estudos:kolakowski:retorno-a-deus-e-o-mal:start

Diferenças

Aqui você vê as diferenças entre duas revisões dessa página.

Link para esta página de comparações

Ambos lados da revisão anteriorRevisão anterior
estudos:kolakowski:retorno-a-deus-e-o-mal:start [10/01/2026 15:51] mccastroestudos:kolakowski:retorno-a-deus-e-o-mal:start [11/01/2026 06:14] (atual) – edição externa 127.0.0.1
Linha 2: Linha 2:
 LKCE LKCE
  
-No panorama do "retorno", percebe-se uma lacuna evidente que a mística ortodoxa, com sua distinção entre Criador e criaturas, consegue contornar facilmente. Já a mística panteísta tem grande dificuldade em superá-la. Se, como sugerem alguns textos de Silesius, a união definitiva levasse a alma a um estado anterior ao tempo, idêntico ao gozado no seio [[biblia:figuras:divindade:divino:start|Divino]], a própria ideia de criação se tornaria incompreensível.+No panorama do "retorno", percebe-se uma lacuna evidente que a mística ortodoxa, com sua distinção entre Criador e criaturas, consegue contornar facilmente. Já a mística panteísta tem grande dificuldade em superá-la. Se, como sugerem alguns textos de Silesius, a união definitiva levasse a alma a um estado anterior ao tempo, idêntico ao gozado no seio Divino, a própria ideia de criação se tornaria incompreensível.
  
-Se o mal e o pecado são a individuação, confirmada pela vontade humana em sua autonomia, qual seria o ponto de partida dessa individuação para a alma humana? Se [[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]] permitiu a emergência do homem em sua singularidade, então Deus seria o criador do mal. Se o homem, por sua vez, realizou esse ato de autocriação demoníaca, estabelecendo sua existência autônoma como pura negatividade, então o homem seria o Deus-demônio, o princípio do mal no Ser, autônomo e independente de Deus.+Se o mal e o pecado são a individuação, confirmada pela vontade humana em sua autonomia, qual seria o ponto de partida dessa individuação para a alma humana? Se Deus permitiu a emergência do homem em sua singularidade, então Deus seria o criador do mal. Se o homem, por sua vez, realizou esse ato de autocriação demoníaca, estabelecendo sua existência autônoma como pura negatividade, então o homem seria o Deus-demônio, o princípio do mal no Ser, autônomo e independente de Deus.
  
 Em outras palavras, ao atribuir realidade ao homem e, ao mesmo tempo, identificar o mal com a realidade humana, o místico panteísta cai em um abismo que a teologia cristã sempre buscou evitar. A teologia cristã atribui ao mal uma existência meramente privativa. Tratar o mal como um Ser implica reconhecer Deus como seu criador ou admitir um anti-Deus que, embora não manche a bondade divina, aniquilaria sua onipotência e "monopólio" no Ser. Ambas as alternativas são inaceitáveis, mas a doutrina de Silesius e a mística a ela relacionada inevitavelmente se veem nessa situação. Em outras palavras, ao atribuir realidade ao homem e, ao mesmo tempo, identificar o mal com a realidade humana, o místico panteísta cai em um abismo que a teologia cristã sempre buscou evitar. A teologia cristã atribui ao mal uma existência meramente privativa. Tratar o mal como um Ser implica reconhecer Deus como seu criador ou admitir um anti-Deus que, embora não manche a bondade divina, aniquilaria sua onipotência e "monopólio" no Ser. Ambas as alternativas são inaceitáveis, mas a doutrina de Silesius e a mística a ela relacionada inevitavelmente se veem nessa situação.
/home/mccastro/public_html/cristologia/data/pages/estudos/kolakowski/retorno-a-deus-e-o-mal/start.txt · Última modificação: por 127.0.0.1

Exceto onde for informado ao contrário, o conteúdo neste wiki está sob a seguinte licença: Public Domain
Public Domain Donate Powered by PHP Valid HTML5 Valid CSS Driven by DokuWiki