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| ===== ÍCONES DE SÃO JORGE ===== | ===== ÍCONES DE SÃO JORGE ===== | ||
| - | [[estudos: | + | Iconografia – ÍCONES DE SÃO JORGE |
| Richard Temple | Richard Temple | ||
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| O ícone apresenta diante de nós um diagrama de ordens de forças na forma de uma escada do céu ao inferno. Entre estes dois opostos cósmicos, o drama é encenado: São Jorge, montado em cavalo branco, lança o dragão. No fundo está um céu vermelho e montanhoso, uma paisagem deserta. | O ícone apresenta diante de nós um diagrama de ordens de forças na forma de uma escada do céu ao inferno. Entre estes dois opostos cósmicos, o drama é encenado: São Jorge, montado em cavalo branco, lança o dragão. No fundo está um céu vermelho e montanhoso, uma paisagem deserta. | ||
| - | O evento é apresentado em uma disposição distante da “realidade”, | + | O evento é apresentado em uma disposição distante da “realidade”, |
| Um cavalo representa força e poder, mas um homem cavalgando um cavalo é um símbolo tradicional de força e poder sob controle. São Jorge é a figura com quem nos identificamos; | Um cavalo representa força e poder, mas um homem cavalgando um cavalo é um símbolo tradicional de força e poder sob controle. São Jorge é a figura com quem nos identificamos; | ||
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| Que forças são estas? Podem não ser simplesmente designadas como bem e mal? Referenciando o ícone demonstra quão sutil é a compreensão do artista do que ingenuamente tendemos a ver como nada mais que um conto folclórico moral. Uma abordagem simplista designaria o dragão como mal mas não cavalo. No entanto ambos, cavalo e dragão, estão em situação similar; ambos estão sob o controle do santo, o cavalo, através das rédeas em sua mão esquerda, e o dragão através da lança em sua direita. Cada um simboliza um “poder” que é dominado pelo santo. Além do mais, o dragão não tem uma aparência de maligno; ao invés, parece condescendente ao santo como se reconhecendo sua superioridade. Para o pintor não há tal coisa como bem e mal; há somente forças — níveis de forças que devem estar em um correto relacionamento entre si na harmonia do universo. Assim São Jorge não mata o dragão mas o prende com a lança ao solo, demonstrando que o domina (mas não o destrói), assim com domina o cavalo, sendo que neste caso usa sua própria força e poder. São Jorge, assim levando a cabo esta trabalho cósmico — que na prática é trabalho espiritual — nos mostra, por seu exemplo, o sentido do homem e seu verdadeiro “lugar” no universo. O santo, por sua vez, está sob as influências celestiais acima dele. Elas descem via a escada cósmica na qual ele já se mantém no quinto degrau. | Que forças são estas? Podem não ser simplesmente designadas como bem e mal? Referenciando o ícone demonstra quão sutil é a compreensão do artista do que ingenuamente tendemos a ver como nada mais que um conto folclórico moral. Uma abordagem simplista designaria o dragão como mal mas não cavalo. No entanto ambos, cavalo e dragão, estão em situação similar; ambos estão sob o controle do santo, o cavalo, através das rédeas em sua mão esquerda, e o dragão através da lança em sua direita. Cada um simboliza um “poder” que é dominado pelo santo. Além do mais, o dragão não tem uma aparência de maligno; ao invés, parece condescendente ao santo como se reconhecendo sua superioridade. Para o pintor não há tal coisa como bem e mal; há somente forças — níveis de forças que devem estar em um correto relacionamento entre si na harmonia do universo. Assim São Jorge não mata o dragão mas o prende com a lança ao solo, demonstrando que o domina (mas não o destrói), assim com domina o cavalo, sendo que neste caso usa sua própria força e poder. São Jorge, assim levando a cabo esta trabalho cósmico — que na prática é trabalho espiritual — nos mostra, por seu exemplo, o sentido do homem e seu verdadeiro “lugar” no universo. O santo, por sua vez, está sob as influências celestiais acima dele. Elas descem via a escada cósmica na qual ele já se mantém no quinto degrau. | ||
| - | A escada é uma oitava de sete estágios distintos ou degraus que tem dois começos. Um, que desce, começa com [[biblia: | + | A escada é uma oitava de sete estágios distintos ou degraus que tem dois começos. Um, que desce, começa com Deus — representado pela mão bendita — sob a qual estão as esferas celestiais, ou reino Divino, que está representado pelo quadrante no canto superior direito. Debaixo disto o firmamento, ou mundo celestial, é indicado pelo fundo vermelho. assim vem o santo sob o qual estão as forças que ele dominou. O outro, que ascende, começa com o homem, quer dizer, homem ordinário, que ainda não submeteu o “dragão” nem dominou o “cavalo” nele mesmo. Ele pode ser dito estar não mais alto que a caverna dentro da qual, através de Adão, caiu e da qual, através de Cristo, ele é elevado. |
| Deus | Deus | ||
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| A caverna ou as profundezas subterrâneas | A caverna ou as profundezas subterrâneas | ||
| - | Os estágios centrais significam a transição onde um homem se torna o que a [[philokalia: | + | Os estágios centrais significam a transição onde um homem se torna o que a Philokalia chama “inteligente” (i.é espiritual). Só então, de acordo com Santo Antão, pode ele propriamente ser chamado um homem. Ele nasce, como os Ícones da Natividade testificam, no nível da escuridão e deve ascender, por subjugar o dragão e o cavalo, até o nível onde pode começar seu trabalho ideal. |
| É interessante notar que não há violência na ação como apresentada no ícone; ódio e medo não são expressos entre os combatentes como seriam em pinturas naturalísticas ocidentais. Em um ícone seria impossível demonstrar tais qualidades posto que o mundo que o artista representa não é o mundo externo, natural, mas o mundo espiritual que ele “vê' | É interessante notar que não há violência na ação como apresentada no ícone; ódio e medo não são expressos entre os combatentes como seriam em pinturas naturalísticas ocidentais. Em um ícone seria impossível demonstrar tais qualidades posto que o mundo que o artista representa não é o mundo externo, natural, mas o mundo espiritual que ele “vê' | ||
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| E assim a impressão da cena, que tem lugar em um mundo distante da esfera de violência e ódio de todo dia, nos dá uma sentimento de amor, silêncio e quietude. A face de São Jorge não está contorcida de fúria mas, ao contrário, irradia luz e alegria espiritual. | E assim a impressão da cena, que tem lugar em um mundo distante da esfera de violência e ódio de todo dia, nos dá uma sentimento de amor, silêncio e quietude. A face de São Jorge não está contorcida de fúria mas, ao contrário, irradia luz e alegria espiritual. | ||
| - | O ícone de São Jorge é uma imagem profundamente misteriosa que merece uma olhar para o que é normalmente não visto — o “[[contra-reforma: | + | O ícone de São Jorge é uma imagem profundamente misteriosa que merece uma olhar para o que é normalmente não visto — o “Combate Espiritual” ou “guerra secreta” dos místicos. O guerreiro é o homem que, tendo estabelecido atenção e silêncio dentro de si mesmo, doma sua natureza terrestre a fim de se torna o recipiente das influências divinas. Quando este estado é alcançado o homem se torna o universo em miniatura. Ele transforma seu caos interior em cosmos. |
| Se dispomos o esquema do fundo do ícono vemos de pronto que corresponde com a topografia simbólica de Cosmas Indicopleustes. O eixo central girou da vertical para a diagonal mas as principais características da “topografia” permanecem. Emanações da mão de Deus contidas dentro de círculos concêntricos estão, como esperaríamos, | Se dispomos o esquema do fundo do ícono vemos de pronto que corresponde com a topografia simbólica de Cosmas Indicopleustes. O eixo central girou da vertical para a diagonal mas as principais características da “topografia” permanecem. Emanações da mão de Deus contidas dentro de círculos concêntricos estão, como esperaríamos, | ||
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