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estudos:merton:monte-carmelo:instinto:start

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 ===== MERTON INSTINTO ===== ===== MERTON INSTINTO =====
-THOMAS [[estudos:merton:start|Merton]] — ASCENSÃO PARA A VERDADE+THOMAS Merton — ASCENSÃO PARA A VERDADE
 === ENTRE O INSTINTO E A INSPIRAÇÃO === === ENTRE O INSTINTO E A INSPIRAÇÃO ===
-Começa a ficar clara a relação precisa da razão à vida mística. A razão tem papel tão importante na vida do homem, que a sua felicidade sobrenatural depende, de algum modo, dela. A razão empunha a chave da vida mística. [[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]] a pôs em suas mãos. Isto não quer dizer que é pelo pensamento e o estudo que encontramos o caminho da mística. Nem que a vida virtuosa que aperfeiçoa a razão, possa, estritamente, merecer graças de [[oracao:start|oração]] infusa ou divina união. Não é também uma elevação da razão a um alto grau de eficácia em sua própria ordem, com lúcido discurso e brilhantes intuições da verdade.+Começa a ficar clara a relação precisa da razão à vida mística. A razão tem papel tão importante na vida do homem, que a sua felicidade sobrenatural depende, de algum modo, dela. A razão empunha a chave da vida mística. Deus a pôs em suas mãos. Isto não quer dizer que é pelo pensamento e o estudo que encontramos o caminho da mística. Nem que a vida virtuosa que aperfeiçoa a razão, possa, estritamente, merecer graças de oração infusa ou divina união. Não é também uma elevação da razão a um alto grau de eficácia em sua própria ordem, com lúcido discurso e brilhantes intuições da verdade.
  
-Para S. Gregório Nazianzeno, a alma do homem espiritual — do místico — é um instrumento tocado pelo [[biblia:figuras:espirito-santo:start|Espírito Santo]]: organum pulsatum a Spiritu Sancto. O Espírito tira desse órgão harmonias e melodias que a razão e a vontade humana sozinhas nem poderiam sonhar. É esta música, a vibrar nas afinadas cordas de uma perfeita personalidade humana, que faz o homem santo. É quando harmonias especiais são tiradas de um instrumento humano, que o Espírito Santo forma um contemplativo. Qual a parte da razão nesse canto silencioso que Deus canta para Si e para o eleito na alma mística? A função da razão não é tocar o instrumento, mas afinar-lhe as cordas. O Maestro não quer perder tempo com essa operação. . . Ele ensina a razão, e a deixa trabalhar. Se depois encontra o instrumento desafinado, não perde tempo em tocar. Experimenta uma corda e vai-se embora. O pior é que geralmente o afinador fica o dia inteiro a bater no teclado, 'sem se dispor a fazer o que devia: manter em ordem a afinação.+Para S. Gregório Nazianzeno, a alma do homem espiritual — do místico — é um instrumento tocado pelo Espírito Santo: organum pulsatum a Spiritu Sancto. O Espírito tira desse órgão harmonias e melodias que a razão e a vontade humana sozinhas nem poderiam sonhar. É esta música, a vibrar nas afinadas cordas de uma perfeita personalidade humana, que faz o homem santo. É quando harmonias especiais são tiradas de um instrumento humano, que o Espírito Santo forma um contemplativo. Qual a parte da razão nesse canto silencioso que Deus canta para Si e para o eleito na alma mística? A função da razão não é tocar o instrumento, mas afinar-lhe as cordas. O Maestro não quer perder tempo com essa operação. . . Ele ensina a razão, e a deixa trabalhar. Se depois encontra o instrumento desafinado, não perde tempo em tocar. Experimenta uma corda e vai-se embora. O pior é que geralmente o afinador fica o dia inteiro a bater no teclado, 'sem se dispor a fazer o que devia: manter em ordem a afinação.
  
 Isso exige muita discreção e delicadeza de alma. As cordas não devem ser nem esticadas, nem afrouxadas demais. É à razão que compete medir a dose de renúncia necessária para guardar todas as faculdades da alma atentas ao teclado dedilhado por Deus. Aqui já estamos num nível sobrenatural. Sem a graça, sem as virtudes infusas, a razão não conseguiria nada. Expliquemos o que acontece. Isso exige muita discreção e delicadeza de alma. As cordas não devem ser nem esticadas, nem afrouxadas demais. É à razão que compete medir a dose de renúncia necessária para guardar todas as faculdades da alma atentas ao teclado dedilhado por Deus. Aqui já estamos num nível sobrenatural. Sem a graça, sem as virtudes infusas, a razão não conseguiria nada. Expliquemos o que acontece.
  
-O que, a meu ver, compete à razão para conservar a afinação da alma com a graça, pode resumir-se a um processo de eliminação em que todo movimento desordenado da [[evangelho-de-jesus:paixao:start|paixão]] e do instinto é julgado e rejeitado. A alma que é madura na ascese cristã é como a orelha sensível de um músico. O asceta medíocre é o que, moralmente falando, nem sabe quando abaixou. Mortificações excêntricas são tentativas de cantar acima do tom daclo por Deus. Têm o efeito de uma voz gritando no meio de um coro desafinado, onde só o órgão tocasse certo.+O que, a meu ver, compete à razão para conservar a afinação da alma com a graça, pode resumir-se a um processo de eliminação em que todo movimento desordenado da paixão e do instinto é julgado e rejeitado. A alma que é madura na ascese cristã é como a orelha sensível de um músico. O asceta medíocre é o que, moralmente falando, nem sabe quando abaixou. Mortificações excêntricas são tentativas de cantar acima do tom daclo por Deus. Têm o efeito de uma voz gritando no meio de um coro desafinado, onde só o órgão tocasse certo.
  
 Tudo isso repete o que já dissemos: que a razão dispõe a alma para a união passiva com Deus, através do trabalho de "discreção". Há outro termo para isto: o discernimento de espíritos. A tarefa da razão iluminada pela graça e aperfeiçoada pelas virtudes infusas, é assegurar a clara distinção entre a tentação e a luz da graça, entre força da emoção e o instinto de amor sobrenatural, entre as fantasias da imaginação e as luzes do Espírito Santo. Os movimentos sobrenaturais de luz e amor que nos chegam num nível natural pelas inspirações da graça ordinária, ajudam a razão em sua função conatural de aperfeiçoar a alma na virtude, isto é, de conservá-la no tom. Mas acima desse nível, há outro equipamento de faculdades pertencentes ao mesmo organismo unificado da graça. São hábitos que aperfeiçoam a ação da alma num nível mais alto do que o de seu modo natural. São os chamados Dons do Espírito Santo. É quando a alma é dominada e conduzida por especiais inspirações de Deus, através desses Dons, que vive o que se chama uma vida mística. Tudo isso repete o que já dissemos: que a razão dispõe a alma para a união passiva com Deus, através do trabalho de "discreção". Há outro termo para isto: o discernimento de espíritos. A tarefa da razão iluminada pela graça e aperfeiçoada pelas virtudes infusas, é assegurar a clara distinção entre a tentação e a luz da graça, entre força da emoção e o instinto de amor sobrenatural, entre as fantasias da imaginação e as luzes do Espírito Santo. Os movimentos sobrenaturais de luz e amor que nos chegam num nível natural pelas inspirações da graça ordinária, ajudam a razão em sua função conatural de aperfeiçoar a alma na virtude, isto é, de conservá-la no tom. Mas acima desse nível, há outro equipamento de faculdades pertencentes ao mesmo organismo unificado da graça. São hábitos que aperfeiçoam a ação da alma num nível mais alto do que o de seu modo natural. São os chamados Dons do Espírito Santo. É quando a alma é dominada e conduzida por especiais inspirações de Deus, através desses Dons, que vive o que se chama uma vida mística.
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