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| CRISTOLOGIA — ERÍGENA | CRISTOLOGIA — ERÍGENA |
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| João [[medievo:eriugena:start|Escoto Eriugena]], ou Erígena, era irlandês, como seu nome sugere, tendo sido educado na Irlanda e na tradição céltica, recebendo também a formação clássica nas Sete Artes Liberais, com forte domínio das línguas grega e do hebraico. Embora não fosse monge ou padre, era um sábio "santus sophista Joahnnes", de acordo com seu epitáfio. | João Escoto Eriugena, ou Erígena, era irlandês, como seu nome sugere, tendo sido educado na Irlanda e na tradição céltica, recebendo também a formação clássica nas Sete Artes Liberais, com forte domínio das línguas grega e do hebraico. Embora não fosse monge ou padre, era um sábio "santus sophista Joahnnes", de acordo com seu epitáfio. |
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| Nasceu no século IX, por volta de 850 estava na França, onde ganhou reputação junto à Escola da Catedral de Laon. A primeira notícia que dele se tem foi a controvérsia sobre a predestinação agostiniana, segundo a qual os homens estavam predestinados por [[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]], à salvação ou à danação; doutrina que Eriugena classificou de "uma loucura muito cruel e estúpida". Por suas opiniões teve seu trabalho censurado e condenado pelo Sínodo de Valencia (855). | Nasceu no século IX, por volta de 850 estava na França, onde ganhou reputação junto à Escola da Catedral de Laon. A primeira notícia que dele se tem foi a controvérsia sobre a predestinação agostiniana, segundo a qual os homens estavam predestinados por Deus, à salvação ou à danação; doutrina que Eriugena classificou de "uma loucura muito cruel e estúpida". Por suas opiniões teve seu trabalho censurado e condenado pelo Sínodo de Valencia (855). |
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| Devido a seus méritos intelectuais incontestáveis, o rei da França, Carlos o Calvo, pediu que traduzisse do grego as obras de Dionísio o Areopagita. Traduzindo em seguida obras de S. [[ate-agostinho:gnissa:start|Gregório de Nissa]] e S. [[philokalia:philokalia-autores:maximo-o-confessor:start|Máximo o Confessor]]. | Devido a seus méritos intelectuais incontestáveis, o rei da França, Carlos o Calvo, pediu que traduzisse do grego as obras de Dionísio o Areopagita. Traduzindo em seguida obras de S. Gregório de Nissa e S. Máximo o Confessor. |
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| Durante essas traduções iniciou a composição de sua obra maior, Periphyseon, [[medievo:eriugena:da-divisao-da-natureza:da-divisao-da-natureza:start|Da Divisão da Natureza]]. Considerada uma síntese de teologia, filosofia, cosmologia e antropologia, segundo a mais perfeita fusão de Cristianismo e Platonismo, constituindo assim a única alternativa filosófica ao escolasticismo aristotélico, àquela época. | Durante essas traduções iniciou a composição de sua obra maior, Periphyseon, Da Divisão da Natureza. Considerada uma síntese de teologia, filosofia, cosmologia e antropologia, segundo a mais perfeita fusão de Cristianismo e Platonismo, constituindo assim a única alternativa filosófica ao escolasticismo aristotélico, àquela época. |
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| Sua obra foi marcante na tradição cristã, tendo inspirado entre outros movimentos o do [[misticismo-renano-flamengo:misticos-renano-flamengos:irmaos-do-livre-espirito:start|Irmãos do Livre Espírito]], que teve muitos de seus membros queimados pela Inquisição, como por exemplo Marguerite Porète. | Sua obra foi marcante na tradição cristã, tendo inspirado entre outros movimentos o do Irmãos do Livre Espírito, que teve muitos de seus membros queimados pela Inquisição, como por exemplo Marguerite Porète. |
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| Frithjof Schuon: ESOTERISMO COMO PRINCÍPIO E COMO VIA | Frithjof Schuon: ESOTERISMO COMO PRINCÍPIO E COMO VIA |
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| Quando se fala de esoterismo cristão, não se pode tratar de mais do que três coisas: pode tratar-se, em primeiro lugar, da [[gnosticismo:gnose:gnose:start|Gnose]] crística, fundada na pessoa, nos ensinamentos e nos dons de [[biblia:figuras:nt-personagens:cristo:start|Cristo]] e eventualmente beneficiada por conceitos platônicos, o que em metafísica não tem nada de irregular; essa gnose se manifestou especialmente, embora de maneira muito desigual, em escritos como os de [[ate-agostinho:clemente:start|Clemente de Alexandria]], [[ate-agostinho:origenes:start|Orígenes]], Dionísio, o Areopagita — ou o Teólogo ou o Místico, se preferir —, Escoto Erígena, o [[misticismo-renano-flamengo:eckhart:start|Mestre Eckhart]], [[medievo:nicolau-de-cusa:start|Nicolau de Cusa]], Jacob [[theosophos:boehme:start|Boehme]], [[contra-reforma:silesius:start|Angelus Silesius]]. A seguir, pode tratar-se de algo completamente diferente, a saber, do esoterismo greco-latino — ou do Oriente Próximo — incorporado ao cristianismo: pensamos aqui, antes de tudo, no hermetismo e nas iniciações artesanais. Neste caso, o esoterismo é mais ou menos limitado e até fragmentário, reside mais no caráter sapiencial do método — hoje perdido — do que na doutrina e no fim; a doutrina era sobretudo cosmológica e, consequentemente, o fim não ultrapassava os “pequenos mistérios” ou a perfeição horizontal, ou “primordial”, se nos referirmos às condições ideais da “idade de ouro”. De qualquer forma, esse esoterismo cosmológico ou alquímico, e “humanista” num sentido ainda legítimo — porque se tratava de devolver ao microcosmo humano a perfeição do macrocosmo sempre conforme a Deus —, esse esoterismo cosmológico cristianizado, dizemos, era essencialmente vocacional, uma vez que nem uma ciência nem uma [[estudos:iconografia:arte:start|Arte]] podem impor-se a todo o mundo; o homem escolhe uma ciência ou uma arte por razões de afinidade e qualificação, e não a priori para salvar sua alma. Estando a salvação garantida pela religião, o homem pode, a posteriori, e sobre essa mesma base, tirar proveito de seus dons e ocupações profissionais, e é até normal ou necessário que o faça quando uma ocupação ligada a um esoterismo alquímico ou artesanal se impõe a ele por qualquer motivo. (Esoterismo como princípio e como via) | Quando se fala de esoterismo cristão, não se pode tratar de mais do que três coisas: pode tratar-se, em primeiro lugar, da Gnose crística, fundada na pessoa, nos ensinamentos e nos dons de Cristo e eventualmente beneficiada por conceitos platônicos, o que em metafísica não tem nada de irregular; essa gnose se manifestou especialmente, embora de maneira muito desigual, em escritos como os de Clemente de Alexandria, Orígenes, Dionísio, o Areopagita — ou o Teólogo ou o Místico, se preferir —, Escoto Erígena, o Mestre Eckhart, Nicolau de Cusa, Jacob Boehme, Angelus Silesius. A seguir, pode tratar-se de algo completamente diferente, a saber, do esoterismo greco-latino — ou do Oriente Próximo — incorporado ao cristianismo: pensamos aqui, antes de tudo, no hermetismo e nas iniciações artesanais. Neste caso, o esoterismo é mais ou menos limitado e até fragmentário, reside mais no caráter sapiencial do método — hoje perdido — do que na doutrina e no fim; a doutrina era sobretudo cosmológica e, consequentemente, o fim não ultrapassava os “pequenos mistérios” ou a perfeição horizontal, ou “primordial”, se nos referirmos às condições ideais da “idade de ouro”. De qualquer forma, esse esoterismo cosmológico ou alquímico, e “humanista” num sentido ainda legítimo — porque se tratava de devolver ao microcosmo humano a perfeição do macrocosmo sempre conforme a Deus —, esse esoterismo cosmológico cristianizado, dizemos, era essencialmente vocacional, uma vez que nem uma ciência nem uma Arte podem impor-se a todo o mundo; o homem escolhe uma ciência ou uma arte por razões de afinidade e qualificação, e não a priori para salvar sua alma. Estando a salvação garantida pela religião, o homem pode, a posteriori, e sobre essa mesma base, tirar proveito de seus dons e ocupações profissionais, e é até normal ou necessário que o faça quando uma ocupação ligada a um esoterismo alquímico ou artesanal se impõe a ele por qualquer motivo. (Esoterismo como princípio e como via) |
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