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 ===== MOPSIK ENOQUE ===== ===== MOPSIK ENOQUE =====
-CABALA — [[biblia:tipologia:enoque:start|Enoque]]+CABALA — Enoque
  
-[[estudos:mopsik:start|Charles Mopsik]]: LE LIVRE HÉBREU D'HÉNOCH, OU LIVRE DES PALAIS+Charles Mopsik: LE LIVRE HÉBREU D'HÉNOCH, OU LIVRE DES PALAIS
  
 O HOMEM ENOQUE NO GÊNESIS E SUAS INTERPRETAÇÕES O HOMEM ENOQUE NO GÊNESIS E SUAS INTERPRETAÇÕES
  
-Dois versos apenas do Gênesis suscitam desde muito tempo uma legítima emoção junto aos teólogos preocupados com a coerência da história santa. O capítulo 3 do livro do Gênesis expõe o processo que levou o homem para fora do Paraíso e introduziu a morte. Desde então, os profetas anunciaram e prometeram uma redenção para o final dos tempos e o retorno escatológico ao estado de Adão antes do pecado. Para os cristãos esta redenção já foi aportada pelo [[biblia:figuras:nt-personagens:cristo:start|Cristo]], a partir do qual é possível ao homem recuperar sua condição primeira. Os [[evangelho-de-jesus:evangelho-personagens:judeus:start|Judeus]] aguardam ainda a realização das promessas proféticas. Ora antes mesmo do episódio do [[biblia:tipologia:noe:diluvio:start|Dilúvio]], o Gênesis nos apresenta um homem para quem a esperança da imortalidade e o retorno à condição adâmica inicial já tinha sido efetivamente realizada. No entanto, os termos do relato bíblico são bastante imprecisos para deixar lugar à leituras mais contraditórias. Citemos a princípio o texto em questão:+Dois versos apenas do Gênesis suscitam desde muito tempo uma legítima emoção junto aos teólogos preocupados com a coerência da história santa. O capítulo 3 do livro do Gênesis expõe o processo que levou o homem para fora do Paraíso e introduziu a morte. Desde então, os profetas anunciaram e prometeram uma redenção para o final dos tempos e o retorno escatológico ao estado de Adão antes do pecado. Para os cristãos esta redenção já foi aportada pelo Cristo, a partir do qual é possível ao homem recuperar sua condição primeira. Os Judeus aguardam ainda a realização das promessas proféticas. Ora antes mesmo do episódio do Dilúvio, o Gênesis nos apresenta um homem para quem a esperança da imortalidade e o retorno à condição adâmica inicial já tinha sido efetivamente realizada. No entanto, os termos do relato bíblico são bastante imprecisos para deixar lugar à leituras mais contraditórias. Citemos a princípio o texto em questão:
  
-“Quando Enoque tinha vivido sessenta cinco anos, engendrou Matusalém. Depois que engendrou Matusalém, Enoque andou com [[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]] trezentos anos, e engendrou filhos e filhas. Os dias de Enoque foram ao todo trezentos e sessenta e cinco anos. Enoque andou com Deus, pois ele não mais estava aí, pois Deus o tinha tomado” (Gn 5, 21-24).+“Quando Enoque tinha vivido sessenta cinco anos, engendrou Matusalém. Depois que engendrou Matusalém, Enoque andou com Deus trezentos anos, e engendrou filhos e filhas. Os dias de Enoque foram ao todo trezentos e sessenta e cinco anos. Enoque andou com Deus, pois ele não mais estava aí, pois Deus o tinha tomado” (Gn 5, 21-24).
  
 Duas séries de tradições exegéticas contraditórias querem dar conta desta notícia breve e enigmática. As fontes mais antigas mantém Enoque por um justo que mereceu um destino fora do comum. As fontes rabínicas, mais tardias, se dividem em duas correntes. Aquelas que admitem — até enriquecem — as pinturas dos textos antigos favoráveis a Enoque e aqueles que o consideram como um ímpio, morto como todos os outros homens. Refiramo-nos primeiro a estas últimas. A mais importante encontra-se no Midrach Rabba sobre o Gênesis (25,1): Duas séries de tradições exegéticas contraditórias querem dar conta desta notícia breve e enigmática. As fontes mais antigas mantém Enoque por um justo que mereceu um destino fora do comum. As fontes rabínicas, mais tardias, se dividem em duas correntes. Aquelas que admitem — até enriquecem — as pinturas dos textos antigos favoráveis a Enoque e aqueles que o consideram como um ímpio, morto como todos os outros homens. Refiramo-nos primeiro a estas últimas. A mais importante encontra-se no Midrach Rabba sobre o Gênesis (25,1):
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 Se Enoque representa o homem perfeito e imortal, e isso de certa maneira desde o texto do Gênesis 5,24, sua angelomorfose que sucedeu a sua elevação celeste descrita em III Enoque (c. 4-15) se explica facilmente: Deus tinha inicialmente dado a Adão o estatuto de um arcanjo no Jardim do Éden — todas as fontes judaicas, pseudepígrafes mais rabínicas estão de acordo neste ponto — e como Enoque restaurou esta condição adâmica primordial, ele foi entronado naturalmente entre os coortes angélicos. Sua identificação com o chefes dos seres celestes traduz o processo de transformação regrada sobre a lógica da interpretação. Se Enoque representa o homem perfeito e imortal, e isso de certa maneira desde o texto do Gênesis 5,24, sua angelomorfose que sucedeu a sua elevação celeste descrita em III Enoque (c. 4-15) se explica facilmente: Deus tinha inicialmente dado a Adão o estatuto de um arcanjo no Jardim do Éden — todas as fontes judaicas, pseudepígrafes mais rabínicas estão de acordo neste ponto — e como Enoque restaurou esta condição adâmica primordial, ele foi entronado naturalmente entre os coortes angélicos. Sua identificação com o chefes dos seres celestes traduz o processo de transformação regrada sobre a lógica da interpretação.
  
-Nos permitimos a este respeito propor uma hipótese suplementar quanto a etimologia do nome Metatron, o Enoque transfigurado. Já existe toda uma série, cada uma foi duramente discutida e criticada. Uma das mais célebres consiste a dar ao nome Metatron o sentido de “assistente do trono” (meta-tronos). Com a maior prudência, nos arriscamos a tentar este perigoso exercício. Pode-se considerar que este nome é formado de uma raiz principal, “mtt” e de um sufixo padrão, “ron” que entra na composição de muitos nomes de anjos nos escritos judeus angelológicos: Adiriron, Sanegoron, etc.. Neste caso, a parte do nome Metatron que poderia ter um sentido preciso reconhecível seria a primeira, composta das três consoantes “mtt” (as letras hebraicas mem, tet, tet) A origem grega (ou latina) deste nome não escapa a ninguém. Ora na versão da [[biblia:at:septuaginta:start|Septuaginta]] do Gênesis 5,24 (“pois (Enoque) tinha sido tomado”), como na versão grega de Siracida 44,16, o [[biblia:figuras:verbo:start|Verbo]] hebreu “laqah” (tomar) é apresentado pelas formas “meteteken”, “metatitema”, do verbo “metetete”, que significa “transportar, transferir”; é possível imaginar que as três consoantes formam a parte significativa do nome Metatron, “mtt”, transponham o grego "metetete" sob uma forma ou outra. Este nome significaria então “aquele que foi transferido” e estaria em relação direta com Enoque e seu arrebatamento. Esta solução, lançamos aos críticos, sem segurança nem garantia.+Nos permitimos a este respeito propor uma hipótese suplementar quanto a etimologia do nome Metatron, o Enoque transfigurado. Já existe toda uma série, cada uma foi duramente discutida e criticada. Uma das mais célebres consiste a dar ao nome Metatron o sentido de “assistente do trono” (meta-tronos). Com a maior prudência, nos arriscamos a tentar este perigoso exercício. Pode-se considerar que este nome é formado de uma raiz principal, “mtt” e de um sufixo padrão, “ron” que entra na composição de muitos nomes de anjos nos escritos judeus angelológicos: Adiriron, Sanegoron, etc.. Neste caso, a parte do nome Metatron que poderia ter um sentido preciso reconhecível seria a primeira, composta das três consoantes “mtt” (as letras hebraicas mem, tet, tet) A origem grega (ou latina) deste nome não escapa a ninguém. Ora na versão da Septuaginta do Gênesis 5,24 (“pois (Enoque) tinha sido tomado”), como na versão grega de Siracida 44,16, o Verbo hebreu “laqah” (tomar) é apresentado pelas formas “meteteken”, “metatitema”, do verbo “metetete”, que significa “transportar, transferir”; é possível imaginar que as três consoantes formam a parte significativa do nome Metatron, “mtt”, transponham o grego "metetete" sob uma forma ou outra. Este nome significaria então “aquele que foi transferido” e estaria em relação direta com Enoque e seu arrebatamento. Esta solução, lançamos aos críticos, sem segurança nem garantia.
  
-Outra etimologia interessante foi proposta por G. Stroumsa em seu artigo citado acima, que considera a raiz de Metaron é o grego “metron”,[[evangelho-de-jesus:logia-jesus:logia-jesus:medida:start|Medida]], ou o latim “metator”, o mensurador. Metatron disponibiliza com efeito as medias do Tamanho do corpo [[biblia:figuras:divindade:divino:start|Divino]] (o chour qoma) em vários escritos da literatura dos Palácios e poderia mesmo ter sido identificado a este corpo de dimensões extraordinárias. Se tal é o caso, pode-se ver em uma passagem do profeta Zacarias a fonte bíblica possível destas especulações. No capítulo 2, versículo 6, Zacarias percebe em visão um anjo tendo em sua mão uma corda de medir e preparando para avaliar o comprimento e a largura da Jerusalém futura. Este anjo pode ser identificado ao “anjo do Senhor” do capítulo 1, vv. 11-12, assim como ao anjo intérprete que conversa com o visionário (v. 9ss). Além do mais, este anjo agrimensor é denominado no v. 8 do capítulo 2, “jovem homem” ou “adolescente” (“na'ar”), e este nome será uma denominação muito frequente de Metatron nos escritos da Mercaba. Uma leitura destes versículos — embora de interpretação difícil — pode fornecer imagens e termos que foram associados ao anjo Metatron e estar na base deste nome, que se poderia então ser vertido em português por Agrimensor.+Outra etimologia interessante foi proposta por G. Stroumsa em seu artigo citado acima, que considera a raiz de Metaron é o grego “metron”, a Medida, ou o latim “metator”, o mensurador. Metatron disponibiliza com efeito as medias do Tamanho do corpo Divino (o chour qoma) em vários escritos da literatura dos Palácios e poderia mesmo ter sido identificado a este corpo de dimensões extraordinárias. Se tal é o caso, pode-se ver em uma passagem do profeta Zacarias a fonte bíblica possível destas especulações. No capítulo 2, versículo 6, Zacarias percebe em visão um anjo tendo em sua mão uma corda de medir e preparando para avaliar o comprimento e a largura da Jerusalém futura. Este anjo pode ser identificado ao “anjo do Senhor” do capítulo 1, vv. 11-12, assim como ao anjo intérprete que conversa com o visionário (v. 9ss). Além do mais, este anjo agrimensor é denominado no v. 8 do capítulo 2, “jovem homem” ou “adolescente” (“na'ar”), e este nome será uma denominação muito frequente de Metatron nos escritos da Mercaba. Uma leitura destes versículos — embora de interpretação difícil — pode fornecer imagens e termos que foram associados ao anjo Metatron e estar na base deste nome, que se poderia então ser vertido em português por Agrimensor.
  
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