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| Essa tendência geral (reforçada, sob o ângulo doutrinal, pelo fato de que o que afastava particularmente os espirituais da Reforma era a teoria da justificação e a ideia de predestinação, pontos nos quais o catolicismo parecia ser mais favorável aos seus gostos) não explica, contudo, nenhum caso particular; da mesma forma, a lei da gravitação não explica o fato de eu ter quebrado um copo ao soltá-lo. Poderíamos entender que um católico de nascimento pudesse, se tivesse tendências semelhantes às de Silesius, permanecer na Igreja; seu pensamento religioso não explica absolutamente sua conversão; não é condição suficiente para ela. | Essa tendência geral (reforçada, sob o ângulo doutrinal, pelo fato de que o que afastava particularmente os espirituais da Reforma era a teoria da justificação e a ideia de predestinação, pontos nos quais o catolicismo parecia ser mais favorável aos seus gostos) não explica, contudo, nenhum caso particular; da mesma forma, a lei da gravitação não explica o fato de eu ter quebrado um copo ao soltá-lo. Poderíamos entender que um católico de nascimento pudesse, se tivesse tendências semelhantes às de Silesius, permanecer na Igreja; seu pensamento religioso não explica absolutamente sua conversão; não é condição suficiente para ela. |
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| Temos todas as razões para supor que Silesius-o-católico representa uma das muitas conquistas da técnica jesuíta que, em vez de exigir imediatamente uma conversão completa da alma errante, adaptava, ao contrário, a cada vez, a religião às necessidades do pecador, e supunha de antemão que havia conformidade entre a fé e a situação individual daquele que ela convertia, a fim de dirigir seus passos, posteriormente, progressivamente e suavemente, em uma direção conforme aos interesses da Companhia. A [[estudos:iconografia:arte:start|Arte]] de educar as almas, técnica perfeitamente desenvolvida pelos jesuítas, supunha que a Igreja pode tirar proveito de cada uma delas, se souber se colocar a trabalhar; que, verdadeiramente, todos os caminhos levam a Roma; que mesmo o pecado, a heresia, a incredulidade, os desejos impuros, a idolatria — tudo pode conter uma energia utilizável, desde que o confessor conheça bem a matéria a que se ataca. | Temos todas as razões para supor que Silesius-o-católico representa uma das muitas conquistas da técnica jesuíta que, em vez de exigir imediatamente uma conversão completa da alma errante, adaptava, ao contrário, a cada vez, a religião às necessidades do pecador, e supunha de antemão que havia conformidade entre a fé e a situação individual daquele que ela convertia, a fim de dirigir seus passos, posteriormente, progressivamente e suavemente, em uma direção conforme aos interesses da Companhia. A Arte de educar as almas, técnica perfeitamente desenvolvida pelos jesuítas, supunha que a Igreja pode tirar proveito de cada uma delas, se souber se colocar a trabalhar; que, verdadeiramente, todos os caminhos levam a Roma; que mesmo o pecado, a heresia, a incredulidade, os desejos impuros, a idolatria — tudo pode conter uma energia utilizável, desde que o confessor conheça bem a matéria a que se ataca. |
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| Uma vez que o mundo é obra de [[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]], uma vez que a graça suficiente foi conferida a cada um, uma vez que a natureza é atraída para Deus, então, em cada movimento dos sentimentos ou do pensamento, por mais desprezível que seja, está contida uma traço dessa gravitação inamissível; é preciso simplesmente saber a que se atacar para arrastar o todo, fazer o pecador tomar consciência de que seu pecado é o desejo inconsciente que ele tem da santidade, que talvez se desvie de sua direção. O princípio da santidade fundamental da natureza permite desenvolver um número ilimitado de técnicas de conversão; é isso que molda essa flexibilidade justamente admirada, graças à qual o diretor de consciência, em vez de violar a natureza do penitente, prendendo-o na camisa de força de uma disciplina insuportável, finge estar inteiramente de acordo com a situação em que ele se encontra, e só então o faz tomar consciência progressivamente de que seu verdadeiro desejo era, desde o início, servir fielmente à verdadeira fé; pois tal é a tendência real de toda natureza. | Uma vez que o mundo é obra de Deus, uma vez que a graça suficiente foi conferida a cada um, uma vez que a natureza é atraída para Deus, então, em cada movimento dos sentimentos ou do pensamento, por mais desprezível que seja, está contida uma traço dessa gravitação inamissível; é preciso simplesmente saber a que se atacar para arrastar o todo, fazer o pecador tomar consciência de que seu pecado é o desejo inconsciente que ele tem da santidade, que talvez se desvie de sua direção. O princípio da santidade fundamental da natureza permite desenvolver um número ilimitado de técnicas de conversão; é isso que molda essa flexibilidade justamente admirada, graças à qual o diretor de consciência, em vez de violar a natureza do penitente, prendendo-o na camisa de força de uma disciplina insuportável, finge estar inteiramente de acordo com a situação em que ele se encontra, e só então o faz tomar consciência progressivamente de que seu verdadeiro desejo era, desde o início, servir fielmente à verdadeira fé; pois tal é a tendência real de toda natureza. |
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