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Palavra
THEOSOPHOS — Caspar Schwenckfeld (1490-1561)
MAIER, Paul. CASPAR SCHWENCKFELD ON THE PERSON AND WORK OF CHRIST. 1959
Doutrina da Palavra
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A doutrina da Palavra de Deus na teologia schwenckfeldiana replica o padrão sacramental, distinguindo uma Palavra interior e uma exterior, correspondentes ao homem interior e ao exterior, sendo a Palavra verdadeira, eterna e natural de Deus o próprio Cristo — espírito e vida —, enquanto a letra externa é “Palavra de Deus” apenas em sentido derivado.
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João 6 — locus escriturístico fundamental para a identificação da Palavra interior com Cristo vivo
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A letra externa — seja escrita na Escritura, pronunciada no sermão ou representada em símbolo, imagem ou sinal — é Palavra de Deus apenas em sentido derivado
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A Palavra interior não é transmitida por meio da exterior e não admite mistura com o externo
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Pode haver comunicação simultânea, com a palavra exterior declarando, anunciando e apontando para a Palavra interior, Cristo
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Função da palavra exterior: “…promessa e sinal dados aos crentes apenas para instrução e garantia de sua carne e do homem exterior, e como lembrete e demonstração da fé interior, assim como deve ser entendida apenas a partir e por meio da fé”
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Cristo como Palavra interior exerce funções espirituais múltiplas: semente que regenera o homem interior; pão ou alimento que nutre a alma renascida; água que lava os pecados do regenerado e apaga a sede de sua alma; espírito, não letra; vida e luz; palavra da cruz
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A atividade de Cristo na esfera espiritual do sacramento e da Palavra é essencialmente idêntica: em sua imediatidade com a alma crente, Cristo é seu próprio meio de graça, e a graça que comunica é ele mesmo
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Grützmacher — estudioso que tratou do locus da Palavra em Schwenckfeld em Wort und Geist, pp. 158-73
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J. H. Maronier — autor de Het Inwendig Woord (Amsterdam, 1890), que oferece retrato preciso mas não discute suficientemente as diferenças entre Schwenckfeld, Hans Denk e Sebastian Franck
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J. Lindeboom — autor de Stiefkinderen van het Christendom que contrasta Schwenckfeld e Franck com mais precisão
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Reinhold Pietz — autor do estudo mais detalhado sobre o problema, em Der Mensch Ohne Christus (dissertação, Universidade de Tübingen, 1956)
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De Cursu Verbi Dei (1527) — tratado fundamental de Schwenckfeld: “O curso da Palavra de Deus vivo é livre, não se prende ao visível… mas repousa inteiramente no invisível”
A Bíblia
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As Sagradas Escrituras são consideradas na teologia schwenckfeldiana como inspiradas pelo Espírito Santo, sem erro e normativas para a fé e a vida cristã, mas a inspiração não é concebida como processo mecânico, sendo a Bíblia apenas o registro ou esboço daquilo que o Espírito operou nos corações dos profetas e apóstolos.
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A Escritura é o registro ou adumbração — esboço ou reflexo — do que foi obrado nos corações dos profetas e apóstolos pela revelação do Espírito
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Schwenckfeld sempre defendeu a leitura fervorosa da Sagrada Escritura, e os extensos índices de citações bíblicas em cada volume do Corpus Schwenckfeldianorum atestam seu constante recurso às Escrituras
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O critério exegético decisivo é cristocêntrico: “A exposição de todos os textos da Sagrada Escritura deve e precisa ser buscada e entendida no único Cristo, em quem estão ocultos todos os tesouros da sabedoria”
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Função demonstrativa da Bíblia: “As Escrituras… indicam, na verdade, quem e o que é a Palavra de Deus, mas não se apresentam como sendo essa Palavra. Sempre apontam além de si mesmas para Cristo, que deve pregar e pronunciar-se a si mesmo no coração crente pelo Espírito Santo, e que sozinho é a Palavra, o Poder e a Sabedoria de Deus”
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A verdadeira exposição da Bíblia requer “estudiosos de Deus” em vez de “estudiosos da letra” — Gottesgelehrten em vez de Schriftgelehrten, distinção favorita em Schwenckfeld
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O espiritualismo mediador da posição schwenckfeldiana: as Sagradas Escrituras constituem a norma da teologia, mas apenas uma compreensão espiritual da Bíblia é sua interpretação normativa
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A Palavra interior é o expositor supremo, mas sua exposição corresponde necessariamente à palavra exterior, ainda que os dois não sejam instrumentalmente correlacionados
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Citação de XII, 451: “Tudo o que o Espírito ensina interiormente no coração deve ser conforme a Sagrada Escritura e com ela concordar”
O Ministério
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A doutrina schwenckfeldiana do ministério parte do pressuposto de que a palavra falada não é mais um veículo da Palavra interior do que a escrita, reconhecendo que o ministério apostólico possuía eficácia divina mas havia degenerado, e que a pregação, embora nunca um meio de graça no sentido luterano, é necessária positivamente para instrução do homem exterior e negativamente como freio ao tumulto popular.
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Vehiculum — termo latino para “veículo” ou “meio de transmissão”, categoria que Schwenckfeld recusava tanto para a palavra escrita quanto para a falada
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Os apóstolos não podiam comunicar seu poder espiritual — o ofício havia degenerado consideravelmente desde seus dias
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Schwenckfeld nunca aconselhou a suspensão do ministério, como fez com a Ceia exterior, respeitando o ofício quando administrado segundo a vontade de Deus
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O homem interior pode receber o Espírito Santo “sem, com e durante o sermão”
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Três classes de ministros segundo Schwenckfeld: 1) verdadeiros servos da Palavra de Deus — profetas, evangelistas, apóstolos e todos os ensinados e enviados por Deus, em cujo ministério a própria Trindade é ativa; 2) servos das Sagradas Escrituras — os que dirigem os ouvintes a Cristo e interpretam a Bíblia de modo cristocêntrico, mas cuja função não pode ser comparada ao alto ofício apostólico; 3) servos da letra — os Schriftgelehrten, que suspendem a obra do Espírito Santo e mostram poucos frutos em seus trabalhos
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Schwenckfeld chamou o ministério de “um ofício glorioso, elevado e abençoado”
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Otto Borngraber — estudioso que equivocadamente ampliou a desênfase schwenckfeldiana dos externais até uma rejeição generalizada, incluindo o ministério público da pregação
A Igreja
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O conceito schwenckfeldiano de igreja é análogo à doutrina da Palavra e do sacramento, distinguindo uma igreja interior — o verdadeiro corpo universal de Cristo, o número pleno dos eleitos — e uma exterior — as instituições visíveis que incluem tanto crentes genuínos quanto hipócritas —, sendo a salvação independente da filiação às igrejas visíveis e dos meios que estas dispensam.
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Igreja interior — o verdadeiro corpo universal de Cristo, número pleno dos eleitos
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Igreja exterior — instituições visíveis que incluem crentes genuínos e hipócritas; a salvação não depende de pertencer a elas
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Schwenckfeld afirmou no início de sua carreira não haver verdadeira igreja cristã na Alemanha, nem ao menos uma que correspondesse ao padrão apostólico estabelecido por Paulo e Pedro
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Paulo e Pedro — apóstolos cujo padrão servia de referência para Schwenckfeld avaliar as igrejas de seu tempo
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Situação da cristandade descrita por Schwenckfeld: “Os papistas condenam os luteranos; os luteranos condenam os zuinglianos… os zuinglianos condenam os anabatistas, e os anabatistas condenam todos os outros”
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Uma das razões mais importantes do Stillstand sacramental era a convicção de que somente uma verdadeira igreja externa poderia ter o privilégio de dispensar os sacramentos
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Esperança em uma igreja futura, estabelecida pelo Espírito, caracterizada pela unidade, pureza e dons carismáticos da igreja cristã primitiva
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Enquanto tal igreja não se estabelecesse, Schwenckfeld geralmente não desaconselhava seus seguidores a frequentar os cultos luteranos, devendo constituir por ora piedosas ecclesiolae in ecclesia — pequenas comunidades piedosas dentro da igreja
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Ecke — estudioso que identificou Schwenckfeld como “o redescobridor da organização carismática da era apostólica” e voz por ecumenicidade no deserto do cisma reformatório
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Maron — estudioso que enfatizou o princípio individualista e separatista na ecclesiologia de Schwenckfeld, identificando corretamente a interioridade subjetiva como quintessência de seu mundo intelectual
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Embora a eclesiologia schwenckfeldiana tenha sido investigada mais a fundo do que qualquer outra doutrina, ela não ocupa lugar de destaque nos escritos ou no sistema do teólogo leigo, permanecendo pouco desenvolvida e marcada por uma atitude vacilante diante das igrejas externas, sem que Schwenckfeld tivesse capacidade ou ocasião para organizar seus seguidores, ainda que essa deficiência se equilibre com o fato de não desejar fundar uma quinta igreja na cristandade.
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Schwenckfeld era teólogo leigo — não clérigo ordenado
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Ao tempo da morte de Schwenckfeld, seus seguidores somavam cerca de quatro mil pessoas
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O último schwenckfeldiano na Europa morreu na Baixa Silésia em 1826
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Em 1720, expulsos por uma missão jesuíta, a maioria dos schwenckfeldianos emigrou para a Pensilvânia, onde ainda hoje existem como corpo eclesial separado de mais de dois mil membros
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H. W. Kriebel — autor de The Schwenckfelders in Pennsylvania (Lancaster, 1904)
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Kadelbach e Ecke — estudiosos que escreveram histórias dos schwenckfeldianos
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