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 ===== MERTON RACIOCINIO ===== ===== MERTON RACIOCINIO =====
-Thomas [[estudos:merton:start|Merton]] — Ascensão para a Verdade+Thomas Merton — Ascensão para a Verdade
 === A RAZÃO E RACIOCÍNIO === === A RAZÃO E RACIOCÍNIO ===
-A ascese interior que S. [[contra-reforma:joao-da-cruz:start|João da Cruz]] exige da razão, é impraticável sem o mais alto heroísmo sobrenatural. Ela quer da razão uma fidelidade inviolável à fé, capaz de rejeitar o apelo dramático de cada estímulo sobrenatural que tender mais à glorificação da pessoa do que ao puro serviço de [[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]]. É um sacrifício da inteligência, mas ao mesmo tempo, a mais alta maneira de exercê-la; pois é o que protege a alma contra a ilusão.+A ascese interior que S. João da Cruz exige da razão, é impraticável sem o mais alto heroísmo sobrenatural. Ela quer da razão uma fidelidade inviolável à fé, capaz de rejeitar o apelo dramático de cada estímulo sobrenatural que tender mais à glorificação da pessoa do que ao puro serviço de Deus. É um sacrifício da inteligência, mas ao mesmo tempo, a mais alta maneira de exercê-la; pois é o que protege a alma contra a ilusão.
  
 S. João da Cruz é severo na sua crítica a contemplativos demais prontos a aceitar todas as mensagens interiores, isto é, todas as palavras e sentenças que parecem formar-se passivamente como se lhes fossem ditas em voz clara por Deus ou algum anjo. S. João da Cruz é severo na sua crítica a contemplativos demais prontos a aceitar todas as mensagens interiores, isto é, todas as palavras e sentenças que parecem formar-se passivamente como se lhes fossem ditas em voz clara por Deus ou algum anjo.
  
-S. João não cuida de saber se tais locuções podem ou não ser conexas com alguma graça realmente sobrenatural. Ele está convencido de que o hábito de recebê-las complacentemente é um obstáculo sério ao progresso na [[oracao:start|oração]]. Isso surpreenderá aqueles cuja leitura espiritual consiste principalmente em revelações e mensagens supostamente feitas por Nosso Senhor e seus santos e a mulheres piedosas. S. João declararia que, mesmo estando esses místicos de boa fé, muitas das mensagens supostamente celestes, vinham, de fato, deles mesmos. "O desejo de locuções, diz ele, e o prazer que elas trazem ao espírito, faz que muitos se respondam a si mesmos, pensando que é Deus que lhes fala. Cometem, assim, grandes desatinos se não se impõem um freio. . . Conheci uma pessoa que tinha essas sucessivas locuções, entre as quais algumas eram autênticas verdades, mas outras não passavam de heresia."+S. João não cuida de saber se tais locuções podem ou não ser conexas com alguma graça realmente sobrenatural. Ele está convencido de que o hábito de recebê-las complacentemente é um obstáculo sério ao progresso na oração. Isso surpreenderá aqueles cuja leitura espiritual consiste principalmente em revelações e mensagens supostamente feitas por Nosso Senhor e seus santos e a mulheres piedosas. S. João declararia que, mesmo estando esses místicos de boa fé, muitas das mensagens supostamente celestes, vinham, de fato, deles mesmos. "O desejo de locuções, diz ele, e o prazer que elas trazem ao espírito, faz que muitos se respondam a si mesmos, pensando que é Deus que lhes fala. Cometem, assim, grandes desatinos se não se impõem um freio. . . Conheci uma pessoa que tinha essas sucessivas locuções, entre as quais algumas eram autênticas verdades, mas outras não passavam de heresia."
  
 O santo explica, em seguida porque se devem rejeitar, mesmo quando possam parecer verdadeiras, essas locuções. Criam na alma uma desnecessária atmosfera de atividade, em vez de deixá-la quieta para receber as inspirações realmente capazes de levar à união divina. Estas não são sentidas à maneira de palavras, pois a graça as inspira diretamente nas profundezas da alma. A seguinte passagem nos mostra que a razão deve cooperar com a graça, guardando a alma submissa à pura fé: O santo explica, em seguida porque se devem rejeitar, mesmo quando possam parecer verdadeiras, essas locuções. Criam na alma uma desnecessária atmosfera de atividade, em vez de deixá-la quieta para receber as inspirações realmente capazes de levar à união divina. Estas não são sentidas à maneira de palavras, pois a graça as inspira diretamente nas profundezas da alma. A seguinte passagem nos mostra que a razão deve cooperar com a graça, guardando a alma submissa à pura fé:
  
-"[[biblia:figuras:espirito-santo:start|Espírito Santo]] ilumina o entendimento recolhido, e o ilumina segundo o modo do seu recolhimento. E o entendimento não pode encontrar maior recolhimento cio que na fé. E assim é na fé que o Espírito Santo o iluminará mais. Pois quanto mais pura e esmerada estiver a alma na fé, mais ela tem a caridade infusa de Deus. E quanto mais caridade tiver, mais será iluminada e enriquecida dos dons do Espírito Santo, porque a caridade é o meio e a causa da comunicação dos dons."+"O Espírito Santo ilumina o entendimento recolhido, e o ilumina segundo o modo do seu recolhimento. E o entendimento não pode encontrar maior recolhimento cio que na fé. E assim é na fé que o Espírito Santo o iluminará mais. Pois quanto mais pura e esmerada estiver a alma na fé, mais ela tem a caridade infusa de Deus. E quanto mais caridade tiver, mais será iluminada e enriquecida dos dons do Espírito Santo, porque a caridade é o meio e a causa da comunicação dos dons."
  
-Essa luminosa passagem serviria de resumo à mística de S. João da Cruz. Mostra-nos com a maior clareza a função da razão na vida mística: guardar a alma pura e recolhida na fé. Guardar o olhar da inteligência exposto à luz da verdade revelada, em vez de deixá-la a distrair-se com experiência emocionais de caracter mais espetacular e pessoal. Por que isso? porque a luz da fé abre caminho à caridade infusa. A santidade consiste na caridade, e quanto mais crescermos nela, mais o Espírito trabalha com as suas inspirações que nos levam à união divina, que é a perfeição da caridade. O santo conclui fazendo uma distinção entre a ação do Espírito através de locuções e a sua ação pelas virtudes teologais e os donos. Diz ele: "De uma maneira (por locuções) comunica-se à alma a sabedoria relativa a uma ou duas verdades, mas da outra comunica-se-lhe toda a sabedoria de Deus em geral, a qual é o [[biblia:figuras:pai-mae-filho:filho:start|Filho]] de Deus, que se dá à alma na fé".+Essa luminosa passagem serviria de resumo à mística de S. João da Cruz. Mostra-nos com a maior clareza a função da razão na vida mística: guardar a alma pura e recolhida na fé. Guardar o olhar da inteligência exposto à luz da verdade revelada, em vez de deixá-la a distrair-se com experiência emocionais de caracter mais espetacular e pessoal. Por que isso? porque a luz da fé abre caminho à caridade infusa. A santidade consiste na caridade, e quanto mais crescermos nela, mais o Espírito trabalha com as suas inspirações que nos levam à união divina, que é a perfeição da caridade. O santo conclui fazendo uma distinção entre a ação do Espírito através de locuções e a sua ação pelas virtudes teologais e os donos. Diz ele: "De uma maneira (por locuções) comunica-se à alma a sabedoria relativa a uma ou duas verdades, mas da outra comunica-se-lhe toda a sabedoria de Deus em geral, a qual é o Filho de Deus, que se dá à alma na fé".
  
-Deixarei por ora sem comentários este enunciado, a fim de não interromper o trabalho que resta a fazer no presente tópico. Veremos mais tarde um pouco mais desta comunicação do [[biblia:figuras:verbo:start|Verbo]] pela fé.+Deixarei por ora sem comentários este enunciado, a fim de não interromper o trabalho que resta a fazer no presente tópico. Veremos mais tarde um pouco mais desta comunicação do Verbo pela fé.
  
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