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| ===== ETIENNE GILSON SER EXISTENCIA ===== | ===== ETIENNE GILSON SER EXISTENCIA ===== |
| [[estudos:filosofia-medieval:start|Filosofia Medieval]] — Étienne Gilson | Filosofia Medieval — Étienne Gilson |
| === O SER E A EXISTÊNCIA === | === O SER E A EXISTÊNCIA === |
| É talvez significativo que, para a Filosofia, seja mais fácil compreender as criaturas a partir de [[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]], do que compreender a Deus a partir das criaturas, não obstante serem as criaturas o ponto de partida da filosofia sobre Deus. Devemos ir das criaturas a Deus, mas o caminho de volta de Deus às criaturas abre as mais luminosas perspectivas sobre a natureza das operações divinas. | É talvez significativo que, para a Filosofia, seja mais fácil compreender as criaturas a partir de Deus, do que compreender a Deus a partir das criaturas, não obstante serem as criaturas o ponto de partida da filosofia sobre Deus. Devemos ir das criaturas a Deus, mas o caminho de volta de Deus às criaturas abre as mais luminosas perspectivas sobre a natureza das operações divinas. |
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| Esta verdade acha-se maravilhosamente confirmada pela primeira consequência que para a nossa compreensão dos seres finitos, se pode tirar da nova noção de Deus. Se o nome próprio de Deus é Ele É, ou AQUELE QUE É, nenhum outro ente pode reivindicar este nome. Ora, como vimos, o nome [[biblia:figuras:divindade:divino:start|Divino]] significa, em linguagem filosófica, que o Ato de Ser é, em Deus, aquilo que a essência é nos outros entes. Por conseguinte, nenhum outro ser, senão Deus, é o seu próprio ato de ser. | Esta verdade acha-se maravilhosamente confirmada pela primeira consequência que para a nossa compreensão dos seres finitos, se pode tirar da nova noção de Deus. Se o nome próprio de Deus é Ele É, ou AQUELE QUE É, nenhum outro ente pode reivindicar este nome. Ora, como vimos, o nome Divino significa, em linguagem filosófica, que o Ato de Ser é, em Deus, aquilo que a essência é nos outros entes. Por conseguinte, nenhum outro ser, senão Deus, é o seu próprio ato de ser. |
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| Se, em Deus nada mais se encontra do que o seu Puro Ato de Ser, nos entes que não são Deus, sempre se encontra algo a mais do que o próprio ato existencial. Ora, sabemos o que é esse "algo a mais". Na nossa peregrinação filosófica das criaturas a Deus pelo caminho da remoção progressiva a última composição que tivemos de eliminar para atingi-lo foi a de essência e existência. Por conseguinte, a primeira composição que devemos esperar encontrar, no retorno de Deus às criaturas, é a de essência e existência. Poderá haver ainda outras composições nas criaturas; mas esta, haverá sempre. Com exceção de Deus, todo ente se compõe pelo menos "daquilo que" ele é (essência) e do ato existencial em virtude do qual ele é, ou existe, isto é, do seu ato de ser. | Se, em Deus nada mais se encontra do que o seu Puro Ato de Ser, nos entes que não são Deus, sempre se encontra algo a mais do que o próprio ato existencial. Ora, sabemos o que é esse "algo a mais". Na nossa peregrinação filosófica das criaturas a Deus pelo caminho da remoção progressiva a última composição que tivemos de eliminar para atingi-lo foi a de essência e existência. Por conseguinte, a primeira composição que devemos esperar encontrar, no retorno de Deus às criaturas, é a de essência e existência. Poderá haver ainda outras composições nas criaturas; mas esta, haverá sempre. Com exceção de Deus, todo ente se compõe pelo menos "daquilo que" ele é (essência) e do ato existencial em virtude do qual ele é, ou existe, isto é, do seu ato de ser. |
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| À questão frequentemente formulada: "qual é, no tomismo, o sentido da célebre composição de essência e existência?" a resposta direta é: Isto significa que, como Deus é o seu próprio Ato de Ser, nenhum outro ente pode ser o seu próprio ato de ser. Algumas vezes se disse que é possível ser tomista sem aceitar a composição de essência e existência nos entes finitos. Não há um padrão oficial de tomismo. Se alguém admira [[medievo:tomas-de-aquino:start|Tomás de Aquino]], e deseja professar sua doutrina, ou ao menos seguir seus princípios, quem se sentiria autorizado a negar-lhe o qualificativo de tomista? Todos seguimos a Tomás de Aquino na [[evangelho-de-jesus:logia-jesus:logia-jesus:medida:start|Medida]] em que compreendemos o sentido de sua doutrina. Se não logramos compreender um de seus princípios, ou se, embora entendendo, não lhe avaliamos a importância, podemos na melhor boa fé, negligenciar tal princípio e ainda nos considerarmos seus verdadeiros discípulos. Devem-se encorajar os tomistas de intenção ou desejo. | À questão frequentemente formulada: "qual é, no tomismo, o sentido da célebre composição de essência e existência?" a resposta direta é: Isto significa que, como Deus é o seu próprio Ato de Ser, nenhum outro ente pode ser o seu próprio ato de ser. Algumas vezes se disse que é possível ser tomista sem aceitar a composição de essência e existência nos entes finitos. Não há um padrão oficial de tomismo. Se alguém admira Tomás de Aquino, e deseja professar sua doutrina, ou ao menos seguir seus princípios, quem se sentiria autorizado a negar-lhe o qualificativo de tomista? Todos seguimos a Tomás de Aquino na Medida em que compreendemos o sentido de sua doutrina. Se não logramos compreender um de seus princípios, ou se, embora entendendo, não lhe avaliamos a importância, podemos na melhor boa fé, negligenciar tal princípio e ainda nos considerarmos seus verdadeiros discípulos. Devem-se encorajar os tomistas de intenção ou desejo. |
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| Para prevenir equívocos alguns intérpretes de Tomás de Aquino organizaram listas das posições doutrinárias fundamentais a serem adotadas por aqueles que quiseram dizer-se tomistas. Ainda que seja legítimo proceder assim, não podemos, no entanto, em última análise, assumir uma posição filosófica, sem primeiro entendê-la. Dizer a alguém que ele tem obrigação de compreender alguma coisa é colocá-lo em situação embaraçosa, porque se ele não pode, é porque não pode mesmo. Por esse motivo, pensamos, também, que não haveria razão para definir-se um Tomista de estrita observância que não reconhecesse por tomista todo aquele que não fizesse parte do seu seleto grupo filosófico. | Para prevenir equívocos alguns intérpretes de Tomás de Aquino organizaram listas das posições doutrinárias fundamentais a serem adotadas por aqueles que quiseram dizer-se tomistas. Ainda que seja legítimo proceder assim, não podemos, no entanto, em última análise, assumir uma posição filosófica, sem primeiro entendê-la. Dizer a alguém que ele tem obrigação de compreender alguma coisa é colocá-lo em situação embaraçosa, porque se ele não pode, é porque não pode mesmo. Por esse motivo, pensamos, também, que não haveria razão para definir-se um Tomista de estrita observância que não reconhecesse por tomista todo aquele que não fizesse parte do seu seleto grupo filosófico. |