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ate-agostinho:ambrosio:porque-jesus:start

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 ===== AMBROSIO PORQUE JESUS ===== ===== AMBROSIO PORQUE JESUS =====
-[[ate-agostinho:ambrosio:start|Ambrósio de Milão]] — Tratado sobre o Evangelho de São Lucas+Ambrósio de Milão — Tratado sobre o Evangelho de São Lucas
  
 ==== S. Ambrósio — Lc 12, 49-50. — Porque Jesus veio ==== ==== S. Ambrósio — Lc 12, 49-50. — Porque Jesus veio ====
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 131. “ Vim para por fogo na terra, e que que hei de querer senão que arda ? Tenho que receber um batismo, e como me angustio até que isso se cumpra ! ” Nos parágrafos anteriores nos expressou seu desejo de nos ver vigilantes, esperando em todo momento a vinda do Senhor da salvação, para que ninguém, enquanto abandona e esquece com negligência seu trabalho, adiando de um dia para outro, quando chegue, pela própria morte, o juízo futuro, perca a recompensa de seu esforço. Ainda que a apresentação geral do preceito vá dirigida para todos, no entanto, o teor da comparação seguinte parece estar dirigida aos dispensadores, quer dizer, aos sacerdotes (bispos), pelo qual devem saber que, ao fim da vida, far-se-ão credores de um grande castigo se, preocupados pelo bem-estar deste mundo, governam com negligência a casa do Senhor e o povo encomendado à eles. 131. “ Vim para por fogo na terra, e que que hei de querer senão que arda ? Tenho que receber um batismo, e como me angustio até que isso se cumpra ! ” Nos parágrafos anteriores nos expressou seu desejo de nos ver vigilantes, esperando em todo momento a vinda do Senhor da salvação, para que ninguém, enquanto abandona e esquece com negligência seu trabalho, adiando de um dia para outro, quando chegue, pela própria morte, o juízo futuro, perca a recompensa de seu esforço. Ainda que a apresentação geral do preceito vá dirigida para todos, no entanto, o teor da comparação seguinte parece estar dirigida aos dispensadores, quer dizer, aos sacerdotes (bispos), pelo qual devem saber que, ao fim da vida, far-se-ão credores de um grande castigo se, preocupados pelo bem-estar deste mundo, governam com negligência a casa do Senhor e o povo encomendado à eles.
  
-132. Mas com o proveito daqueles que são afastados do erro pelo temor do suplício, é mínimo, e escasso também o cúmulo de seus méritos (porque certamente é de muito maior valor a caridade e o amor), o Senhor aguça nosso interesse para merecer sua graça e nos inflama no desejo de possuir a [[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]], dizendo-nos: “ Vim para por fogo na terra” , mas não um fogo que destrói os bens, mas sim esse que faz germinar a boa vontade e enriquece os vasos de ouro da casa de Deus destruindo o feno e a palha (1Cor 3,12ss); esse fogo [[biblia:figuras:divindade:divino:start|Divino]] que murcha os desejos terrenos, elaborados pelos prazeres mundanos, os quais devem perecer como obra da carne; esse fogo, enfim, que era o que ardia com força dentro dos ossos dos profetas, como disse esse grande santo Jeremias : “ O que arde dentro de meus ossos é como um fogo abrasador ” (Jr 20,9). Com efeito, o fogo do que está escrito: “ Arderá um fogo diante de Ele” (Sl 96,3) é o fogo do Senhor. E ainda o próprio Senhor é esse fogo, como Ele mesmo disse: “ Eu sou o fogo que queima e não consome” (Ex 3,22 ; cf. 24,17; Dt 4,24: Hb 12,29); porque o fogo do Senhor é uma luz eterna, e com este fogo é com o que se ascendem as lamparinas das que se disse mais acima: “ Estejam vossos lombos cingidos e acesas vossas lamparinas” . E posto que o dia desta vida é como uma noite, é necessário uma luz. Também Ammaus e Cleofás foram testemunhos deste fogo que o Senhor lhes havia infundido, quando disseram: “ Não ardiam nossos corações, enquanto no caminho nos explicava as escrituras ? ” (Lc 24,32). Eles aprenderam, com efeito, com clareza qual é a ação própria deste fogo, que ilumina o mais íntimo do coração. Por isso, talvez, o Senhor virá ao fim com o sinal do fogo (cf. Is 66,15-16), com objetivo de destruir, no momento da ressurreição, todos os vícios, encher os desejos de cada qual com sua presença e lançar luz sobre os métodos e os mistérios.+132. Mas com o proveito daqueles que são afastados do erro pelo temor do suplício, é mínimo, e escasso também o cúmulo de seus méritos (porque certamente é de muito maior valor a caridade e o amor), o Senhor aguça nosso interesse para merecer sua graça e nos inflama no desejo de possuir a Deus, dizendo-nos: “ Vim para por fogo na terra” , mas não um fogo que destrói os bens, mas sim esse que faz germinar a boa vontade e enriquece os vasos de ouro da casa de Deus destruindo o feno e a palha (1Cor 3,12ss); esse fogo Divino que murcha os desejos terrenos, elaborados pelos prazeres mundanos, os quais devem perecer como obra da carne; esse fogo, enfim, que era o que ardia com força dentro dos ossos dos profetas, como disse esse grande santo Jeremias : “ O que arde dentro de meus ossos é como um fogo abrasador ” (Jr 20,9). Com efeito, o fogo do que está escrito: “ Arderá um fogo diante de Ele” (Sl 96,3) é o fogo do Senhor. E ainda o próprio Senhor é esse fogo, como Ele mesmo disse: “ Eu sou o fogo que queima e não consome” (Ex 3,22 ; cf. 24,17; Dt 4,24: Hb 12,29); porque o fogo do Senhor é uma luz eterna, e com este fogo é com o que se ascendem as lamparinas das que se disse mais acima: “ Estejam vossos lombos cingidos e acesas vossas lamparinas” . E posto que o dia desta vida é como uma noite, é necessário uma luz. Também Ammaus e Cleofás foram testemunhos deste fogo que o Senhor lhes havia infundido, quando disseram: “ Não ardiam nossos corações, enquanto no caminho nos explicava as escrituras ? ” (Lc 24,32). Eles aprenderam, com efeito, com clareza qual é a ação própria deste fogo, que ilumina o mais íntimo do coração. Por isso, talvez, o Senhor virá ao fim com o sinal do fogo (cf. Is 66,15-16), com objetivo de destruir, no momento da ressurreição, todos os vícios, encher os desejos de cada qual com sua presença e lançar luz sobre os métodos e os mistérios.
  
-133. Tanta é a condescendência do Senhor, que testemunham ter em seu coração um grande desejo de infundir-nos a devoção, de consumar em nós a perfeição e de realizar, em nosso favor, sua [[evangelho-de-jesus:paixao:start|paixão]]. Este Senhor, que nada tinha que devesse estar agarrado à dor, quis angustiar-se por nossos sofrimentos, e no [[philokalia:larchet:morte-tradicao-ortodoxa:momento-da-morte:start|Momento da Morte]] se deixou levar por uma tristeza, que não era causada pelo medo de sua própria morte, mas sim motivada pela demora de nossa redenção; e por isso está escrito: “ E que angustiado estou até que se cumpra ! ” O qual nos explica claramente que Ele, que se angustia atá que se cumpra o que deseja, está seguro de que se vai realizar. Mas também disse em outro lugar: “ Minha alma está triste até a morte” (Mt 26,38). O Senhor não está triste pela morte, mas sim até a morte, porque o que lhe angustia não é o temor dela, mas sim o sentimento de sua condição corporal. Mas Ele que se fez carne, deveu passar também por tudo o que era próprio da carne, como o ter fome, sede, angústia, tristeza, ainda que a [[biblia:figuras:divindade:start|Divindade]] não conheça alteração por estas impressões. Ao mesmo tempo nos mostrou que, na luta contra a dor, a morte corporal é uma liberação do sofrimento e não um paroxismo da dor.+133. Tanta é a condescendência do Senhor, que testemunham ter em seu coração um grande desejo de infundir-nos a devoção, de consumar em nós a perfeição e de realizar, em nosso favor, sua paixão. Este Senhor, que nada tinha que devesse estar agarrado à dor, quis angustiar-se por nossos sofrimentos, e no Momento da Morte se deixou levar por uma tristeza, que não era causada pelo medo de sua própria morte, mas sim motivada pela demora de nossa redenção; e por isso está escrito: “ E que angustiado estou até que se cumpra ! ” O qual nos explica claramente que Ele, que se angustia atá que se cumpra o que deseja, está seguro de que se vai realizar. Mas também disse em outro lugar: “ Minha alma está triste até a morte” (Mt 26,38). O Senhor não está triste pela morte, mas sim até a morte, porque o que lhe angustia não é o temor dela, mas sim o sentimento de sua condição corporal. Mas Ele que se fez carne, deveu passar também por tudo o que era próprio da carne, como o ter fome, sede, angústia, tristeza, ainda que a Divindade não conheça alteração por estas impressões. Ao mesmo tempo nos mostrou que, na luta contra a dor, a morte corporal é uma liberação do sofrimento e não um paroxismo da dor.
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