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estudos:kolakowski:pluralidade-de-tradicoes:start

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-Esforçamo-nos para demonstrar que essas duas imagens do mundo ou esses dois gêneros de misticismo – maniqueísta e neoplatônico – interferem no pensamento de Silesius (além de uma terceira imagem, a ortodoxa, que provém da tradição de São Bernardo e Santa Teresa e que se expressa no Terceiro e parcialmente no Quarto Livro do Peregrino). Não é difícil separar os dísticos "heterodoxos" do poeta para distinguir entre aqueles que expressam elementos comuns a essas duas imagens da [[biblia:figuras:divindade:start|Divindade]] e aqueles que só se tornam compreensíveis considerando um ou outro tipo de mística, e que, se confrontados, parecem em flagrante desacordo.+Esforçamo-nos para demonstrar que essas duas imagens do mundo ou esses dois gêneros de misticismo – maniqueísta e neoplatônico – interferem no pensamento de Silesius (além de uma terceira imagem, a ortodoxa, que provém da tradição de São Bernardo e Santa Teresa e que se expressa no Terceiro e parcialmente no Quarto Livro do Peregrino). Não é difícil separar os dísticos "heterodoxos" do poeta para distinguir entre aqueles que expressam elementos comuns a essas duas imagens da Divindade e aqueles que só se tornam compreensíveis considerando um ou outro tipo de mística, e que, se confrontados, parecem em flagrante desacordo.
  
-É claro que o procedimento que tentamos exemplificar é, até certo ponto, uma operação artificial: ele revela no texto duas estruturas diferentes e contraditórias entre si, embora Silesius certamente não estivesse consciente de que elas estavam simultaneamente presentes em seu pensamento. Contudo, é apenas através da revelação dessa construção dupla (na verdade tripla) do mundo, na visão de Silesius, que podemos esperar compreender o conjunto. Essa circunstância, que os exegetas do poeta parecem não ter notado, não explica tudo, obviamente; ela apenas assinala a presença de duas (três) tradições diferentes, que emergem alternadamente do texto. Uma delas pode ser "mais" ligada ao nome de Eckhart, a outra, "mais" ao de Jacob [[theosophos:boehme:start|Boehme]]; devemos, porém, reconhecer que seria difícil descobrir, na história, uma ou outra dessas tradições em sua forma absolutamente pura; na maioria das vezes, nós as encontramos, como no caso de Silesius, misturadas entre si. A tarefa, então, é buscar qual dessas estruturas predomina; discerni-las, portanto, é, até certo ponto, uma atividade que molda e cria instrumentos analíticos, úteis para tornar inteligíveis os fatos históricos, e não instrumentos revelados na história como fato puro.+É claro que o procedimento que tentamos exemplificar é, até certo ponto, uma operação artificial: ele revela no texto duas estruturas diferentes e contraditórias entre si, embora Silesius certamente não estivesse consciente de que elas estavam simultaneamente presentes em seu pensamento. Contudo, é apenas através da revelação dessa construção dupla (na verdade tripla) do mundo, na visão de Silesius, que podemos esperar compreender o conjunto. Essa circunstância, que os exegetas do poeta parecem não ter notado, não explica tudo, obviamente; ela apenas assinala a presença de duas (três) tradições diferentes, que emergem alternadamente do texto. Uma delas pode ser "mais" ligada ao nome de Eckhart, a outra, "mais" ao de Jacob Boehme; devemos, porém, reconhecer que seria difícil descobrir, na história, uma ou outra dessas tradições em sua forma absolutamente pura; na maioria das vezes, nós as encontramos, como no caso de Silesius, misturadas entre si. A tarefa, então, é buscar qual dessas estruturas predomina; discerni-las, portanto, é, até certo ponto, uma atividade que molda e cria instrumentos analíticos, úteis para tornar inteligíveis os fatos históricos, e não instrumentos revelados na história como fato puro.
  
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