Bizantino, constituem o acabamento do memorial hesicasta, e também que se sobrepõem por vezes das mesmas expressões e referências indicando uma mesma tensão para a última delas. |
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| Nelas o hesicasmo se apresenta como um movimento da inteligência ([[philokalia:philokalia-termos:nous:start|nous]]) "abandonando o criado para buscar sua própria causa" e assim "alcançar a paz, entrar no infinito e no não-criado" (agenetos), onde se encontra, "mais alto que o mundo, [[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]], que é Uno", não o Uno imanente e abstrato dos neoplatônicos, mas o Uno transcendente, vivo, que significa a essência e as energias das três Pessoas divinas, como a irradiação do amor criador transmitido aos fiéis para que eles também sejam um. | Nelas o hesicasmo se apresenta como um movimento da inteligência (nous) "abandonando o criado para buscar sua própria causa" e assim "alcançar a paz, entrar no infinito e no não-criado" (agenetos), onde se encontra, "mais alto que o mundo, Deus, que é Uno", não o Uno imanente e abstrato dos neoplatônicos, mas o Uno transcendente, vivo, que significa a essência e as energias das três Pessoas divinas, como a irradiação do amor criador transmitido aos fiéis para que eles também sejam um. |
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| No entanto a ascese é rigorosa: a inteligência não pode alcançar à semelhança divina se não cessa de se dispersar nas coisas do mundo e se encontra “fora das paixões e da divisão”, em plena liberdade evangélica, a qual, diz Callisto, é “o signo evidente da adoção divina”. Logo é demandado à inteligência livre de se voltar, de não mais parar no sensível, mas de tender para o inteligível, para isto que não pode ser percebido a não ser pela [[philokalia:philokalia-termos:noera-aisthesis:start|noera aisthesis]], o sentido intelectual: o Reino de Deus no coração do mundo. | No entanto a ascese é rigorosa: a inteligência não pode alcançar à semelhança divina se não cessa de se dispersar nas coisas do mundo e se encontra “fora das paixões e da divisão”, em plena liberdade evangélica, a qual, diz Callisto, é “o signo evidente da adoção divina”. Logo é demandado à inteligência livre de se voltar, de não mais parar no sensível, mas de tender para o inteligível, para isto que não pode ser percebido a não ser pela noera aisthesis, o sentido intelectual: o Reino de Deus no coração do mundo. |
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| A mensagem filocálica é levada aqui a sua instância mais fina. Dos três componentes platônicos da alma — o desejo, o ardor e a razão —, somente a razão encontra graça e faz corpo com a inteligência “retornada”, reconduzida ela mesma à unidade e à simplicidade originais. Uma tal inteligência no estado puro só pode amar a beleza de Deus. Ela é votada ao “[[philokalia:philokalia-termos:eros:start|eros]] [[biblia:figuras:divindade:divino:start|Divino]]”, ela é “filocálica”, diz Callisto. A perspectiva é perfeitamente cristã, mas o amor é totalmente tencionado para a beleza de Deus, a atração do último é tão forte, que o discurso ;e como absorvido pelo ponto de fuga (a visão beatifica) e se anula nele. Resta então à chave o não dito: o [[biblia:figuras:nt-personagens:cristo:start|Cristo]] ressuscitado, o corpo glorioso. | A mensagem filocálica é levada aqui a sua instância mais fina. Dos três componentes platônicos da alma — o desejo, o ardor e a razão —, somente a razão encontra graça e faz corpo com a inteligência “retornada”, reconduzida ela mesma à unidade e à simplicidade originais. Uma tal inteligência no estado puro só pode amar a beleza de Deus. Ela é votada ao “eros Divino”, ela é “filocálica”, diz Callisto. A perspectiva é perfeitamente cristã, mas o amor é totalmente tencionado para a beleza de Deus, a atração do último é tão forte, que o discurso ;e como absorvido pelo ponto de fuga (a visão beatifica) e se anula nele. Resta então à chave o não dito: o Cristo ressuscitado, o corpo glorioso. |
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| Retomando as palavras do Eclesiastes, Callisto afirma que o monge contemplativo está, de toda maneira, dividido entre o tempo de se calar, que é o arrebatamento da inteligência, e o tempo de falar, que é o [[contra-reforma:combate-espiritual:start|Combate Espiritual]] e a transmissão da experiência. Mas a conclusão é imperativa: “rejuntar-se ao estado de infância”, para alcançar à condição extrema, à contemplação silenciosa do Uno oculto, “que não podem conter a natureza, o espaço e o tempo”. Este último grande texto da mensagem filocálica — seguramente um dos mais difíceis e dos mais belos — só pode ser uma apologia ao êxtase e ao silêncio. (Excertos da apresentação da versão francesa da [[philokalia:start|Philokalia]]). | Retomando as palavras do Eclesiastes, Callisto afirma que o monge contemplativo está, de toda maneira, dividido entre o tempo de se calar, que é o arrebatamento da inteligência, e o tempo de falar, que é o Combate Espiritual e a transmissão da experiência. Mas a conclusão é imperativa: “rejuntar-se ao estado de infância”, para alcançar à condição extrema, à contemplação silenciosa do Uno oculto, “que não podem conter a natureza, o espaço e o tempo”. Este último grande texto da mensagem filocálica — seguramente um dos mais difíceis e dos mais belos — só pode ser uma apologia ao êxtase e ao silêncio. (Excertos da apresentação da versão francesa da Philokalia). |
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| Excertos: | Excertos: |