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gnosticismo:bnh:segundo-apocalipse-de-tiago:start

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 ===== SEGUNDO APOCALIPSE DE TIAGO ===== ===== SEGUNDO APOCALIPSE DE TIAGO =====
-Biblioteca de [[gnosticismo:bnh:start|Nag Hammadi]]+Biblioteca de Nag Hammadi
 ==== O Segundo Apocalipse de Tiago (V,4) ==== ==== O Segundo Apocalipse de Tiago (V,4) ====
-Seguir-se-á este apocalipse ao primeiro, como realização de certas promessas que nele são feitas sobre o martírio de Tiago? Não é impossível. Jesus ressuscitado faz uma revelação a Tiago, que a repete em Jerusalém e que Marein, sacerdote, escreve para Teúdas, o [[estudos:ernst-benz:pai:start|Pai]] de Tiago. É difícil distinguir por meio de quem procede o discurso, ainda mais que as primeiras páginas do tratado estão mal conservadas. Em contrapartida, o texto nos apresenta dois hinos gnósticos marcados por sabor judaico-cristão. O primeiro deles está nas p. 55,15-56,13:+Seguir-se-á este apocalipse ao primeiro, como realização de certas promessas que nele são feitas sobre o martírio de Tiago? Não é impossível. Jesus ressuscitado faz uma revelação a Tiago, que a repete em Jerusalém e que Marein, sacerdote, escreve para Teúdas, o Pai de Tiago. É difícil distinguir por meio de quem procede o discurso, ainda mais que as primeiras páginas do tratado estão mal conservadas. Em contrapartida, o texto nos apresenta dois hinos gnósticos marcados por sabor judaico-cristão. O primeiro deles está nas p. 55,15-56,13:
  
 Pois tu não (és) o Salvador e o abrigo dos estrangeiros: tu (és) o resplandecente e o Salvador dos meus, que agora são os teus. Pois tu não (és) o Salvador e o abrigo dos estrangeiros: tu (és) o resplandecente e o Salvador dos meus, que agora são os teus.
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 Ele era a Luz. Ele era a Luz.
 Ele era (quem foi e) quem será, quem acabará as coisas começadas e começará as coisas acabadas. Ele era (quem foi e) quem será, quem acabará as coisas começadas e começará as coisas acabadas.
-Ele era o [[biblia:figuras:espirito-santo:start|Espírito santo]] e o invisível, aquele que não desceu à terra.+Ele era o Espírito santo e o invisível, aquele que não desceu à terra.
 Ele era a Virgem e aquilo que ele quer acontece. Ele era a Virgem e aquilo que ele quer acontece.
 Eu o vi nu, sem vestes, e aquilo que ele quer acontece. Eu o vi nu, sem vestes, e aquilo que ele quer acontece.
  
-Este hino abre o relato da [[evangelho-de-jesus:paixao:start|paixão]] de Tiago, que a tradição transmite por outros meios também (cf., por exemplo, Eusébio, Hist. Eclesiástica, 11,23 e 11,1,5). É interessante ler a versão de Nag Hammadi:+Este hino abre o relato da paixão de Tiago, que a tradição transmite por outros meios também (cf., por exemplo, Eusébio, Hist. Eclesiástica, 11,23 e 11,1,5). É interessante ler a versão de Nag Hammadi:
  
 Era (um sábado?): nesse dia, todo o povo e também a multidão estavam agitados e manifestavam sua insatisfação. Ele se levantou e saiu, falando também. E nesse dia ele entrou novamente e falou durante algumas horas. Eu estava com os sacerdotes e não manifestava o parentesco que tinha com ele porque todos diziam a uma só voz: "Vamos, lapidemos esse justo!" E eles se levantaram, dizendo: "Sim, matemos esse homem (e) que ele seja arrancado do nosso meio, pois não nos é útil para nada!" Eles estavam lá e o encontraram de pé, perto da colunata do Templo, junto da forte pedra angular. E eles decidiram lançá-lo para baixo, daquela altura, e o jogaram lá em baixo. Ora, tendo-o olhado, eles compreenderam que ele ainda (?) não estava morto, levantaram-se às pressas, vieram até ele, pegaram-no e o arrastaram pelo chão: alongaram-no (no solo), colocaram uma pedra sobre seu ventre e todos puseram os pés sobre ele, dizendo: "Te enganaste!" Mais uma vez, eles o levantaram, (ainda) vivo. Fizeram abrir um buraco, o enterraram até o ventre (e) assim o lapidaram (p. 60,26-62,12). Era (um sábado?): nesse dia, todo o povo e também a multidão estavam agitados e manifestavam sua insatisfação. Ele se levantou e saiu, falando também. E nesse dia ele entrou novamente e falou durante algumas horas. Eu estava com os sacerdotes e não manifestava o parentesco que tinha com ele porque todos diziam a uma só voz: "Vamos, lapidemos esse justo!" E eles se levantaram, dizendo: "Sim, matemos esse homem (e) que ele seja arrancado do nosso meio, pois não nos é útil para nada!" Eles estavam lá e o encontraram de pé, perto da colunata do Templo, junto da forte pedra angular. E eles decidiram lançá-lo para baixo, daquela altura, e o jogaram lá em baixo. Ora, tendo-o olhado, eles compreenderam que ele ainda (?) não estava morto, levantaram-se às pressas, vieram até ele, pegaram-no e o arrastaram pelo chão: alongaram-no (no solo), colocaram uma pedra sobre seu ventre e todos puseram os pés sobre ele, dizendo: "Te enganaste!" Mais uma vez, eles o levantaram, (ainda) vivo. Fizeram abrir um buraco, o enterraram até o ventre (e) assim o lapidaram (p. 60,26-62,12).
  
-Antes de expirar, então, Tiago recita uma maravilhosa [[oracao:start|oração]], marcada pelo ideal ascético, semelhante às [[oracao:oracao:oracoes:start|orações]] dos Atos dos Mártires. Ei-la:+Antes de expirar, então, Tiago recita uma maravilhosa oração, marcada pelo ideal ascético, semelhante às orações dos Atos dos Mártires. Ei-la:
  
-Meu [[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]] e meu Pai, que me salvaste desta esperança mortal, que me vivificaste pelo mistério desejado, não prolongues mais para mim os dias deste mundo, mas que subsista em mim o dia de tua luz, aquele que vem de ti: apressa(-o)!+Meu Deus e meu Pai, que me salvaste desta esperança mortal, que me vivificaste pelo mistério desejado, não prolongues mais para mim os dias deste mundo, mas que subsista em mim o dia de tua luz, aquele que vem de ti: apressa(-o)!
  
 Recebe-me em tua luz e salva(-me): (sê meu?) abrigo! Liberta-me deste lugar de estada provisória. Que tua graça não me abandone, mas que ela seja santa! Salva-me de morte má. Recebe-me em tua luz e salva(-me): (sê meu?) abrigo! Liberta-me deste lugar de estada provisória. Que tua graça não me abandone, mas que ela seja santa! Salva-me de morte má.
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