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| Contudo, esse mesmo movimento autodestrutivo do amor contém, como dissemos, um desejo de sacrifício, e, portanto, não apenas o desejo de abandonar algo por um valor mais alto, mas também de transmitir algo ao objeto do amor. O místico não deseja apenas perder-se por [[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]], mas também perder-se em Deus e oferecer-se a Deus. O que é oferecido deve, portanto, ser um certo bem, uma vez que é oferecido em amor. Assim, o ser individual, ao se negar, afirma por esse mesmo ato sua própria valor, pois se trata a si mesmo como um objeto oferecido. | Contudo, esse mesmo movimento autodestrutivo do amor contém, como dissemos, um desejo de sacrifício, e, portanto, não apenas o desejo de abandonar algo por um valor mais alto, mas também de transmitir algo ao objeto do amor. O místico não deseja apenas perder-se por Deus, mas também perder-se em Deus e oferecer-se a Deus. O que é oferecido deve, portanto, ser um certo bem, uma vez que é oferecido em amor. Assim, o ser individual, ao se negar, afirma por esse mesmo ato sua própria valor, pois se trata a si mesmo como um objeto oferecido. |
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| Se a existência individual fosse simplesmente o mal, o ato de [[philokalia:philokalia-termos:auto:start|auto]]-sacrifício não implicaria renúncia, mas apenas a destruição do mal, e com isso o princípio fundamental constitutivo do amor seria aniquilado. A reabilitação do ser individual é necessária para que o amor possa conter a ideia de sacrifício, ou seja, para ser amor. Esse ser vivido também deve ser vivido como mal, para que o amor possa se manifestar. Essa reabilitação, na estrutura conceitual, assume a forma de uma doutrina monista que apresenta a particularização do Ser como a fase negativa e necessária da realização da [[biblia:figuras:divindade:start|Divindade]], conforme o esquema exposto anteriormente. | Se a existência individual fosse simplesmente o mal, o ato de auto-sacrifício não implicaria renúncia, mas apenas a destruição do mal, e com isso o princípio fundamental constitutivo do amor seria aniquilado. A reabilitação do ser individual é necessária para que o amor possa conter a ideia de sacrifício, ou seja, para ser amor. Esse ser vivido também deve ser vivido como mal, para que o amor possa se manifestar. Essa reabilitação, na estrutura conceitual, assume a forma de uma doutrina monista que apresenta a particularização do Ser como a fase negativa e necessária da realização da Divindade, conforme o esquema exposto anteriormente. |
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| O movimento de identificação com o absoluto é, portanto, uma espécie de reconstituição ou imitação do ato primordial de Deus que, também por amor, negou a si mesmo na obra da criação, chamando à existência seres finitos. O amor fatal do místico revela-se então a ele como o próprio amor do absoluto dirigido a si mesmo, e o próprio místico como um "momento" da divindade que se oferece a si mesma e reapropria suas próprias objetivações. O mundo que se tornou estranho não está, em relação a Deus, na mesma oposição que o mal em relação ao bem, mas é uma "negação" de Deus no sentido hegeliano, enquanto o retorno à unidade com a fonte é a imitação do ato primordial pelo qual o absoluto se tornou estranho a si mesmo. | O movimento de identificação com o absoluto é, portanto, uma espécie de reconstituição ou imitação do ato primordial de Deus que, também por amor, negou a si mesmo na obra da criação, chamando à existência seres finitos. O amor fatal do místico revela-se então a ele como o próprio amor do absoluto dirigido a si mesmo, e o próprio místico como um "momento" da divindade que se oferece a si mesma e reapropria suas próprias objetivações. O mundo que se tornou estranho não está, em relação a Deus, na mesma oposição que o mal em relação ao bem, mas é uma "negação" de Deus no sentido hegeliano, enquanto o retorno à unidade com a fonte é a imitação do ato primordial pelo qual o absoluto se tornou estranho a si mesmo. |