ESTADO ORIGINAL
René Guénon: OS SÍMBOLOS DA CIÊNCIA SAGRADA
A tradição hindu ensina que, no início, havia apenas uma única casta, chamada Hamsa; isso significa que todos os homens possuíam então, de forma natural e espontânea, o grau espiritual designado por esse nome, que se situa além da distinção das quatro castas atuais.
De acordo com o que acabamos de dizer, o Graal representa ao mesmo tempo duas coisas que estão intimamente ligadas uma à outra: aquele que possui integralmente a “tradição primordial”, que alcançou o grau de conhecimento efetivo que essa posse implica essencialmente, está, por isso mesmo, reintegrado na plenitude do “estado primordial”. A essas duas coisas, “estado primordial” e “tradição primordial”, refere-se o duplo sentido inerente à própria palavra Graal, uma vez que, por uma dessas assimilações verbais que frequentemente desempenham no simbolismo um papel nada desprezível, e que têm, aliás, razões muito mais profundas do que se poderia imaginar à primeira vista, o Graal é ao mesmo tempo um vaso (grasale) e um livro (gradale ou graduale); e este último aspecto designa manifestamente a tradição, enquanto o outro diz respeito mais diretamente ao próprio estado.
