User Tools

Site Tools


estudos:borella:serafim-da-alma:start

Differences

This shows you the differences between two versions of the page.

Link to this comparison view

Both sides previous revisionPrevious revision
estudos:borella:serafim-da-alma:start [10/01/2026 15:54] mccastroestudos:borella:serafim-da-alma:start [11/01/2026 06:14] (current) – external edit 127.0.0.1
Line 1: Line 1:
 ===== BORELLA SERAFIM DA ALMA ===== ===== BORELLA SERAFIM DA ALMA =====
-Jean [[estudos:borella:start|Borella]] — DO NÃO-SER E DO SERAFIM DA ALMA+Jean Borella — DO NÃO-SER E DO SERAFIM DA ALMA
  
 Tradução cuidadosa e cercada de notas complementares (NT) do estimado amigo Antonio Carneiro (trabalho ainda em revisão) Tradução cuidadosa e cercada de notas complementares (NT) do estimado amigo Antonio Carneiro (trabalho ainda em revisão)
Line 6: Line 6:
 DO NÃO-SER E DO SERAFIM DA ALMA DO NÃO-SER E DO SERAFIM DA ALMA
  
-De [[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]], considerado « em si », em seu absoluto mais radical, que se pode dizer? Por que nome designar o que está além de todo nome? [[misticismo-renano-flamengo:eckhart:start|Mestre Eckhart]] fala, a este respeito, do “Nome inominável” (nomen innominabile). A palavra « deus » nada mais é que um termo comum que, nas línguas latinas, foi progressivamente consagrado à designação do infinitamente e absolutamente real. Certamente, enquanto Deus é considerado como Princípio da existência, ao mesmo tempo transcendente e imanente a tudo o que é, pode-se designá-lo como o Ser necessário, o Ser por excelência; designação legítima e suficiente para as necessidade especulativas ordinárias, mas da qual não se poderia esquecer o caráter analógico, o “ser” [[biblia:figuras:divindade:divino:start|Divino]] transcendendo infinitamente o modo de ser das criaturas. Além disto, neste caso, ele é visado em sua relação ao criado: como então « nomear » Deus enquanto se « situa » além de toda relação causal, logo enquanto repousa em seu puro absoluto?+De Deus, considerado « em si », em seu absoluto mais radical, que se pode dizer? Por que nome designar o que está além de todo nome? Mestre Eckhart fala, a este respeito, do “Nome inominável” (nomen innominabile). A palavra « deus » nada mais é que um termo comum que, nas línguas latinas, foi progressivamente consagrado à designação do infinitamente e absolutamente real. Certamente, enquanto Deus é considerado como Princípio da existência, ao mesmo tempo transcendente e imanente a tudo o que é, pode-se designá-lo como o Ser necessário, o Ser por excelência; designação legítima e suficiente para as necessidade especulativas ordinárias, mas da qual não se poderia esquecer o caráter analógico, o “ser” Divino transcendendo infinitamente o modo de ser das criaturas. Além disto, neste caso, ele é visado em sua relação ao criado: como então « nomear » Deus enquanto se « situa » além de toda relação causal, logo enquanto repousa em seu puro absoluto?
  
 Eis porque os maiores metafísicos pensaram que Deus em si não fosse nominável, quer dizer concebível, a não ser de uma maneira aparentemente negativa. Donde a designação do Deus Absconditus como Não-Ser ou Supra-Ser. Atribui-se geralmente a estas expressões uma origem oriental, as metafísicas e as teologias do Ocidente se limitando, assim se pensa, à perspectiva ontológica. A realidade é um pouco diferente. É o que desejaríamos mostrar, estudando a significação do sintagma “não-ser” nas diferentes tradições; estudo sumário e que exigiria de fato um volume inteiro, mas que bastaria para estabelecer, assim pensamos, por um lado que este sintagma, nos textos dos pensadores orientais, significa frequentemente: nada, inexistente, e por outro lado, que sua significação mais elevada se encontra sobretudo na tradição platônica. Mas evidentemente, a ausência desta expressão em uma tradição doutrinal não prova de modo algum a ignorância da perspectiva supra-ontológica. Eis porque os maiores metafísicos pensaram que Deus em si não fosse nominável, quer dizer concebível, a não ser de uma maneira aparentemente negativa. Donde a designação do Deus Absconditus como Não-Ser ou Supra-Ser. Atribui-se geralmente a estas expressões uma origem oriental, as metafísicas e as teologias do Ocidente se limitando, assim se pensa, à perspectiva ontológica. A realidade é um pouco diferente. É o que desejaríamos mostrar, estudando a significação do sintagma “não-ser” nas diferentes tradições; estudo sumário e que exigiria de fato um volume inteiro, mas que bastaria para estabelecer, assim pensamos, por um lado que este sintagma, nos textos dos pensadores orientais, significa frequentemente: nada, inexistente, e por outro lado, que sua significação mais elevada se encontra sobretudo na tradição platônica. Mas evidentemente, a ausência desta expressão em uma tradição doutrinal não prova de modo algum a ignorância da perspectiva supra-ontológica.
  
-Lembremos de imediato que o francês “não-ser”, que se encontra, assim parece, pela primeira vez em [[contra-reforma:bossuet:start|Bossuet]], traduz as expressões latinas non-esse ou non-ens (“não-ser” ou “não-ente”), que, elas mesmas, provêm do grego me on: on é um particípio presente neutro e significa « ente » ; me exprime a negação, não a negação pura e simples de um fato determinado que não se produziu (o qual se diz ou; ouk diante de uma vogal), mas de fato a negação de uma qualidade ou de uma determinação em geral. Neste sentido, pode exprimir a privação: o não-vidente ou o não-ciente. Ora, negar uma determinação, pode ser também negar uma limitação. Neste caso, mè tem o mesmo sentido que o prefixo português (in-), por exemplo, em “in-finito” ou “in-formal”. Logo é mè-on que, por transposição metafísica, pode corresponder ao Não-Ser guenoniano .+Lembremos de imediato que o francês “não-ser”, que se encontra, assim parece, pela primeira vez em Bossuet, traduz as expressões latinas non-esse ou non-ens (“não-ser” ou “não-ente”), que, elas mesmas, provêm do grego me on: on é um particípio presente neutro e significa « ente » ; me exprime a negação, não a negação pura e simples de um fato determinado que não se produziu (o qual se diz ou; ouk diante de uma vogal), mas de fato a negação de uma qualidade ou de uma determinação em geral. Neste sentido, pode exprimir a privação: o não-vidente ou o não-ciente. Ora, negar uma determinação, pode ser também negar uma limitação. Neste caso, mè tem o mesmo sentido que o prefixo português (in-), por exemplo, em “in-finito” ou “in-formal”. Logo é mè-on que, por transposição metafísica, pode corresponder ao Não-Ser guenoniano .
  
 - NÃO-SER NO LÉXICO CHINÊS - NÃO-SER NO LÉXICO CHINÊS
/home/mccastro/public_html/cristologia/data/pages/estudos/borella/serafim-da-alma/start.txt · Last modified: by 127.0.0.1