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| ===== NOTHOMB CRIAR ===== | ===== NOTHOMB CRIAR ===== |
| [[estudos:nothomb:start|Paul Nothomb]] — TÚNICAS DE CEGO | Paul Nothomb — TÚNICAS DE CEGO |
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| VIDE: CRIAR ANIMAIS; CRIAR HOMEM; CRIAR PARA FAZER | VIDE: CRIAR ANIMAIS; CRIAR HOMEM; CRIAR PARA FAZER |
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| Para distinguir notadamente o “criar” [[biblia:figuras:divindade:divino:start|Divino]], Nothomb sempre que utiliza este [[biblia:figuras:verbo:start|Verbo]] o faz com a primeira letra maiúscula, denotando uma obra exclusiva do Criador, e assim seguindo de perto o sentido do verbo hebreu 'BR do qual só [[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]] pode ser o sujeito. Mas que quer dizer “Criar”, como já se menciona no RELATO DOS SEIS DIAS na abertura da “Criação”? | Para distinguir notadamente o “criar” Divino, Nothomb sempre que utiliza este Verbo o faz com a primeira letra maiúscula, denotando uma obra exclusiva do Criador, e assim seguindo de perto o sentido do verbo hebreu 'BR do qual só Deus pode ser o sujeito. Mas que quer dizer “Criar”, como já se menciona no RELATO DOS SEIS DIAS na abertura da “Criação”? |
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| Interessante verificar que nas traduções o verbo “criar” neste RELATO é pouco frequente. Diz-se “Deus disse”, “Deus fez” ([[philokalia:philokalia-termos:poiein:start|poiein]]), “Deus fez crescer”, “Deus criou” é quase uma exceção. Só no primeiro verso, e no vigésimo-primeiro, a tradução fala “criar” enquanto nos demais versículos relatando o desdobramento dos quatro primeiros dos seis “dias” da Criação, não se fala em “criar”, nem a luz, nem o firmamento, nem os astros, nem as plantas, mas que Deus os “fez” (poiein) ou os “fez fazer”, ou, no caso da luz, que sua palavra foi suficiente a suscitá-la (“Deus disse”). | Interessante verificar que nas traduções o verbo “criar” neste RELATO é pouco frequente. Diz-se “Deus disse”, “Deus fez” (poiein), “Deus fez crescer”, “Deus criou” é quase uma exceção. Só no primeiro verso, e no vigésimo-primeiro, a tradução fala “criar” enquanto nos demais versículos relatando o desdobramento dos quatro primeiros dos seis “dias” da Criação, não se fala em “criar”, nem a luz, nem o firmamento, nem os astros, nem as plantas, mas que Deus os “fez” (poiein) ou os “fez fazer”, ou, no caso da luz, que sua palavra foi suficiente a suscitá-la (“Deus disse”). |
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| No entanto neste texto capital de toda tradição judaico-cristã, onde nenhuma palavra nem seu lugar no texto são escolhidos ao acaso, o verbo traduzido por “criar” (como se tratasse de “criar um modelo”) não é sinônimo de “fazer” nem de “fazer fazer” nem exprime a realização, a passagem ao ato do programa que Deus se fixou para cada um destes “dias” simbólicos, anunciando cada vez suas intenções. | No entanto neste texto capital de toda tradição judaico-cristã, onde nenhuma palavra nem seu lugar no texto são escolhidos ao acaso, o verbo traduzido por “criar” (como se tratasse de “criar um modelo”) não é sinônimo de “fazer” nem de “fazer fazer” nem exprime a realização, a passagem ao ato do programa que Deus se fixou para cada um destes “dias” simbólicos, anunciando cada vez suas intenções. |
| O Criar da sequência inicial concerne o conjunto do processo que vai descrever o RELATO e não sua primeira etapa, assim como “os céus e a terra” designa o mundo ainda em projeto — trate-se a princípio de um título ou como sugere wp-fr:Rachi, de uma proposição subordinada, que se deveria traduzir: “Quando Deus começou a Criar o mundo”. Dito de outro modo, tende a um fim, uma meta que é anunciada aqui em seu início. É este fim, este coroamento, é a Criatura última, a última do sexto dia que o último dia da Criação, e cuja vinda à existência é saudada no texto por um triplo “criou” como o buquê de um fogo de artifício sobre a obra completada (Gen 1,27) | O Criar da sequência inicial concerne o conjunto do processo que vai descrever o RELATO e não sua primeira etapa, assim como “os céus e a terra” designa o mundo ainda em projeto — trate-se a princípio de um título ou como sugere wp-fr:Rachi, de uma proposição subordinada, que se deveria traduzir: “Quando Deus começou a Criar o mundo”. Dito de outro modo, tende a um fim, uma meta que é anunciada aqui em seu início. É este fim, este coroamento, é a Criatura última, a última do sexto dia que o último dia da Criação, e cuja vinda à existência é saudada no texto por um triplo “criou” como o buquê de um fogo de artifício sobre a obra completada (Gen 1,27) |
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| O “Criou” do versículo 1 anuncia portanto o triplo “Criou” do versículo 27 e indica o sentido, o fio condutor que subtende toda a obra divina, segundo a “[[biblia:bo:start|Bíblia das Origens]]”, Deus não Cria o mundo senão em vistas do Homem, ele só programa as etapas e só as realiza com vistas ao Homem três vezes “Criado”, e é esta intenção, esta particularidade que orienta desde o início a Criação. O antropocentrismo flagrante da “Bíblia das Origens” é proclamado por este “Criou” desde a primeira linha. | O “Criou” do versículo 1 anuncia portanto o triplo “Criou” do versículo 27 e indica o sentido, o fio condutor que subtende toda a obra divina, segundo a “Bíblia das Origens”, Deus não Cria o mundo senão em vistas do Homem, ele só programa as etapas e só as realiza com vistas ao Homem três vezes “Criado”, e é esta intenção, esta particularidade que orienta desde o início a Criação. O antropocentrismo flagrante da “Bíblia das Origens” é proclamado por este “Criou” desde a primeira linha. |
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| Mas então se objetará talvez, que vem fazer o “Criou” do versículo 21, que nada tem de aparentemente antropocêntrico, ao contrário? Não surge subitamente no texto, vinte versículos depois do primeiro, a respeito dos peixes (aos quais estão associados os pássaros) muito mais próximos do Homem que os “animais terrestres” que os seguem e que, eles, não têm direito ao “criar”? Não é dito que o sexto dia, justo antes de Criar o Homem por três vezes, Deus “fez” os animais terrestres, como “fez” o firmamento e os astros? Como se o texto empregasse arbitrariamente ora “Criar” e ora “fazer” ou ainda perífrases para dizer a mesma coisa. Como se não fosse o verbo que contasse mas o fato que Deus disto é sempre o sujeito, e se afirma assim neste RELATO como o único Criador? | Mas então se objetará talvez, que vem fazer o “Criou” do versículo 21, que nada tem de aparentemente antropocêntrico, ao contrário? Não surge subitamente no texto, vinte versículos depois do primeiro, a respeito dos peixes (aos quais estão associados os pássaros) muito mais próximos do Homem que os “animais terrestres” que os seguem e que, eles, não têm direito ao “criar”? Não é dito que o sexto dia, justo antes de Criar o Homem por três vezes, Deus “fez” os animais terrestres, como “fez” o firmamento e os astros? Como se o texto empregasse arbitrariamente ora “Criar” e ora “fazer” ou ainda perífrases para dizer a mesma coisa. Como se não fosse o verbo que contasse mas o fato que Deus disto é sempre o sujeito, e se afirma assim neste RELATO como o único Criador? |
| As marcas distintivas da forma ordinária do “causativo” hebreu desaparecem na forma reduzida do “incompleto” que utiliza o estilo narrativo deste relato, em particular os versículos 7, 16 e 25, onde Deus é sujeito de WY'SS (apócope incompleta de 'SSH, “fazer”). Da mesma forma nos versículo 4 e 7, quando é dito em nossas bíblias que Deus “separou”, a apócope incompleta WYBDL, de BDL, “separar”, pode ser lida “fez separar”. | As marcas distintivas da forma ordinária do “causativo” hebreu desaparecem na forma reduzida do “incompleto” que utiliza o estilo narrativo deste relato, em particular os versículos 7, 16 e 25, onde Deus é sujeito de WY'SS (apócope incompleta de 'SSH, “fazer”). Da mesma forma nos versículo 4 e 7, quando é dito em nossas bíblias que Deus “separou”, a apócope incompleta WYBDL, de BDL, “separar”, pode ser lida “fez separar”. |
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