Ferramentas do usuário

Ferramentas do site


estudos:merton:monte-carmelo:quietude:start

Diferenças

Aqui você vê as diferenças entre duas revisões dessa página.

Link para esta página de comparações

Ambos lados da revisão anteriorRevisão anterior
estudos:merton:monte-carmelo:quietude:start [10/01/2026 15:51] mccastroestudos:merton:monte-carmelo:quietude:start [11/01/2026 06:14] (atual) – edição externa 127.0.0.1
Linha 1: Linha 1:
 ===== MERTON QUIETUDE ===== ===== MERTON QUIETUDE =====
-Thomas [[estudos:merton:start|Merton]] — Ascensão para a Verdade+Thomas Merton — Ascensão para a Verdade
 === A INTELIGÊNCIA NA ORAÇÃO DE QUIETUDE === === A INTELIGÊNCIA NA ORAÇÃO DE QUIETUDE ===
-S. [[contra-reforma:joao-da-cruz:start|João da Cruz]] e S. Teresa nos deixaram estudos minuciosos dos caminhos da [[oracao:start|oração]] contemplativa. Mais do que qualquer outro místico, eles nos descreveram os pormenores práticos de nossa cooperação com o Espírito de [[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]] no grau de oração que aqui nos interessa. Ambos acham que na Noite dos sentidos e na oração de Quietude, as faculdades da alma são de algum modo passivas. Mas concordam também em que elas ainda são livres de agir, podendo ajudar ou estorvar a ação de Deus. Pensam igualmente que para ajudar a obra da graça, as faculdades devem pôr-se em uma atividade muito simplificada, que na hora da oração passiva, consiste em não fazer outro esforço senão conservar-nos passivos. Fora do tempo da oração, podem fazer mais. Mas é, de qualquer modo, mortificante manter a alma num estado de atenta receptividade durante os primeiros passos da oração passiva quando a graça age quase sem se fazer sentir e a imaginação é solicitada por muitas distrações.+S. João da Cruz e S. Teresa nos deixaram estudos minuciosos dos caminhos da oração contemplativa. Mais do que qualquer outro místico, eles nos descreveram os pormenores práticos de nossa cooperação com o Espírito de Deus no grau de oração que aqui nos interessa. Ambos acham que na Noite dos sentidos e na oração de Quietude, as faculdades da alma são de algum modo passivas. Mas concordam também em que elas ainda são livres de agir, podendo ajudar ou estorvar a ação de Deus. Pensam igualmente que para ajudar a obra da graça, as faculdades devem pôr-se em uma atividade muito simplificada, que na hora da oração passiva, consiste em não fazer outro esforço senão conservar-nos passivos. Fora do tempo da oração, podem fazer mais. Mas é, de qualquer modo, mortificante manter a alma num estado de atenta receptividade durante os primeiros passos da oração passiva quando a graça age quase sem se fazer sentir e a imaginação é solicitada por muitas distrações.
  
 Quero aqui resumir um importante capítulo na vida de S. Teresa. Ele nos diz o que a nossa alma pode e deve fazer na oração de quietude. Quero aqui resumir um importante capítulo na vida de S. Teresa. Ele nos diz o que a nossa alma pode e deve fazer na oração de quietude.
Linha 12: Linha 12:
 São passivas, isto é, nada podem fazer nem para adquirir esta bênção, nem para conservá-la. É um puro dom de Deus. Não é produzido por nenhuma técnica deliberada. Os nossos esforços só podem dispor-nos a recebê-lo como uma dádiva. É por isto que a oração de quietude pode ser distinta dos paralelos naturais da experiência mística, ao alcance do esforço do homem. A alma pode tornar-se recolhida à custa dos próprios esforços, concentrando-se em si mesma numa experiência profundamente repousante. Mesmo o amor humano pode às vezes produzir esse efeito, embora seja mais apto a gerar a inquietude do que a paz. A alma que adquiriu um alto grau ascético de recolhimento é capaz de produzir voluntariamente uma reflexão intelectual sobre o ser metafísico de Deus presente em seu íntimo. Isso pode às vezes ser realçado por uma inspiração natural do gênero a que já nos referimos ao falar da intuição metafísica do ser. Na oração da quietude, a experiência é algo de maior. A alma inteira sente-se iluminada, vitalizada, erguida a um novo plano do ser, e livre, até certo ponto, das limitações materiais. Ela tem um extraordinário senso de lucidez e de liberdade, como um adolescente que acaba de sair da aula ou um pássaro que fugiu da gaiola,. Mas acima de tudo isso, está a divina Realidade em que esta experiência se passa. Não é pelo pensamento ou a reflexão que a alma chegou a Deus, nem é por um conceito que O apreende. Contudo, ela está "n'Ele", nadando em sua luz, envolvida numa nuvem de ouro. E o fator essencial desta experiência é o descobrimento de Deus, que se revela à alma em sua imanência e transcendência. Tudo que a alma experimenta tem origem neste mistério central, que Deus está em todas as coisas e na alma, mas é, apesar disto, infinitamente acima da alma e de todas as coisas. São passivas, isto é, nada podem fazer nem para adquirir esta bênção, nem para conservá-la. É um puro dom de Deus. Não é produzido por nenhuma técnica deliberada. Os nossos esforços só podem dispor-nos a recebê-lo como uma dádiva. É por isto que a oração de quietude pode ser distinta dos paralelos naturais da experiência mística, ao alcance do esforço do homem. A alma pode tornar-se recolhida à custa dos próprios esforços, concentrando-se em si mesma numa experiência profundamente repousante. Mesmo o amor humano pode às vezes produzir esse efeito, embora seja mais apto a gerar a inquietude do que a paz. A alma que adquiriu um alto grau ascético de recolhimento é capaz de produzir voluntariamente uma reflexão intelectual sobre o ser metafísico de Deus presente em seu íntimo. Isso pode às vezes ser realçado por uma inspiração natural do gênero a que já nos referimos ao falar da intuição metafísica do ser. Na oração da quietude, a experiência é algo de maior. A alma inteira sente-se iluminada, vitalizada, erguida a um novo plano do ser, e livre, até certo ponto, das limitações materiais. Ela tem um extraordinário senso de lucidez e de liberdade, como um adolescente que acaba de sair da aula ou um pássaro que fugiu da gaiola,. Mas acima de tudo isso, está a divina Realidade em que esta experiência se passa. Não é pelo pensamento ou a reflexão que a alma chegou a Deus, nem é por um conceito que O apreende. Contudo, ela está "n'Ele", nadando em sua luz, envolvida numa nuvem de ouro. E o fator essencial desta experiência é o descobrimento de Deus, que se revela à alma em sua imanência e transcendência. Tudo que a alma experimenta tem origem neste mistério central, que Deus está em todas as coisas e na alma, mas é, apesar disto, infinitamente acima da alma e de todas as coisas.
  
-E agora, ainda um pouco de S. Teresa. Ela zomba das pessoas que gozaram deste prazer e depois tentam recapturá-lo por seus próprios esforços. Mas ela o faz com muita bondade, porque, afinal de contas, também fora um deles. Os principiantes na oração recebem este admirável sentimento interior. Não ousam mais mover-se. Param transfixados, de olhos fechados, mal ousando respirar, com medo que tudo se desvaneça. Ou então, logo que a [[misticismo-renano-flamengo:misticos-renano-flamengos:paralelos-renano-flamengos:centelha:start|Centelha]] do amor é acesa em seu coração, põem-se a empilhar lenha para a fogueira, multiplicando inúteis raciocínios e ocas considerações, que sem demora sufocam o fogo. E S. Teresa resume a sua opinião sobre a inutilidade de nossos esforços para adquirir este grau de oração:+E agora, ainda um pouco de S. Teresa. Ela zomba das pessoas que gozaram deste prazer e depois tentam recapturá-lo por seus próprios esforços. Mas ela o faz com muita bondade, porque, afinal de contas, também fora um deles. Os principiantes na oração recebem este admirável sentimento interior. Não ousam mais mover-se. Param transfixados, de olhos fechados, mal ousando respirar, com medo que tudo se desvaneça. Ou então, logo que a Centelha do amor é acesa em seu coração, põem-se a empilhar lenha para a fogueira, multiplicando inúteis raciocínios e ocas considerações, que sem demora sufocam o fogo. E S. Teresa resume a sua opinião sobre a inutilidade de nossos esforços para adquirir este grau de oração:
  
 "Estranha forma de crença é esta que, quando Deus quer que um sapo vôe Ele espera que o faça por seus próprios esforços. . . Nossas almas são agravadas pela terra e por mil impedimentos, e o fato de quererem voar, não lhes adianta nada, pois, embora o vôo lhes venha mais naturalmente a elas do que a um sapo, elas são tão completamente mergulhadas no logo que perderam toda a capacidade". "Estranha forma de crença é esta que, quando Deus quer que um sapo vôe Ele espera que o faça por seus próprios esforços. . . Nossas almas são agravadas pela terra e por mil impedimentos, e o fato de quererem voar, não lhes adianta nada, pois, embora o vôo lhes venha mais naturalmente a elas do que a um sapo, elas são tão completamente mergulhadas no logo que perderam toda a capacidade".
/home/mccastro/public_html/cristologia/data/pages/estudos/merton/monte-carmelo/quietude/start.txt · Última modificação: por 127.0.0.1

Exceto onde for informado ao contrário, o conteúdo neste wiki está sob a seguinte licença: Public Domain
Public Domain Donate Powered by PHP Valid HTML5 Valid CSS Driven by DokuWiki