Ferramentas do usuário

Ferramentas do site


estudos:tanquerey:avareza:start

Diferenças

Aqui você vê as diferenças entre duas revisões dessa página.

Link para esta página de comparações

Próxima revisão
Revisão anterior
estudos:tanquerey:avareza:start [27/12/2025 11:45] – criada - edição externa 127.0.0.1estudos:tanquerey:avareza:start [11/01/2026 06:14] (atual) – edição externa 127.0.0.1
Linha 1: Linha 1:
 ===== TANQUEREY AVAREZA ===== ===== TANQUEREY AVAREZA =====
-[[estudos:tanquerey:start|Tanquerey]] — COMPÊNDIO DE TEOLOGIA MÍSTICA E ASCÉTICA+Tanquerey — COMPÊNDIO DE TEOLOGIA MÍSTICA E ASCÉTICA
 === ART. III. A avareza === === ART. III. A avareza ===
-A avareza está em conexão com a concupiscência ([[philokalia:philokalia-termos:pleonexia:start|pleonexia]][[philokalia:philokalia-termos:epithymia:start|epithymia]]) dos olhos, de que já falamos (n. 199). Exporemos: 1. a sua natureza: 2. a sua malícia; 3. os seus remédios.+A avareza está em conexão com a concupiscência (pleonexia, epithymia) dos olhos, de que já falamos (n. 199). Exporemos: 1. a sua natureza: 2. a sua malícia; 3. os seus remédios.
  
-891. 1. Natureza. A avareza é o amor desordenado dos bens da terra. Para mostrar onde se encontra a desordem da avareza, importa recordar, primeiro, o fim para que [[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]] deu ao homem os bens temporais.+891. 1. Natureza. A avareza é o amor desordenado dos bens da terra. Para mostrar onde se encontra a desordem da avareza, importa recordar, primeiro, o fim para que Deus deu ao homem os bens temporais.
  
 A) O fim, que Deus se propôs, é duplo: a nossa utilidade pessoal e a dos nossos irmãos. A) O fim, que Deus se propôs, é duplo: a nossa utilidade pessoal e a dos nossos irmãos.
Linha 12: Linha 12:
 Entre esses bens: 1) uns são necessários para o presente ou para o futuro: é um dever adquiri-los por meio do trabalho honesto; 2) os outros são úteis para aumentar gradualmente os nossos recursos, assegurar o nosso bem-estar ou o dos outros, contribuir para o bem público, favorecendo as ciências ou as artes. Não é proibido desejá-los para um fim honesto, contanto que se reserve uma parte para os pobres e para as boas obras. Entre esses bens: 1) uns são necessários para o presente ou para o futuro: é um dever adquiri-los por meio do trabalho honesto; 2) os outros são úteis para aumentar gradualmente os nossos recursos, assegurar o nosso bem-estar ou o dos outros, contribuir para o bem público, favorecendo as ciências ou as artes. Não é proibido desejá-los para um fim honesto, contanto que se reserve uma parte para os pobres e para as boas obras.
  
-b) São-nos também dados estes bens para socorrermos os nossos irmãos que estão na indigência. Somos, pois, em certa [[evangelho-de-jesus:logia-jesus:logia-jesus:medida:start|Medida]], tesoureiros da Providência, e devemos dispor do supérfluo para assistir aos pobres.+b) São-nos também dados estes bens para socorrermos os nossos irmãos que estão na indigência. Somos, pois, em certa Medida, tesoureiros da Providência, e devemos dispor do supérfluo para assistir aos pobres.
  
 892. Agora já nos é mais fácil mostrar onde se encontra a desordem no amor dos bens da terra. 892. Agora já nos é mais fácil mostrar onde se encontra a desordem no amor dos bens da terra.
  
-a) Está muitas vezes na intenção: desejam-se as riquezas, por si mesmas, como fim, ou por fins intermédios que se erigem em fim último, por exemplo, para alcançar prazeres ou honras. Parar ali, não encarar a [[evangelho-de-jesus:logia-jesus:logia-jesus:riqueza:start|Riqueza]] como meio de agenciar bens superiores, é uma espécie de idolatria, o culto do bezerro de ouro; não se vive mais que para o dinheiro.+a) Está muitas vezes na intenção: desejam-se as riquezas, por si mesmas, como fim, ou por fins intermédios que se erigem em fim último, por exemplo, para alcançar prazeres ou honras. Parar ali, não encarar a Riqueza como meio de agenciar bens superiores, é uma espécie de idolatria, o culto do bezerro de ouro; não se vive mais que para o dinheiro.
  
 b) Manifesta-se ainda na maneira de as adquirir: procuram-se com avidez, por toda a espécie de meios, com prejuízo dos direitos doutrem, com dano da saúde própria ou dos empregados, por meio de especulações temerárias, com risco de perder o fruto das próprias economias. b) Manifesta-se ainda na maneira de as adquirir: procuram-se com avidez, por toda a espécie de meios, com prejuízo dos direitos doutrem, com dano da saúde própria ou dos empregados, por meio de especulações temerárias, com risco de perder o fruto das próprias economias.
Linha 26: Linha 26:
 894. D) A civilização moderna desenvolveu outra forma do amor insaciável das riquezas, a plutocracia, a sede de chegar a ser milionário ou até bilionário, não para assegurar o seu futuro ou o de seus filhos, senão para adquirir esse poder dominador que o dinheiro conquista. Quem tem à sua disposição somas enormes, goza de grandíssima influência, exerce um poder muitas vezes mais eficaz que os governantes, é o rei do ferro, do aço, do petróleo, da finança, e manda aos soberanos como aos povos. Esta dominação do ouro degenera muitas vezes em tirania intolerável. 894. D) A civilização moderna desenvolveu outra forma do amor insaciável das riquezas, a plutocracia, a sede de chegar a ser milionário ou até bilionário, não para assegurar o seu futuro ou o de seus filhos, senão para adquirir esse poder dominador que o dinheiro conquista. Quem tem à sua disposição somas enormes, goza de grandíssima influência, exerce um poder muitas vezes mais eficaz que os governantes, é o rei do ferro, do aço, do petróleo, da finança, e manda aos soberanos como aos povos. Esta dominação do ouro degenera muitas vezes em tirania intolerável.
  
-895. 2. Sua malícia. A) A avareza é um sinal de desconfiança de Deus, que prometeu velar sobre nós com paternal solicitude, não nos deixando jamais passar falta do necessário, contanto que tenhamos confiança nele. Convida-nos a olhar para as aves do céu, que não trabalham nem fiam, não certamente para nos incitar à preguiça, senão para acalmar as nossas preocupações e nos estimular à confiança em nosso [[estudos:ernst-benz:pai:start|Pai]] celestial. Ora o avarento, em lugar de pôr a sua confiança em Deus, coloca-a na multidão das suas riquezas e faz injúria a Deus, desconfiando dele: «Ecce homo qui non posuit Deum adintorem suum, sed speravit in multitudine divitiarum suaram et praevaluit in vanitate sua. Esta desconfiança é acompanhada de excessiva confiança em si mesmo, na sua atividade pessoal: quer o homem ser a sua providência, e assim cai numa espécie de idolatria, fazendo do dinheiro o seu Deus. Ora, ninguém pode servir ao mesmo tempo a dois senhores, a Deus e à riqueza: «non potestis Deo servire et mammonae».+895. 2. Sua malícia. A) A avareza é um sinal de desconfiança de Deus, que prometeu velar sobre nós com paternal solicitude, não nos deixando jamais passar falta do necessário, contanto que tenhamos confiança nele. Convida-nos a olhar para as aves do céu, que não trabalham nem fiam, não certamente para nos incitar à preguiça, senão para acalmar as nossas preocupações e nos estimular à confiança em nosso Pai celestial. Ora o avarento, em lugar de pôr a sua confiança em Deus, coloca-a na multidão das suas riquezas e faz injúria a Deus, desconfiando dele: «Ecce homo qui non posuit Deum adintorem suum, sed speravit in multitudine divitiarum suaram et praevaluit in vanitate sua. Esta desconfiança é acompanhada de excessiva confiança em si mesmo, na sua atividade pessoal: quer o homem ser a sua providência, e assim cai numa espécie de idolatria, fazendo do dinheiro o seu Deus. Ora, ninguém pode servir ao mesmo tempo a dois senhores, a Deus e à riqueza: «non potestis Deo servire et mammonae».
  
 É, pois, grave de sua natureza este pecado, pelas razões que acabamos de indicar; é-o também, sempre que leva a faltar aos deveres graves da justiça, peles meios fraudulentos que porventura se empreguem, para adquirir e reter a riqueza; da caridade, quando se não dão as esmolas necessárias; da religião, quando alguém se deixa de tal modo absorver pelos negócios que menospreza os deveres religiosos. —. Não passa, porém, de pecado venial, quando nos não leva a faltar a qualquer das grandes virtudes cristãs, nem muito menos aos deveres para com Deus. É, pois, grave de sua natureza este pecado, pelas razões que acabamos de indicar; é-o também, sempre que leva a faltar aos deveres graves da justiça, peles meios fraudulentos que porventura se empreguem, para adquirir e reter a riqueza; da caridade, quando se não dão as esmolas necessárias; da religião, quando alguém se deixa de tal modo absorver pelos negócios que menospreza os deveres religiosos. —. Não passa, porém, de pecado venial, quando nos não leva a faltar a qualquer das grandes virtudes cristãs, nem muito menos aos deveres para com Deus.
Linha 32: Linha 32:
 896. B) Sob o aspecto da perfeição, é gravíssimo obstáculo o amor desordenado das riquezas. 896. B) Sob o aspecto da perfeição, é gravíssimo obstáculo o amor desordenado das riquezas.
  
-a) É [[evangelho-de-jesus:paixao:start|paixão]] que tende a suplantar a Deus em nosso coração: este coração, que é templo de Deus, é invadido por toda a sorte de desejos inflamados das coisas da terra, de inquietações, de preocupações absorventes. Ora, para nos unirmos a Deus, é mister desprender o coração de qualquer criatura ou preocupação terrena; porque Deus quer «todo o espírito, todo o coração, todo o tempo e todas as forças de suas pobres criaturas». — É sobretudo necessário esvaziá-lo do orgulho; ora o apego às riquezas desenvolve esse orgulho, porque o homem tem mais confiança nos bens terrenos que em Deus. Deixar prender o coração ao dinheiro é, pois, levantar um obstáculo ao amor de Deus; porque onde está o nosso tesoiro lá está também o nosso coração: «ubi thesaurus vester, ibi et cor vestrum erit». Desprendê-lo é abrir a Deus a porta do coração: uma alma despojada dos bens da terra é rica do próprio Deus: toto Deo dives est.+a) É paixão que tende a suplantar a Deus em nosso coração: este coração, que é templo de Deus, é invadido por toda a sorte de desejos inflamados das coisas da terra, de inquietações, de preocupações absorventes. Ora, para nos unirmos a Deus, é mister desprender o coração de qualquer criatura ou preocupação terrena; porque Deus quer «todo o espírito, todo o coração, todo o tempo e todas as forças de suas pobres criaturas». — É sobretudo necessário esvaziá-lo do orgulho; ora o apego às riquezas desenvolve esse orgulho, porque o homem tem mais confiança nos bens terrenos que em Deus. Deixar prender o coração ao dinheiro é, pois, levantar um obstáculo ao amor de Deus; porque onde está o nosso tesoiro lá está também o nosso coração: «ubi thesaurus vester, ibi et cor vestrum erit». Desprendê-lo é abrir a Deus a porta do coração: uma alma despojada dos bens da terra é rica do próprio Deus: toto Deo dives est.
  
 b) A avareza conduz igualmente à mortificação e à sensualidade: quem tem dinheiro e o ama, quer gozar dele e comprar com ele muitos prazeres; ou então, se se priva desses prazeres, é para apegar o coração ao dinheiro. Em ambos os casos, é sempre um ídolo que nos afasta de Deus. Importa, pois, combater esta triste inclinação. b) A avareza conduz igualmente à mortificação e à sensualidade: quem tem dinheiro e o ama, quer gozar dele e comprar com ele muitos prazeres; ou então, se se priva desses prazeres, é para apegar o coração ao dinheiro. Em ambos os casos, é sempre um ídolo que nos afasta de Deus. Importa, pois, combater esta triste inclinação.
  
-{{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}+{{indexmenu>.#1|tsort nsort}}
  
/home/mccastro/public_html/cristologia/data/attic/estudos/tanquerey/avareza/start.1766853927.txt.gz · Última modificação: por 127.0.0.1

Exceto onde for informado ao contrário, o conteúdo neste wiki está sob a seguinte licença: Public Domain
Public Domain Donate Powered by PHP Valid HTML5 Valid CSS Driven by DokuWiki