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CHAVE
THEOSOPHOS — JACOB BOEHME — CHAVE PARA OS ESCRITOS DE JACOB BOEHME
Nota do compilador
- Esta edição da Clavis, ou Chave, baseia-se em recursos disponíveis gratuitamente na internet, sendo considerada a primeira versão inglesa gratuita e inteiramente pesquisável em formato de texto, não de imagens digitalizadas.
- Martin Euser, compilador, expressa a convicção de que o patrimônio de Jacob Boehme deve estar acessível a todos sem custo, algo facilmente realizável com as tecnologias atuais como a internet.
- Interessados em colaborar com a conversão de outros livros de Boehme em versões eletrônicas de texto podem contatar o compilador pelo site meuser.awardspace.com.
O prefácio ao leitor destes escritos
- O homem natural não recebe as coisas do espírito nem o Mistério do reino de Deus, pois lhe parecem loucura, e por isso o leitor cristão amante dos Mistérios é advertido a não ler esses escritos elevados apenas exteriormente, com especulação e meditação aguçadas, pois assim permanecerá apenas no fundamento imaginário exterior e não obterá mais do que uma sombra fingida deles.
- A expressão “homem natural” remete àquele que não compreende nem percebe as coisas espirituais.
- A leitura meramente exterior produz apenas uma “cor falsificada” ou “sombra fingida” dos escritos, sem acesso ao fundamento real.
- A razão humana, sem a luz de Deus, não pode penetrar no fundamento desses escritos, por mais agudo e sutil que seja o engenho humano, pois ele não capta mais do que a sombra de si mesmo num espelho.
- Cristo afirma que sem ele nada se pode fazer, sendo ele a Luz do Mundo e a Vida dos homens.
- João 15:5 é evocado implicitamente na afirmação “sem mim nada podeis fazer”.
- Quem deseja investigar o fundamento divino, isto é, a revelação divina, deve primeiro considerar para que fim deseja tal conhecimento — se pretende praticá-lo para a glória de Deus e o bem do próximo, e se está disposto a morrer para a mundanidade e para a própria vontade, a fim de viver naquilo que busca e ser um espírito com ele.
- A palavra “revelação” é usada como equivalente de “manifestação”.
- Quem não tiver o propósito de, caso Deus lhe revele a si mesmo e seus Mistérios, tornar-se um espírito e ter uma vontade com ele, e de se render e submeter inteiramente a ele para que o espírito de Deus faça o que bem entenda nele e por meio dele — esse ainda não está pronto para tal conhecimento e compreensão.
- A expressão “deed” é traduzida como “ação” ou “obra”, no sentido de operação divina.
- Muitos buscam Mistérios e conhecimento oculto apenas para serem respeitados e estimados pelo mundo e para seu próprio proveito e lucro, mas não alcançam esse fundamento onde o espírito investiga todas as coisas, até as profundezas de Deus.
- 1 Coríntios 2:10 é evocado implicitamente na expressão “o espírito investiga todas as coisas, até as profundezas de Deus”.
- É necessária uma vontade totalmente rendida e entregue, na qual o próprio Deus investiga e opera, e que continuamente penetra em Deus numa humildade rendida e submissa, buscando apenas sua pátria eterna e o serviço ao próximo — e então tal conhecimento pode ser alcançado, devendo-se começar com arrependimento efetivo, emenda e oração, para que o entendimento seja aberto por dentro.
- Quando alguém lê tais escritos e não consegue compreendê-los, não deve abandoná-los nem julgá-los incompreensíveis, mas deve voltar a mente para Deus, suplicando graça e entendimento, e tornar a ler — e assim verá cada vez mais neles, até ser atraído pelo poder de Deus à própria profundeza, chegando ao fundamento sobrenatural e supra-sensorial, isto é, à unidade eterna de Deus.
- Nesse fundamento, palavras inefáveis porém eficazes de Deus são ouvidas, que conduzem de volta ao exterior e à matéria mais grosseira da terra, e depois de volta a Deus — e então o espírito de Deus investiga todas as coisas com o leitor e por meio dele.
- Como os amantes desses escritos desejam uma Clavis, ou chave, deles, há a disposição de satisfazê-los com uma breve descrição do fundamento daquelas palavras estranhas, algumas extraídas da natureza e do sentido, outras pertencentes a autores místicos, examinadas segundo o sentido e julgadas boas e adequadas.
- A expressão latina “ex sensu” significa “a partir do sentido” ou “a partir da experiência”.
- Os “mestres estranhos” referem-se a autistas ou autores místicos.
- A razão tropeçará ao ver termos e palavras pagãos usados na explicação de coisas naturais, supondo que apenas expressões bíblicas deveriam ser empregadas — mas tais palavras nem sempre se ajustam à exposição fundamental das propriedades da natureza, e os sábios pagãos e judeus ocultaram sob essas palavras o fundamento profundo da natureza, compreendendo que o conhecimento da natureza não é para todos, mas apenas para aqueles que Deus escolheu por natureza.
- A nota indica que “naturalmente inclinado a isso” é o sentido da expressão usada.
- Ninguém precisa tropeçar nisso, pois quando Deus revela seus Mistérios a alguém, ao mesmo tempo lhe confere uma mente e faculdade para expressá-los da maneira que Deus conhece ser mais necessária e proveitosa em cada época, para recolocar as línguas e opiniões confusas sobre o verdadeiro fundamento — e isso não acontece por acaso nem pela razão humana.
- A palavra “seculum” é usada para “época” ou “era”.
- As revelações das coisas divinas são abertas pelo fundamento interior do mundo espiritual e trazidas a formas visíveis, tal como o Criador as quer manifestar.
- Propõe-se escrever apenas uma breve descrição da manifestação divina, na medida do que pode ser compreendido em síntese, expondo as palavras estranhas para melhor entendimento dos livros e apresentando aqui a suma desses escritos ou um modelo e epítome deles para consideração e auxílio dos iniciantes — com a explicação mais ampla a ser encontrada nos outros livros ou revelações.
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