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| estudos:edith-stein:le-corps-mystique-du-christ:start [10/01/2026 15:50] – mccastro | estudos:edith-stein:le-corps-mystique-du-christ:start [11/01/2026 06:14] (atual) – edição externa 127.0.0.1 |
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| ===== EDITH STEIN: LE CORPS MYSTIQUE DU CHRIST ===== | ===== EDITH STEIN: LE CORPS MYSTIQUE DU CHRIST ===== |
| - Tradução de Antonio Carneiro de "O Corpo Místico de [[biblia:figuras:nt-personagens:cristo:start|Cristo]]", às páginas 28, 29, 30, 31, 32 e 33.* | - Tradução de Antonio Carneiro de "O Corpo Místico de Cristo", às páginas 28, 29, 30, 31, 32 e 33.* |
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| Estes escritos espirituais de [[estudos:edith-stein:start|Edith Stein]], carmelita Teresa Benedicta de la Cruz (1891-1942), judia, mártir, estão compostos por dezesseis tratados breves, agrupados em três partes: Espiritualidade mística, Meditações e Em torno ao Carmelo. Em todos estes ensaios está bem marcada a marca do gênio Edith Stein em seu caminho sedento da verdade. De especial importância são Castelo da Alma, resumo das Moradas de Santa Teresa desde o ponto de vista fenomenológico e da psicologia guiada pela graça, e Caminhos do Conhecimento de [[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]], Teologia simbólica do Aeropagita, como o melhor estudo preliminar, vestíbulo de entrada para o caminho espiritual traçado por São [[contra-reforma:joao-da-cruz:start|João da Cruz]]. Estes dezesseis ensaios refletem a sede daquela alma genial, Edith Stein, ansiosa de verdade, da Verdade. Distanciada de Deus quando sua ciência era incipiente e entregada em plenitude quando seu saber alcançou o céu. | Estes escritos espirituais de Edith Stein, carmelita Teresa Benedicta de la Cruz (1891-1942), judia, mártir, estão compostos por dezesseis tratados breves, agrupados em três partes: Espiritualidade mística, Meditações e Em torno ao Carmelo. Em todos estes ensaios está bem marcada a marca do gênio Edith Stein em seu caminho sedento da verdade. De especial importância são Castelo da Alma, resumo das Moradas de Santa Teresa desde o ponto de vista fenomenológico e da psicologia guiada pela graça, e Caminhos do Conhecimento de Deus, Teologia simbólica do Aeropagita, como o melhor estudo preliminar, vestíbulo de entrada para o caminho espiritual traçado por São João da Cruz. Estes dezesseis ensaios refletem a sede daquela alma genial, Edith Stein, ansiosa de verdade, da Verdade. Distanciada de Deus quando sua ciência era incipiente e entregada em plenitude quando seu saber alcançou o céu. |
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| Em Edith Stein encontramos uma mística do quotidiano, encarnada em sua tarefa intelectual, que não deixa indiferente a quem se aproxima dela. Entre seus escritos espirituais destaca-se a Ciência da Cruz, não incluída aqui por exceder as dimensões deste volume e ter sido publicada várias vezes em espanhol. E também, porque muitos de seus pensamentos se acham já nestes ensaios sobre o [[contra-reforma:misterio-da-cruz:start|mistério da cruz]]. | Em Edith Stein encontramos uma mística do quotidiano, encarnada em sua tarefa intelectual, que não deixa indiferente a quem se aproxima dela. Entre seus escritos espirituais destaca-se a Ciência da Cruz, não incluída aqui por exceder as dimensões deste volume e ter sido publicada várias vezes em espanhol. E também, porque muitos de seus pensamentos se acham já nestes ensaios sobre o mistério da cruz. |
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| Tradução | Tradução |
| Não sabemos, nem devemos perguntar-nos antes do tempo para onde nos conduz o Menino Deus nesta terra. Somente sabemos que aqueles que o Senhor ama lhes acontece tudo para seu bem. E mais, que os caminhos que nos conduzem ao Salvador ultrapassam os limites da terra. | Não sabemos, nem devemos perguntar-nos antes do tempo para onde nos conduz o Menino Deus nesta terra. Somente sabemos que aqueles que o Senhor ama lhes acontece tudo para seu bem. E mais, que os caminhos que nos conduzem ao Salvador ultrapassam os limites da terra. |
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| Oh admirável intercâmbio! O criador do gênero humano nos apresenta sua [[biblia:figuras:divindade:start|Divindade]] ao tomar um corpo. O Redentor veio ao mundo para realizar esse intercâmbio admirável. Deus se fez [[biblia:figuras:pai-mae-filho:filho:start|Filho]] do Homem para que todos os homens chegassem a ser filhos de Deus. Um de nós havia rompido o laço da [[biblia:figuras:pai-mae-filho:filho:filiacao:start|filiação]] divina, e um de nós haveria de uni-lo novamente e pagar a expiação. Ninguém da velha geração, doente e degenerada, poderia tê-lo feito. Por isso, tinha que ser enxertado um broto novo, são e nobre. Ele se fez um de nós, mas não somente isso, como também um com nós. Eis aqui o maravilhoso do gênero humano, que todos somos um. Se fosse de outra maneira, se todos vivêssemos como seres autômatos e separados, livres e independentes uns dos outros, a queda de um não haveria arrastado a queda de todos. Por outro lado, o preço da expiação teria podido ser pago e poderíamos contar com isso, mas então sua justiça não teria sido transmitida aos pecadores e não seria possível a justificação. No entanto, ele veio para ser conosco um corpo místico: Ele como nossa Cabeça e nós como seus membros. Ponhamos nossas mãos nas mãos do menino [[biblia:figuras:divindade:divino:start|Divino]], respondamos nosso Sim ao seu [[evangelho-de-jesus:logia-jesus:logia-jesus:segue-me:start|Segue-me]]; então seremos seus e o caminho estará livre para que sua vida chegue à nós. | Oh admirável intercâmbio! O criador do gênero humano nos apresenta sua Divindade ao tomar um corpo. O Redentor veio ao mundo para realizar esse intercâmbio admirável. Deus se fez Filho do Homem para que todos os homens chegassem a ser filhos de Deus. Um de nós havia rompido o laço da filiação divina, e um de nós haveria de uni-lo novamente e pagar a expiação. Ninguém da velha geração, doente e degenerada, poderia tê-lo feito. Por isso, tinha que ser enxertado um broto novo, são e nobre. Ele se fez um de nós, mas não somente isso, como também um com nós. Eis aqui o maravilhoso do gênero humano, que todos somos um. Se fosse de outra maneira, se todos vivêssemos como seres autômatos e separados, livres e independentes uns dos outros, a queda de um não haveria arrastado a queda de todos. Por outro lado, o preço da expiação teria podido ser pago e poderíamos contar com isso, mas então sua justiça não teria sido transmitida aos pecadores e não seria possível a justificação. No entanto, ele veio para ser conosco um corpo místico: Ele como nossa Cabeça e nós como seus membros. Ponhamos nossas mãos nas mãos do menino Divino, respondamos nosso Sim ao seu Segue-me; então seremos seus e o caminho estará livre para que sua vida chegue à nós. |
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| Este é o princípio da [[philokalia:larchet:morte-tradicao-ortodoxa:vida-eterna:start|Vida Eterna]] em nós. Não é todavia a visão beatífica na luz da glória, se trata ainda da obscuridade da fé, mas que já não pertence à este mundo, mas sim ao Reino de Deus. Quando a Bem-Aventurada Virgem [[biblia:figuras:nt-personagens:maria:start|Maria]] pronunciou seu Fiat começou o reino dos céus na terra, e ela foi sua primeira cidadã. E todos os que, antes e depois do nascimento do Menino, com palavras e atos se proclamaram seus — [[biblia:figuras:nt-personagens:sao-jose:start|São José]], Santa Isabel com seu filho e todos que estiveram no presépio —, entraram para formar parte desse reino celestial. Tudo aconteceu de um modo muito diverso ao que se poderia pensar depois da leitura dos [[oracao:psalterium:salmos:start|Salmos]] e Profetas sobre a instauração do Reino de Deus. Os romanos continuaram sendo os senhores da terra, e os Sumos Sacerdotes e Escribas continuaram submetendo o povo sob seu jugo. Todos os que pertenciam ao Senhor levavam de um modo invisível o Reino de Deus dentro de si. A carga terrestre não lhes foi tirada, inclusive se os acrescentou algo mais, mas o que em si encerrava era uma força alentadora que fazia o jugo suave e a carga leve. O mesmo ocorre hoje em dia com todo filho de Deus. A vida divina que se acende na alma é a luz que surge nas trevas, o milagre do Natal. O que o leva consigo compreende o que se diz dele. Para os outros, no entanto, tudo o que se diz dele é um balbuciar ininteligente. Todo o evangelho de São João é um certo balbuciar de luz eterna que é a vida e é o amor. Deus em nós e nós Nele, nisto consiste nossa participação no Reino de Deus, cujo fundamento está depositado no mistério da [[evangelho-de-jesus:encarnacao:start|Encarnação]]. | Este é o princípio da Vida Eterna em nós. Não é todavia a visão beatífica na luz da glória, se trata ainda da obscuridade da fé, mas que já não pertence à este mundo, mas sim ao Reino de Deus. Quando a Bem-Aventurada Virgem Maria pronunciou seu Fiat começou o reino dos céus na terra, e ela foi sua primeira cidadã. E todos os que, antes e depois do nascimento do Menino, com palavras e atos se proclamaram seus — São José, Santa Isabel com seu filho e todos que estiveram no presépio —, entraram para formar parte desse reino celestial. Tudo aconteceu de um modo muito diverso ao que se poderia pensar depois da leitura dos Salmos e Profetas sobre a instauração do Reino de Deus. Os romanos continuaram sendo os senhores da terra, e os Sumos Sacerdotes e Escribas continuaram submetendo o povo sob seu jugo. Todos os que pertenciam ao Senhor levavam de um modo invisível o Reino de Deus dentro de si. A carga terrestre não lhes foi tirada, inclusive se os acrescentou algo mais, mas o que em si encerrava era uma força alentadora que fazia o jugo suave e a carga leve. O mesmo ocorre hoje em dia com todo filho de Deus. A vida divina que se acende na alma é a luz que surge nas trevas, o milagre do Natal. O que o leva consigo compreende o que se diz dele. Para os outros, no entanto, tudo o que se diz dele é um balbuciar ininteligente. Todo o evangelho de São João é um certo balbuciar de luz eterna que é a vida e é o amor. Deus em nós e nós Nele, nisto consiste nossa participação no Reino de Deus, cujo fundamento está depositado no mistério da Encarnação. |
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| - b) SER UM EM DEUS** | - b) SER UM EM DEUS** |
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| Ser um com Deus: isto é, o primeiro. Mas, um segundo movimento lhe segue imediatamente. Cristo é a Cabeça, nós os membros do Corpo Místico, o qual implica que nossas relações mútuas são de membro a membro, e todos homens são um em Deus, uma única vida divina. Se Deus é Amor e vive em cada um de nós, temos que amar-nos com amor fraternal. Por isso nosso amor ao próximo é a [[evangelho-de-jesus:logia-jesus:logia-jesus:medida:start|Medida]] de nosso amor à Deus. No entanto, este último é distinto do amor natural que temos pelos seres humanos. O amor natural surge entre aqueles que estão unidos por um vínculo de sangue, por afinidade de caráter ou por interesses comuns. Os outros são "estranhos", que pouco nos interessam, e que inclusive podem provocar certa repulsa, a tal ponto que até os evitamos fisicamente. Para os cristãos não existem "seres humanos estranhos". Nosso "próximo" é todo aquele que temos diante de nós e que tem necessidade de nós e que é indiferente que seja nosso parente ou não, que nos impressione bem ou nos desagrade, ou que seja "moralmente digno" ou não de ajuda. O amor de Cristo não conhece limites, não se cansa nunca e não se assusta ante a sujeira ou a miséria. cristo veio para os pecadores e não para os justos. E se o amor de Cristo vive em nós, então atuaremos como ele, e iremos em busca das ovelhas perdidas. | Ser um com Deus: isto é, o primeiro. Mas, um segundo movimento lhe segue imediatamente. Cristo é a Cabeça, nós os membros do Corpo Místico, o qual implica que nossas relações mútuas são de membro a membro, e todos homens são um em Deus, uma única vida divina. Se Deus é Amor e vive em cada um de nós, temos que amar-nos com amor fraternal. Por isso nosso amor ao próximo é a Medida de nosso amor à Deus. No entanto, este último é distinto do amor natural que temos pelos seres humanos. O amor natural surge entre aqueles que estão unidos por um vínculo de sangue, por afinidade de caráter ou por interesses comuns. Os outros são "estranhos", que pouco nos interessam, e que inclusive podem provocar certa repulsa, a tal ponto que até os evitamos fisicamente. Para os cristãos não existem "seres humanos estranhos". Nosso "próximo" é todo aquele que temos diante de nós e que tem necessidade de nós e que é indiferente que seja nosso parente ou não, que nos impressione bem ou nos desagrade, ou que seja "moralmente digno" ou não de ajuda. O amor de Cristo não conhece limites, não se cansa nunca e não se assusta ante a sujeira ou a miséria. cristo veio para os pecadores e não para os justos. E se o amor de Cristo vive em nós, então atuaremos como ele, e iremos em busca das ovelhas perdidas. |
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| O amor natural busca apoderar-se das pessoas amadas e possuí-las, se for possível, com exclusividade. Cristo veio ao mundo para recuperar para o [[estudos:ernst-benz:pai:start|Pai]] a humanidade perdida; e quem ama com seu amor, quer os seres humanos para Deus e não para si. Não cabe dúvida de que este é o caminho mais seguro para possuí-los para eternidade, pois temos escondido a um homem em Deus, então somos já um com ele em Deus, enquanto que a tentação de"conquistá-lo" para nós conduz sempre — cedo ou tarde — a perdê-lo. Isto é válido tanto para própria alma, como para a alheia, como para qualquer bem exterior: quem se ocupa afanosamente de ganhar e conservar, esse perde; quem a entrega à Deus se entrega, esse ganha. | O amor natural busca apoderar-se das pessoas amadas e possuí-las, se for possível, com exclusividade. Cristo veio ao mundo para recuperar para o Pai a humanidade perdida; e quem ama com seu amor, quer os seres humanos para Deus e não para si. Não cabe dúvida de que este é o caminho mais seguro para possuí-los para eternidade, pois temos escondido a um homem em Deus, então somos já um com ele em Deus, enquanto que a tentação de"conquistá-lo" para nós conduz sempre — cedo ou tarde — a perdê-lo. Isto é válido tanto para própria alma, como para a alheia, como para qualquer bem exterior: quem se ocupa afanosamente de ganhar e conservar, esse perde; quem a entrega à Deus se entrega, esse ganha. |
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| - c) FAÇA-SE TUA VONTADE!** | - c) FAÇA-SE TUA VONTADE!** |
| Com isto nos referimos à um terceiro signo da filiação divina. Ser um com Deus foi o primeiro. Para que todos sejamos um em Deus o segundo. E o terceiro: "Se me amais observarás meus mandamentos"(Jo 14,15). Ser filho de Deus significa deixar-se guiar pela mão de Deus, fazer sua vontade e não a própria, por todas as esperanças e preocupações em suas mãos e naõ preocupar-se mais consigo mesmo nem com o futuro. Nisto se fundamenta a liberdade e a alegria dos filhos de Deus. Que poucos, ainda dentre os verdadeiramente piedosos ao sacrifício heroico, possuem este dom precioso! Muito deles caminham pela vida encurvados sob o peso de suas preocupações e deveres. Por todos é conhecida a parábola das aves do céu e dos lírios do campo (Mt 6, 25 ss). Entretanto, quando se encontram com um homem que não tem nem fortuna, nem aposentadoria, nem segurança e que vive despreocupado com seu futuro, então balançam a como se tratasse de um caso anormal. Certamente está equivocado quem pense que o Pai do Céu se preocupará continuamente com o salário e o nível de vida que o ser humano considera idôneo; quem assim o crê é que tem feito um cálculo muito equivocado. Tais condições não se escrevem um contrato com o céu. A confiança em Deus pode chegar a ser imóvel somente se estiver disposto à aceitar tudo o que venha da mão do Pai. Somente ele sabe o que nos convém. E se alguma vez fossem mais convenientes a necessidade e a privação que uma renda segura e bem dotada, ou o fracasso e a humilhação melhor que a honra e afama, tem que estar disposto à isso. Só assim se pode viver tranquilo no presente e no futuro. | Com isto nos referimos à um terceiro signo da filiação divina. Ser um com Deus foi o primeiro. Para que todos sejamos um em Deus o segundo. E o terceiro: "Se me amais observarás meus mandamentos"(Jo 14,15). Ser filho de Deus significa deixar-se guiar pela mão de Deus, fazer sua vontade e não a própria, por todas as esperanças e preocupações em suas mãos e naõ preocupar-se mais consigo mesmo nem com o futuro. Nisto se fundamenta a liberdade e a alegria dos filhos de Deus. Que poucos, ainda dentre os verdadeiramente piedosos ao sacrifício heroico, possuem este dom precioso! Muito deles caminham pela vida encurvados sob o peso de suas preocupações e deveres. Por todos é conhecida a parábola das aves do céu e dos lírios do campo (Mt 6, 25 ss). Entretanto, quando se encontram com um homem que não tem nem fortuna, nem aposentadoria, nem segurança e que vive despreocupado com seu futuro, então balançam a como se tratasse de um caso anormal. Certamente está equivocado quem pense que o Pai do Céu se preocupará continuamente com o salário e o nível de vida que o ser humano considera idôneo; quem assim o crê é que tem feito um cálculo muito equivocado. Tais condições não se escrevem um contrato com o céu. A confiança em Deus pode chegar a ser imóvel somente se estiver disposto à aceitar tudo o que venha da mão do Pai. Somente ele sabe o que nos convém. E se alguma vez fossem mais convenientes a necessidade e a privação que uma renda segura e bem dotada, ou o fracasso e a humilhação melhor que a honra e afama, tem que estar disposto à isso. Só assim se pode viver tranquilo no presente e no futuro. |
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| O Faça-se tua vontade! em todo seu conteúdo tem que ser o fio condutor de toda a vida cristã. Tem que regular o curso do dia, de manhã à noite, o passar dos anos e da vida inteira. Esta será então a única preocupação do cristão. Todos os demais cuidados os toma o Senhor sobre si. Mas aquela permanece enquanto nos encontramos nesta vida. Objetivamente falando, nunca teremos a segurança total de permanecer sempre nos caminhos de Deus. Assim como os primeiros seres humanos caíram da filiação divina na lonjura de Deus, do mesmo modo cada um de nós se encontra no fio da navalha entre o nada e a plenitude da vida divina. E cedo ou tarde o perceberemos subjetivamente. Na infância da vida espiritual, quando começamos a deixar-nos guiar pela mão de Deus, percebe-se com força e intensidade a mão que dirige: com clareza se vê que é o que tem de fazer ou omitir. Mas, isto não dura para sempre. Quem pertence a Cristo, tem que viver toda a vida de Cristo. Tem que alcançar a maturidade de Cristo e recorrer o caminho da Cruz, até o Getsêmani e o Gólgota. E todos os sofrimentos que possam vir de fora nada são em comparação à noite escuraClara alusão à obra de São João da Cruz. Para maior aprofundamento sobre o tema noite escura da alma (em espanhol noche oscura del alma) recomenda-se a leitura do texto em espanhol do Diccionario de San Juan de la Cruz , Editorial Monte Carmelo, Madrid, 2000, 1.577 p. director Eulogio Pacho, ISBN 84-7239-529-4 referente ao verbete "Noche oscura"(obra) das páginas 1017 até 1033 escritas por Eulogio Pacho, assim como o verbete Noche oscura del alma das páginas 1033 até 1062 escritas por Gabriel Castro. (vide também [[contra-reforma:joao-da-cruz:monte-carmelo-termos:noite:start|Monte Carmelo Noite]] da alma, quando a luz divina já não ilumina e a voz do Senhor não se escuta. Deus está ali, mas escondido e calado. Porque isso acontece assim? São mistérios de Deus sobre os quais falamos, mas que nunca se deixam desiludir completamente. Deus se fez humano para fazer-nos participar de sua vida de um modo novo. Isto o temos compreendido como participação na vida divina. Esse é o começo e a meta final. | O Faça-se tua vontade! em todo seu conteúdo tem que ser o fio condutor de toda a vida cristã. Tem que regular o curso do dia, de manhã à noite, o passar dos anos e da vida inteira. Esta será então a única preocupação do cristão. Todos os demais cuidados os toma o Senhor sobre si. Mas aquela permanece enquanto nos encontramos nesta vida. Objetivamente falando, nunca teremos a segurança total de permanecer sempre nos caminhos de Deus. Assim como os primeiros seres humanos caíram da filiação divina na lonjura de Deus, do mesmo modo cada um de nós se encontra no fio da navalha entre o nada e a plenitude da vida divina. E cedo ou tarde o perceberemos subjetivamente. Na infância da vida espiritual, quando começamos a deixar-nos guiar pela mão de Deus, percebe-se com força e intensidade a mão que dirige: com clareza se vê que é o que tem de fazer ou omitir. Mas, isto não dura para sempre. Quem pertence a Cristo, tem que viver toda a vida de Cristo. Tem que alcançar a maturidade de Cristo e recorrer o caminho da Cruz, até o Getsêmani e o Gólgota. E todos os sofrimentos que possam vir de fora nada são em comparação à noite escuraClara alusão à obra de São João da Cruz. Para maior aprofundamento sobre o tema noite escura da alma (em espanhol noche oscura del alma) recomenda-se a leitura do texto em espanhol do Diccionario de San Juan de la Cruz , Editorial Monte Carmelo, Madrid, 2000, 1.577 p. director Eulogio Pacho, ISBN 84-7239-529-4 referente ao verbete "Noche oscura"(obra) das páginas 1017 até 1033 escritas por Eulogio Pacho, assim como o verbete Noche oscura del alma das páginas 1033 até 1062 escritas por Gabriel Castro. (vide também Monte Carmelo Noite da alma, quando a luz divina já não ilumina e a voz do Senhor não se escuta. Deus está ali, mas escondido e calado. Porque isso acontece assim? São mistérios de Deus sobre os quais falamos, mas que nunca se deixam desiludir completamente. Deus se fez humano para fazer-nos participar de sua vida de um modo novo. Isto o temos compreendido como participação na vida divina. Esse é o começo e a meta final. |
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| Mas, entretanto tem algo mais. Cristo é Deus e humano, e quem toma parte em sua vida, tem que participar de sua vida divina e humana. A natureza divina que ele possui desde a eternidade, deu a sua [[evangelho-de-jesus:paixao:start|paixão]] e morte um valor infinito e uma força redentora. A paixão e morte de Cristo continuam em seu corpo místico e em cada um de seus membros. Todo ser humano tem que sofrer e morrer. Mas, se ele é um membro vivo do corpo místico de Cristo, então seu sofrimento e sua morte recebem uma força redentora em virtude da divindade da Cabeça. Essa é a razão objetiva pela qual todos os santos desejavam o sofrimento. Não se trata, pois, de uma tendência perversa para o sofrimento. Aos olhos da razão natural isto aparece como uma perversão, mas à luz do mistério da redenção é o mais razoável. E deste modo os que estão unidos à Cristo permanecem inclusive inquebrantáveis na experiência subjetiva da noite escura da lonjura e [[evangelho-de-jesus:paixao:calvario:abandono-de-deus:start|Abandono de Deus]]; quiçá permita a divina Economia da Salvação o sofrimento para liberar àqueles que estão atados. Por isso faça-se tua vontade! também e sobretudo na noite mais escura (vide nota abaixo). | Mas, entretanto tem algo mais. Cristo é Deus e humano, e quem toma parte em sua vida, tem que participar de sua vida divina e humana. A natureza divina que ele possui desde a eternidade, deu a sua paixão e morte um valor infinito e uma força redentora. A paixão e morte de Cristo continuam em seu corpo místico e em cada um de seus membros. Todo ser humano tem que sofrer e morrer. Mas, se ele é um membro vivo do corpo místico de Cristo, então seu sofrimento e sua morte recebem uma força redentora em virtude da divindade da Cabeça. Essa é a razão objetiva pela qual todos os santos desejavam o sofrimento. Não se trata, pois, de uma tendência perversa para o sofrimento. Aos olhos da razão natural isto aparece como uma perversão, mas à luz do mistério da redenção é o mais razoável. E deste modo os que estão unidos à Cristo permanecem inclusive inquebrantáveis na experiência subjetiva da noite escura da lonjura e Abandono de Deus; quiçá permita a divina Economia da Salvação o sofrimento para liberar àqueles que estão atados. Por isso faça-se tua vontade! também e sobretudo na noite mais escura (vide nota abaixo). |
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| Original | Original |
| - ÊTRE UN AVEC DIEU** | - ÊTRE UN AVEC DIEU** |
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| ÊTRE un avec Dieu ; où cela [[philokalia:philokalia-termos:nous:start|nous]] conduira-t-il, nous l'ignorons et nous ne devons pas le demander avant qu'il en soit temps. Nous savons seulement que pour ceux qui aiment le Seigneur, toutes choses tournent au bien. En outre, les chemins où le Seigneur nous conduit mènent bien au delà de cette terre. | ÊTRE un avec Dieu ; où cela nous conduira-t-il, nous l'ignorons et nous ne devons pas le demander avant qu'il en soit temps. Nous savons seulement que pour ceux qui aiment le Seigneur, toutes choses tournent au bien. En outre, les chemins où le Seigneur nous conduit mènent bien au delà de cette terre. |
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| O échange étonnant! En s'incarnant, le Créateur du genre humain nous donne en partage sa divinité. Pour cette œuvre admirable, le Sauveur est venu dans le monde. Dieu se fît enfant des hommes pour que les hommes deviennent enfants de Dieu. Un homme avait rompu le lien de notre appartenance à Dieu, un homme devait le renouer et expier. Mais aucun descendant de cette vieille souche, malade et abâtardie, n'en avait le pouvoir. Une nouvelle greffe, saine et noble, devait être entée sur le vieux tronc. Il est devenu l'un de nous et, plus encore, se fit un avec nous. Voilà bien la grandeur de la race humaine que nous soyons tous un. S'il en était autrement, si nous n'étions que des individus autonomes et séparés, libres et indépendants les uns des autres, la chute de l'un n'aurait pu entraîner la chute des autres. D'autre part, le prix de l'expiation aurait pu être payé pour nous et nous aurions été quittes, mais la justice de Dieu ne nous aurait pas été attribuée, à nous pécheurs, et aucune justification n'eût été possible. Aussi Dieu vint-il pour former avec nous un corps mystérieux : Lui, notre tête, nous, ses membres. Si nous mettons nos mains dans celles de l'Enfant divin, si nous répondons « oui ;) à son « suis-moi », alors nous sommes à Lui et il n'est plus d'obstacle au passage en nous de la vie divine. | O échange étonnant! En s'incarnant, le Créateur du genre humain nous donne en partage sa divinité. Pour cette œuvre admirable, le Sauveur est venu dans le monde. Dieu se fît enfant des hommes pour que les hommes deviennent enfants de Dieu. Un homme avait rompu le lien de notre appartenance à Dieu, un homme devait le renouer et expier. Mais aucun descendant de cette vieille souche, malade et abâtardie, n'en avait le pouvoir. Une nouvelle greffe, saine et noble, devait être entée sur le vieux tronc. Il est devenu l'un de nous et, plus encore, se fit un avec nous. Voilà bien la grandeur de la race humaine que nous soyons tous un. S'il en était autrement, si nous n'étions que des individus autonomes et séparés, libres et indépendants les uns des autres, la chute de l'un n'aurait pu entraîner la chute des autres. D'autre part, le prix de l'expiation aurait pu être payé pour nous et nous aurions été quittes, mais la justice de Dieu ne nous aurait pas été attribuée, à nous pécheurs, et aucune justification n'eût été possible. Aussi Dieu vint-il pour former avec nous un corps mystérieux : Lui, notre tête, nous, ses membres. Si nous mettons nos mains dans celles de l'Enfant divin, si nous répondons « oui ;) à son « suis-moi », alors nous sommes à Lui et il n'est plus d'obstacle au passage en nous de la vie divine. |
| Être enfant de Dieu signifie marcher la main dans la main de Dieu, faire sa volonté et non la nôtre, nous en remettre à Lui de nos soucis et de nos espoirs, ne plus nous inquiéter de notre propre avenir. Ainsi trouve-t-on la liberté et la joie. | Être enfant de Dieu signifie marcher la main dans la main de Dieu, faire sa volonté et non la nôtre, nous en remettre à Lui de nos soucis et de nos espoirs, ne plus nous inquiéter de notre propre avenir. Ainsi trouve-t-on la liberté et la joie. |
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| Combien peu les possèdent parmi les vrais croyants, et même parmi ceux qui ont fait d'eux-mêmes l'offrande héroïque! Combien vont toujours comme courbés sous le poids écrasant de leurs soucis et de leurs devoirs. Ils connaissent la [[philokalia:philokalia-termos:parabole:start|parabole]] des oiseaux du ciel et du lys des champs, mais s'ils rencontrent un homme sans ressources, ni pension, ni assurance qui vit insouciant de l'avenir, ils hochent la tête comme devant quelque chose d'insolite. Certes, attendre du Père qu'il prenne soin de nos revenus, de notre situation, de la manière que nous estimons souhaitable, serait se tromper lourdement. La confiance en Dieu ne peut demeurer ferme que si elle inclut la disposition de tout accepter de sa main. Lui seul sait ce qui nous convient. Et si un jour le besoin et la misère venaient à nous plutôt qu'une vie assurée et confortable, si l'échec et l'humiliation nous étaient meilleurs que l'honneur et le prestige, il nous faudrait être prêts. Qui fait ainsi peut vivre le présent, allégé de tout l'avenir. | Combien peu les possèdent parmi les vrais croyants, et même parmi ceux qui ont fait d'eux-mêmes l'offrande héroïque! Combien vont toujours comme courbés sous le poids écrasant de leurs soucis et de leurs devoirs. Ils connaissent la parabole des oiseaux du ciel et du lys des champs, mais s'ils rencontrent un homme sans ressources, ni pension, ni assurance qui vit insouciant de l'avenir, ils hochent la tête comme devant quelque chose d'insolite. Certes, attendre du Père qu'il prenne soin de nos revenus, de notre situation, de la manière que nous estimons souhaitable, serait se tromper lourdement. La confiance en Dieu ne peut demeurer ferme que si elle inclut la disposition de tout accepter de sa main. Lui seul sait ce qui nous convient. Et si un jour le besoin et la misère venaient à nous plutôt qu'une vie assurée et confortable, si l'échec et l'humiliation nous étaient meilleurs que l'honneur et le prestige, il nous faudrait être prêts. Qui fait ainsi peut vivre le présent, allégé de tout l'avenir. |
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| « Que ta volonté soit faite. » Telle doit être la règle de la vie chrétienne, ordonnant la journée du matin jusqu'au soir, le cours de l'année, la vie entière : unique préoccupation du chrétien. Tous les autres soucis, le Seigneur les assume. | « Que ta volonté soit faite. » Telle doit être la règle de la vie chrétienne, ordonnant la journée du matin jusqu'au soir, le cours de l'année, la vie entière : unique préoccupation du chrétien. Tous les autres soucis, le Seigneur les assume. |