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| ===== ADVENTO JUIZO ===== | ===== ADVENTO JUIZO ===== |
| THOMAS [[estudos:merton:start|Merton]] — TEMPO E LITURGIA | THOMAS Merton — TEMPO E LITURGIA |
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| O SACRAMENTO DO ADVENTO NA ESPIRITUALIDADE DE SÃO BERNARDO (cont.) | O SACRAMENTO DO ADVENTO NA ESPIRITUALIDADE DE SÃO BERNARDO (cont.) |
| ADVENTO E JUÍZO | ADVENTO E JUÍZO |
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| Embora [[biblia:figuras:nt-personagens:cristo:start|Cristo]] não venha ao mundo para julgá-lo, o mundo é julgado por sua própria resposta à revelação do amor misericordioso de [[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]] na [[evangelho-de-jesus:encarnacao:start|Encarnação]]. Deus amou tanto o mundo que deu o seu [[biblia:figuras:pai-mae-filho:filho:start|Filho]] único a fim de que todos que cressem n'Ele não perecessem, mas tivessem a [[philokalia:larchet:morte-tradicao-ortodoxa:vida-eterna:start|Vida Eterna]]. Não envia Ele seu Filho ao mundo para julgá-lo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem n'Ele crê não é julgado. Mas os que n'Ele não crêem já estão julgados (Jo 3,6-19). Na véspera de sua [[evangelho-de-jesus:paixao:start|Paixão]], no momento de entrar na sua "hora", exclama Jesus: "Agora é o julgamento do mundo". A palavra julgamento, nesse contexto, é um abismo de luz e trevas. Parece implicar, ao mesmo tempo, condenação e salvação, rejeição e justificação. E, de fato, é assim, pois o "mundo", no sentido daqueles que se opõem a Cristo, se julga e se condena, julgando e condenando Aquele que é a "luz do mundo" (Jo 3,19; 12,46; 8,12). Mas o "mundo", no sentido daqueles para quem Jesus é o Salvador (Jo 4,42), é salvo de fato pelo julgamento que condena à morte o Redentor e, assim, paga o preço do resgate pelos pecados do mundo. Por isso, Jesus acrescenta imediatamente à declaração de que, "agora, o mundo vai ser julgado" esta outra de que, "agora, o príncipe deste mundo será lançado fora", como consequência direta desse "julgamento". Assim, em realidade, o julgamento do mundo é, ao mesmo tempo, a salvação dos que O recebem e a condenação dos que O rejeitam. Por isso, São Bernardo diz que devemos entrar em julgamento conosco e decidirmos a que lado pertencer. | Embora Cristo não venha ao mundo para julgá-lo, o mundo é julgado por sua própria resposta à revelação do amor misericordioso de Deus na Encarnação. Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho único a fim de que todos que cressem n'Ele não perecessem, mas tivessem a Vida Eterna. Não envia Ele seu Filho ao mundo para julgá-lo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem n'Ele crê não é julgado. Mas os que n'Ele não crêem já estão julgados (Jo 3,6-19). Na véspera de sua Paixão, no momento de entrar na sua "hora", exclama Jesus: "Agora é o julgamento do mundo". A palavra julgamento, nesse contexto, é um abismo de luz e trevas. Parece implicar, ao mesmo tempo, condenação e salvação, rejeição e justificação. E, de fato, é assim, pois o "mundo", no sentido daqueles que se opõem a Cristo, se julga e se condena, julgando e condenando Aquele que é a "luz do mundo" (Jo 3,19; 12,46; 8,12). Mas o "mundo", no sentido daqueles para quem Jesus é o Salvador (Jo 4,42), é salvo de fato pelo julgamento que condena à morte o Redentor e, assim, paga o preço do resgate pelos pecados do mundo. Por isso, Jesus acrescenta imediatamente à declaração de que, "agora, o mundo vai ser julgado" esta outra de que, "agora, o príncipe deste mundo será lançado fora", como consequência direta desse "julgamento". Assim, em realidade, o julgamento do mundo é, ao mesmo tempo, a salvação dos que O recebem e a condenação dos que O rejeitam. Por isso, São Bernardo diz que devemos entrar em julgamento conosco e decidirmos a que lado pertencer. |
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| São Bernardo expõe essa ideia num trecho notavelmente condensado e substancioso, falando da recusa de Acaz quanto ao sinal oferecido por Deus, pelo ministério de Isaías. Acaz recusa pedir um sinal a Deus, conquanto tenha sido instruído por Deus a fazê-lo por intermédio do profeta. Comentando essa desobediência, São Bernardo aproxima Isaías, [[biblia:tipologia:jo:start|Jó]], Provérbios, São Paulo e o Evangelho. É um exemplo típico da versatilidade de São Bernardo no emprego da Escritura. O ouvido sensível de Bernardo podia perceber o [[biblia:figuras:espirito-santo:start|Espírito Santo]] falando simultaneamente pela boca de todos os Escritores sagrados, para nos dar a mesma mensagem em formas diferentes e contrastantes. | São Bernardo expõe essa ideia num trecho notavelmente condensado e substancioso, falando da recusa de Acaz quanto ao sinal oferecido por Deus, pelo ministério de Isaías. Acaz recusa pedir um sinal a Deus, conquanto tenha sido instruído por Deus a fazê-lo por intermédio do profeta. Comentando essa desobediência, São Bernardo aproxima Isaías, Jó, Provérbios, São Paulo e o Evangelho. É um exemplo típico da versatilidade de São Bernardo no emprego da Escritura. O ouvido sensível de Bernardo podia perceber o Espírito Santo falando simultaneamente pela boca de todos os Escritores sagrados, para nos dar a mesma mensagem em formas diferentes e contrastantes. |
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| A figura de Acaz funde-se com a de Herodes. As palavras de Isaías se tornam palavras do próprio Cristo. São Paulo fornece um fundo de comentário teológico ao diálogo dessas figuras. | A figura de Acaz funde-se com a de Herodes. As palavras de Isaías se tornam palavras do próprio Cristo. São Paulo fornece um fundo de comentário teológico ao diálogo dessas figuras. |
| Ainda que Acaz recuse um sinal do poder de Deus (vindo do alto), ou da sua sabedoria (no abismo), dá-lhe Deus, no entanto, um sinal de sua misericórdia, para que aqueles que ficassem aterrorizados pelo seu poder ou sua sabedoria pudessem ser atraídos por seu amor. | Ainda que Acaz recuse um sinal do poder de Deus (vindo do alto), ou da sua sabedoria (no abismo), dá-lhe Deus, no entanto, um sinal de sua misericórdia, para que aqueles que ficassem aterrorizados pelo seu poder ou sua sabedoria pudessem ser atraídos por seu amor. |
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| E, no entanto, este "novo sinal" é simplesmente uma variante dos dois sinais completos, oferecidos a Acaz. Pois a caridade do Senhor que reina no mais alto dos céus em plena majestade O trouxe às profundezas do inferno, precipitando-o das alturas, na forma de um servo, por nosso amor, mas unicamente para unir-nos a Ele, a fim de "tudo restaurar em Cristo", e "elevar-nos com Ele até o céu". Aqui, também, nessas passagens da Escritura, encontramos, como em toda parte, a [[estudos:merton:bernardo-advento:pascha-christi:start|Pascha Christi]] que é o Mistério e o Sacramento do Advento. | E, no entanto, este "novo sinal" é simplesmente uma variante dos dois sinais completos, oferecidos a Acaz. Pois a caridade do Senhor que reina no mais alto dos céus em plena majestade O trouxe às profundezas do inferno, precipitando-o das alturas, na forma de um servo, por nosso amor, mas unicamente para unir-nos a Ele, a fim de "tudo restaurar em Cristo", e "elevar-nos com Ele até o céu". Aqui, também, nessas passagens da Escritura, encontramos, como em toda parte, a Pascha Christi que é o Mistério e o Sacramento do Advento. |
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| Assim, declara São Bernardo, proclamando o mistério e tornando manifesto o sentido do sinal, o próprio Deus vos dará um sinal no qual sua majestade e sua caridade serão manifestadas. Eis que uma Virgem conceberá e dará à luz um Filho e seu nome será Emanuel, que significa "Deus conosco". Adão, não fujas! Pois Deus está conosco! Não temas, ó Homem, não tremas ao ouvir o nome de Deus, pois Deus está conosco. Está conosco na semelhança de nossa carne mortal; está conosco na unidade. | Assim, declara São Bernardo, proclamando o mistério e tornando manifesto o sentido do sinal, o próprio Deus vos dará um sinal no qual sua majestade e sua caridade serão manifestadas. Eis que uma Virgem conceberá e dará à luz um Filho e seu nome será Emanuel, que significa "Deus conosco". Adão, não fujas! Pois Deus está conosco! Não temas, ó Homem, não tremas ao ouvir o nome de Deus, pois Deus está conosco. Está conosco na semelhança de nossa carne mortal; está conosco na unidade. |