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 O próprio Heidegger traça assim o primeiro ponto de comparação para nós. Ele, como Meister Eckhart, encontra no homem algo mais profundo do que seu comércio diário com as coisas ao seu redor. Este ser primordial do homem é chamado tanto por Heidegger quanto por Eckhart de “Wesen” do homem. Assim como para Eckhart, também para Heidegger, Wesen tem um sentido verbal. Eckhart geralmente traduzia o latim *esse* pelo alemão médio-alto wesen (ele frequentemente empregava wesenheit e wesunge como traduções de essentia) (cf. Q, “Anrnerkungen”, 538). Este termo significa para ele o “ser essencial”, o “ser primordial” de uma coisa, aquilo pelo qual uma coisa é o que é. Heidegger retoma esse sentido original da palavra e o utiliza para se referir ao próprio Ser de um ente. O próprio Heidegger traça assim o primeiro ponto de comparação para nós. Ele, como Meister Eckhart, encontra no homem algo mais profundo do que seu comércio diário com as coisas ao seu redor. Este ser primordial do homem é chamado tanto por Heidegger quanto por Eckhart de “Wesen” do homem. Assim como para Eckhart, também para Heidegger, Wesen tem um sentido verbal. Eckhart geralmente traduzia o latim *esse* pelo alemão médio-alto wesen (ele frequentemente empregava wesenheit e wesunge como traduções de essentia) (cf. Q, “Anrnerkungen”, 538). Este termo significa para ele o “ser essencial”, o “ser primordial” de uma coisa, aquilo pelo qual uma coisa é o que é. Heidegger retoma esse sentido original da palavra e o utiliza para se referir ao próprio Ser de um ente.
  
-Ora, em ambos os casos, o próprio ser do homem, que não é nada antropomórfico, reside na sua relação com algo que, por falta de palavra melhor, dizemos “transcende” o homem. O ser essencial do homem não se encontra em sua relação com os entes, mas em sua relação com aquilo que transcende os entes, isto é, com o Ser. Assim, para Eckhart, a essência da alma é a base da alma, que é atemporal, sem nome e incriada. Esta base é um “lugar” onde [[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]] e a alma se unem, onde o ser transcendente de Deus acontece no homem. O “homem verdadeiro” é o homem que “deixa Deus ser Deus”, que fornece uma morada que pode abrigar e preservar o nascimento do [[biblia:figuras:pai-mae-filho:filho:start|Filho]]. Assim também em Heidegger, o ser essencial do homem repousa em algo mais radical do que o homem “a questão do ser essencial (Wesen) do homem não é uma questão sobre o homem” (GA13 Gelassenheit. 2. Auflage. Pfullingen: Verlag Günther Neske, 1960, 31/58). Pois o grande ser do homem deve ser uma relação com o próprio Ser para fornecer um “lugar” (Ortschaft, HB, 77/204; Stelle, WM, 13/213) no qual o próprio Ser pode acontecer. O grande ser do homem é fornecer um abrigo e uma reserva para o ser da verdade.+Ora, em ambos os casos, o próprio ser do homem, que não é nada antropomórfico, reside na sua relação com algo que, por falta de palavra melhor, dizemos “transcende” o homem. O ser essencial do homem não se encontra em sua relação com os entes, mas em sua relação com aquilo que transcende os entes, isto é, com o Ser. Assim, para Eckhart, a essência da alma é a base da alma, que é atemporal, sem nome e incriada. Esta base é um “lugar” onde Deus e a alma se unem, onde o ser transcendente de Deus acontece no homem. O “homem verdadeiro” é o homem que “deixa Deus ser Deus”, que fornece uma morada que pode abrigar e preservar o nascimento do Filho. Assim também em Heidegger, o ser essencial do homem repousa em algo mais radical do que o homem “a questão do ser essencial (Wesen) do homem não é uma questão sobre o homem” (GA13 Gelassenheit. 2. Auflage. Pfullingen: Verlag Günther Neske, 1960, 31/58). Pois o grande ser do homem deve ser uma relação com o próprio Ser para fornecer um “lugar” (Ortschaft, HB, 77/204; Stelle, WM, 13/213) no qual o próprio Ser pode acontecer. O grande ser do homem é fornecer um abrigo e uma reserva para o ser da verdade.
  
-Eckhart e Heidegger não usam com frequência a palavra “homem”, ao invés falam em “Dasein”, a “pequena [[misticismo-renano-flamengo:misticos-renano-flamengos:paralelos-renano-flamengos:centelha:start|Centelha]]”, o “pequeno castelo”, a “base da alma”. Isto se dá não por conta de um desejo de inventividade terminológica, mas a partir do que Heidegger chamaria de tentativa de acompanhar o jogo da linguagem. Pois esta dimensão mais radical do ser do homem é algo que tende continuamente a desaparecer de vista e a ser esquecida. Quando falamos de “homem”, a linguagem nos acostuma imperceptivelmente a pensar que tudo o que “existe” no homem é algo humano, algo “antropológico”. Heidegger e Eckhart subvertem esta tendência para o significado mais fácil e mais superficial da palavra “homem”, evitando a palavra e usando em seu lugar uma linguagem que não ocultará, mas revelará o que “há” (west) no homem.+Eckhart e Heidegger não usam com frequência a palavra “homem”, ao invés falam em “Dasein”, a “pequena Centelha”, o “pequeno castelo”, a “base da alma”. Isto se dá não por conta de um desejo de inventividade terminológica, mas a partir do que Heidegger chamaria de tentativa de acompanhar o jogo da linguagem. Pois esta dimensão mais radical do ser do homem é algo que tende continuamente a desaparecer de vista e a ser esquecida. Quando falamos de “homem”, a linguagem nos acostuma imperceptivelmente a pensar que tudo o que “existe” no homem é algo humano, algo “antropológico”. Heidegger e Eckhart subvertem esta tendência para o significado mais fácil e mais superficial da palavra “homem”, evitando a palavra e usando em seu lugar uma linguagem que não ocultará, mas revelará o que “há” (west) no homem.
  
 Em ambos os casos, então, a interpretação antropológica do homem é “superada”. O homem não é entendido “zoologicamente” como um animal com a diferença específica da racionalidade. Nem lhe é dada nenhuma das outras especificações do homem, igualmente antropológicas, na filosofia ocidental, como “espírito” ou “pessoa” (Humanismusbrief, 66; SZ, § 10). Todas essas determinações do homem são “metafísicas”, ou seja, tomam o homem como uma espécie de ente que deve ser diferenciada das outras espécies. São determinações “ônticas” do homem. Eckhart, com efeito, insiste bastante no fato de que a base da alma não pertence a nenhuma categoria classificável, que não é um modo determinado de ser. “Este poder não tem nada em comum com qualquer outro”, diz ele (Q, 210,13-4/Serm., 220). Não é “isso nem aquilo”. Não pode sequer ser nomeado: Em ambos os casos, então, a interpretação antropológica do homem é “superada”. O homem não é entendido “zoologicamente” como um animal com a diferença específica da racionalidade. Nem lhe é dada nenhuma das outras especificações do homem, igualmente antropológicas, na filosofia ocidental, como “espírito” ou “pessoa” (Humanismusbrief, 66; SZ, § 10). Todas essas determinações do homem são “metafísicas”, ou seja, tomam o homem como uma espécie de ente que deve ser diferenciada das outras espécies. São determinações “ônticas” do homem. Eckhart, com efeito, insiste bastante no fato de que a base da alma não pertence a nenhuma categoria classificável, que não é um modo determinado de ser. “Este poder não tem nada em comum com qualquer outro”, diz ele (Q, 210,13-4/Serm., 220). Não é “isso nem aquilo”. Não pode sequer ser nomeado:
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