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| No panorama do "retorno", percebe-se uma lacuna evidente que a mística ortodoxa, com sua distinção entre Criador e criaturas, consegue contornar facilmente. Já a mística panteísta tem grande dificuldade em superá-la. Se, como sugerem alguns textos de Silesius, a união definitiva levasse a alma a um estado anterior ao tempo, idêntico ao gozado no seio [[biblia:figuras:divindade:divino:start|Divino]], a própria ideia de criação se tornaria incompreensível. | No panorama do "retorno", percebe-se uma lacuna evidente que a mística ortodoxa, com sua distinção entre Criador e criaturas, consegue contornar facilmente. Já a mística panteísta tem grande dificuldade em superá-la. Se, como sugerem alguns textos de Silesius, a união definitiva levasse a alma a um estado anterior ao tempo, idêntico ao gozado no seio Divino, a própria ideia de criação se tornaria incompreensível. |
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| Se o mal e o pecado são a individuação, confirmada pela vontade humana em sua autonomia, qual seria o ponto de partida dessa individuação para a alma humana? Se [[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]] permitiu a emergência do homem em sua singularidade, então Deus seria o criador do mal. Se o homem, por sua vez, realizou esse ato de autocriação demoníaca, estabelecendo sua existência autônoma como pura negatividade, então o homem seria o Deus-demônio, o princípio do mal no Ser, autônomo e independente de Deus. | Se o mal e o pecado são a individuação, confirmada pela vontade humana em sua autonomia, qual seria o ponto de partida dessa individuação para a alma humana? Se Deus permitiu a emergência do homem em sua singularidade, então Deus seria o criador do mal. Se o homem, por sua vez, realizou esse ato de autocriação demoníaca, estabelecendo sua existência autônoma como pura negatividade, então o homem seria o Deus-demônio, o princípio do mal no Ser, autônomo e independente de Deus. |
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| Em outras palavras, ao atribuir realidade ao homem e, ao mesmo tempo, identificar o mal com a realidade humana, o místico panteísta cai em um abismo que a teologia cristã sempre buscou evitar. A teologia cristã atribui ao mal uma existência meramente privativa. Tratar o mal como um Ser implica reconhecer Deus como seu criador ou admitir um anti-Deus que, embora não manche a bondade divina, aniquilaria sua onipotência e "monopólio" no Ser. Ambas as alternativas são inaceitáveis, mas a doutrina de Silesius e a mística a ela relacionada inevitavelmente se veem nessa situação. | Em outras palavras, ao atribuir realidade ao homem e, ao mesmo tempo, identificar o mal com a realidade humana, o místico panteísta cai em um abismo que a teologia cristã sempre buscou evitar. A teologia cristã atribui ao mal uma existência meramente privativa. Tratar o mal como um Ser implica reconhecer Deus como seu criador ou admitir um anti-Deus que, embora não manche a bondade divina, aniquilaria sua onipotência e "monopólio" no Ser. Ambas as alternativas são inaceitáveis, mas a doutrina de Silesius e a mística a ela relacionada inevitavelmente se veem nessa situação. |