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| ===== A PALAVRA SILENCIOSA... ===== | ===== A PALAVRA SILENCIOSA... ===== | ||
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| Angelus Silesius certamente não tem a delicadeza aristocrática de São João da Cruz, nem a paixão de Teresa de Ávila, nem a audácia genial de Hadewijch de Antuérpia, nem a pureza abstrata de Mestre Eckhart, mas nenhum místico destacou melhor a sutil relação entre a palavra e o silêncio, que transcende e culmina naquilo que São João da Cruz, em uma frase despreocupada com o senso comum dos tolos, não hesitou em chamar de " | Angelus Silesius certamente não tem a delicadeza aristocrática de São João da Cruz, nem a paixão de Teresa de Ávila, nem a audácia genial de Hadewijch de Antuérpia, nem a pureza abstrata de Mestre Eckhart, mas nenhum místico destacou melhor a sutil relação entre a palavra e o silêncio, que transcende e culmina naquilo que São João da Cruz, em uma frase despreocupada com o senso comum dos tolos, não hesitou em chamar de " | ||
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| e assim, longe de ser meramente uma ausência de ruído ou, pior ainda, aquele nada do qual Pascal tem medo, uma solidão terrível na qual aprenderíamos que o céu está vazio, o silêncio pode, ao contrário, tornar-se o superlativo da palavra: o silêncio não está abaixo, mas acima de uma palavra que ele resume e cumpre em um canto inefável (que nenhuma música humana pode igualar, mas que, acreditamos, | e assim, longe de ser meramente uma ausência de ruído ou, pior ainda, aquele nada do qual Pascal tem medo, uma solidão terrível na qual aprenderíamos que o céu está vazio, o silêncio pode, ao contrário, tornar-se o superlativo da palavra: o silêncio não está abaixo, mas acima de uma palavra que ele resume e cumpre em um canto inefável (que nenhuma música humana pode igualar, mas que, acreditamos, | ||
| - | > O belo canto do silêncio | + | O belo canto do silêncio |
| - | - O canto dos anjos é belo, mas eu sei que o seu,* | + | O canto dos anjos é belo, mas eu sei que o seu, \\ |
| - | - se você não é nada além de silêncio, é mais caro ao Altíssimo (II, 32).* | + | se você não é nada além de silêncio, é mais caro ao Altíssimo (II, 32). \\ |
| De onde vem, então, a virtude desse Silêncio, que não é menos, mas mais, infinitamente mais, do que a fala comum? A Palavra silenciosa não é outra coisa senão a Palavra: é o próprio Deus, e é por isso que, em harmonia com essa Palavra, tantos místicos foram grandes poetas, mas cujo único objetivo do poema é homenagear o silêncio, conduzir ao Silêncio, ou seja, a Deus. Deus, por ser Espírito, não diz palavras que possam ser fisicamente ouvidas: esse ponto de importância decisiva é particularmente enfatizado na oração de Santo Ambrósio: " | De onde vem, então, a virtude desse Silêncio, que não é menos, mas mais, infinitamente mais, do que a fala comum? A Palavra silenciosa não é outra coisa senão a Palavra: é o próprio Deus, e é por isso que, em harmonia com essa Palavra, tantos místicos foram grandes poetas, mas cujo único objetivo do poema é homenagear o silêncio, conduzir ao Silêncio, ou seja, a Deus. Deus, por ser Espírito, não diz palavras que possam ser fisicamente ouvidas: esse ponto de importância decisiva é particularmente enfatizado na oração de Santo Ambrósio: " | ||
| - | > O surdo ouve a Palavra | + | O surdo ouve a Palavra |
| - | - Amigo, quer você acredite ou não, em toda parte eu ouço,* | + | Amigo, quer você acredite ou não, em toda parte eu ouço, |
| - | - embora eu seja surdo e mudo, a palavra eterna (II, 63).* | + | embora eu seja surdo e mudo, a palavra eterna (II, 63). \\ |
| Deus é a Palavra, ou melhor, ele gera a Palavra, isto é, o Verbo, mas se Deus é assim essencialmente a Palavra, longe de balbuciar, silenciosamente fala a única Palavra: | Deus é a Palavra, ou melhor, ele gera a Palavra, isto é, o Verbo, mas se Deus é assim essencialmente a Palavra, longe de balbuciar, silenciosamente fala a única Palavra: | ||
| - | > É Deus quem fala menos. | + | É Deus quem fala menos. |
| - | - Ninguém fala menos que Deus, sem tempo nem lugar.* | + | Ninguém fala menos que Deus, sem tempo nem lugar. |
| - | - Ele fala desde a eternidade uma só palavra (IV, 129).* | + | Ele fala desde a eternidade uma só palavra (IV, 129). \\ |
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